AL, eleições e música
Ao fazer a defesa da candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República, o líder do governo na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), "declamou" ontem trechos da música "Meu País", da dupla sertaneja Zezé de Camargo & Luciano. "Por que será que tá faltando pão? Se a natureza nunca reclamou da gente, do corte do machado, a foice, o fogo ardente, se nessa terra tudo que se planta dá. Que é que há, meu país?", discursou, como se estivesse lendo uma poesia.

Traiano & Suplicy
O tucano lembrou que, anos atrás, a canção foi utilizada no programa eleitoral do ex-presidente Lula. "Mesmo sendo do PT, eu me arrepiava", confessou. Segundo ele, porém, a situação se inverteu e hoje a música representaria os problemas da administração petista. Aécio, por outro lado, seria "a mudança". Em alguns momentos, a manifestação de Traiano lembrou o senador Eduardo Suplicy (PT), também seu adversário político, que em discursos no Congresso já deu "canjas" de Bob Dylan e Racionais MCs.

Presidência tucana
Um dos principais cabos eleitorais do presidenciável Aécio Neves no Paraná, Valdir Rossoni (PSDB) tem utilizado os canais oficiais de comunicação da Assembleia Legislativa (AL) para se referir à campanha. Ontem, a assessoria de imprensa da Presidência da Casa enviou dois e-mails em que ele defende a candidatura do senador. O primeiro traz trechos de uma entrevista concedida à rádio CBN de Cascavel, justamente sobre o processo eleitoral, enquanto o segundo repercute o discurso do tucano feito durante a sessão da AL. "Temos que ter um presidente que saiba conduzir a nação com seriedade e respeito às pessoas. O Aécio tem esse perfil e vai mudar a forma de governar", diz um dos textos.

Eleições em pauta
A sessão de ontem na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná foi marcada por discussões acaloradas sobre o segundo turno das eleições presidenciais. Os deputados petistas Péricles de Mello, Enio Verri e Elton Welter subiram à tribuna para contrapor os dois projetos de poder que, dizem, estão em jogo. Um, segundo eles, seria o do PT, mais próximo ao povo, e o outro, o do PSDB, que atenderia aos interesses de grupos específicos, como o dos banqueiros.

'Projeto elitista'
De acordo com Verri, para se chegar à inflação de 3% ao ano, proposta por Aécio Neves e pelo economista que o tucano pretende colocar no Ministério da Fazenda, Armínio Fraga, o desemprego teria de ser de 15% e a taxa de juros de 25%. "Só essa defesa do PSDB mostra o quão elitista é o projeto deles. Quem perde é o trabalhador, são os mais pobres", criticou.

'Pior governo'
Os discursos dos parlamentares de oposição fizeram o presidente da AL, Valdir Rossoni, que é também presidente estadual do PSDB, deixar o comando da sessão para fazer um pronunciamento. O tucano começou falando que, pelas pesquisas eleitorais, Aécio não estaria sequer no segundo turno, porque aparecia com 17% das intenções de voto pouco antes do dia da votação. Depois, criticou a condução econômica do governo Dilma, dizendo que esse "é o pior governo dos últimos 20 anos". "O (ex-presidente) Lula foi muito bem, se comparado com a Dilma".

'Tucanos envolvidos'
Rossoni citou ainda o esquema de corrupção "que tomou conta da Petrobras". Ele chegou a se referir ao fato de um auxiliar do doleiro Alberto Youssef ter dito em depoimento à Justiça Federal que políticos tucanos também teriam recebido propina, incluindo um londrinense, cujo nome não foi revelado. "Eu vou estar no Congresso Nacional (em 2015) e quero dizer aos paranaenses: se tiver lá tucanos envolvidos nessas propinas da Petrobras, e já tem...". No entanto, o presidente da AL interrompeu a fala após professores que lotavam as galerias da Casa se manifestarem. Quando voltou a discursar, prosseguiu nas críticas à administração de Dilma.

Pronatec e o Paraná
Apesar de ser aliado do governador Beto Richa (PSDB), Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) também defendeu, na sessão de ontem, a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). "Vossa excelência fala como se o PSDB tivesse o monopólio do combate à corrupção, como se o Aécio Neves pudesse significar uma mudança de paradigma em relação a um programa grave que esse País tem", discursou, em referência à fala de Rossoni. De acordo com o peemedebista, não há uma acusação que contrarie a honra, a conduta e a história da presidente Dilma. Ex-secretário de Estado do Trabalho, Romanelli elogiou, ainda, o Pronatec, afirmando que o programa trouxe impactos também no Paraná. "Foi fundamental para fazer com que esse ciclo virtuoso do governo Beto Richa pudesse acontecer, com geração de empregos e mão de obra".

Só as bacanas
O prefeito de Londrina Alexandre Kireeff (PSD) lançou em sua página no facebook proposta aos seguidores para publicar fotos legais da cidade. Mas fez uma ressalva: "Só foto bacana, sem essa de colocar foto de problemas por que estas a gente recebe todos os dias, ok?". Até o começo da noite de ontem, foram 934 comentários para a postagem, a maioria com imagens da cidade, mas também não escapou de críticas. "Quer somente fotos bonitas, mas não faz nada para mudar", protestou uma seguidora.

'Dia normal'
O segundo dia do prefeito de São Jerônimo da Serra (Região Metropolitana de Londrina), Adir dos Santos Leite (PSDB), no cargo, "foi normal", afirmam aliados. Adir retornou à cadeira na segunda-feira, depois de 60 dias de licença, desde que o Gaeco deflagrou na cidade a Operação Sucupira, sobre supostos desvios de dinheiro público. O secretário municipal de Agricultura, Eusebio Truber, afirmou que "o prefeito teve boa recepção, apesar do protesto de meia dúzia na segunda-feira". Ontem, o advogado Maurício Carneiro, que defende Adir nas investigações administrativas e judiciais, procurou a FOLHA para esclarecer que "não houve escolta policial para o retorno ao cargo" e que "a polícia estava pronta para qualquer reação negativa da oposição, a qual normalmente é feita pelo sindicato".

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