E começam as especulações
Com o término do primeiro turno das eleições e a definição do tamanho das bancadas para a próxima legislatura, os deputados estaduais já começam a especular como se dará a formação do secretariado do governador reeleito, Beto Richa (PSDB). A coligação do tucano contava com 17 partidos, incluindo PP, PHS e Pros, controlados pela família Borghetti Barros. Muitos parlamentares do PMDB e do PDT, que integravam as alianças de Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT), porém, historicamente sempre foram mais próximos a Beto, o que, na prática, deve garantir ao chefe do Executivo uma base de apoio ainda maior do que a da atual legislatura.

Conversas
Nos corredores da Assembleia Legislativa (AL), a principal aposta é de que o governador nomeará um peemedebista, de forma a garantir que o aliado Stephanes Jr. (PMDB), que não se elegeu por cerca de 170 votos, assuma na condição de suplente. Se escolher dois, contudo, Beto acabará promovendo o retorno de Cleiton Kielse (PMDB), um dos "requianistas" não eleitos por pouco. Ou seja, se a opção for por aumentar a "cota política" do governo, devem ser priorizados nomes da própria coligação. Reinhold Stephanes (PSD), que não se elegeu deputado federal, e Eduardo Sciarra (PSD), coordenador da campanha tucana, também são cotados.

Apostas
Dos oito integrantes da nova bancada do PMDB, cinco são próximos ao governador e, em tese, poderiam migrar para o Palácio Iguaçu: Alexandre Curi, Artagão Junior, Luiz Claudio Romanelli, Ademir Bier e Jonas Guimarães. Segundo mais votado do Estado, atrás apenas de Ratinho Jr. (PSC), Curi deve permanecer na AL. O mesmo se espera de Artagão, que é filho do presidente do Tribunal de Contas (TC), o que poderia gerar certo desconforto entre os poderes. Sobrariam, assim, os últimos três.

Barros diz que fica
Eleito deputado federal, o ex-secretário de Estado da Indústria e Comércio Ricardo Barros (PP) garantiu que não pretende abdicar do mandato para assumir novo cargo na administração de Beto. Ontem, ele esteve na AL, acompanhado da mulher, Cida Borghetti (Pros), para iniciar as articulações junto à base governista. "Vou exercer o meu mandato de deputado federal, a Cida o dela de vice-governadora, e os secretários serão indicados pelos partidos aliados, como é de praxe", afirmou. Questionado sobre o porquê de anteriormente ter aceitado comandar uma pasta, ele emendou: "Porque antes eu não tinha mandato (havia perdido o pleito ao Senado)".

PP e PHS
De acordo com Barros, a indicação do PP caberá ao deputado federal Nelson Meurer, que tem conduzido as conversas com o Palácio Iguaçu. Ele também falou que seu irmão, o ex-prefeito de Maringá Silvio Barros (PHS), é que irá definir junto ao governador qual será o espaço do PHS na próxima gestão. Por enquanto, Beto não se pronunciou sobre o assunto. Os dois primeiros dias após o pleito foram de descanso com a família. Já ontem ele foi a Brasília, se reunir com o presidenciável Aécio Neves (PSDB).

Agradecimentos e selfies
Em conversa com jornalistas, Cida Borghetti disse que o motivo da sua visita à AL ontem foi agradecer aos parlamentares pela "parceria" nestas eleições. Muitos deputados e funcionários da Casa aproveitaram a ocasião para tirar selfies com a vice-governadora eleita. Ela também comentou o fato de seu marido e sua filha, Maria Victoria (PP), terem saído igualmente vitoriosos das urnas. "Eu quero agradecer a confiança que a população, principalmente no Noroeste, em Maringá, deposita na família Barros há 50 anos". Sobre a "hereditariedade" na política, argumentou ser fruto da democracia. "Qualquer cidadão pode e deve participar do pleito, se filiando aos partidos, escolhendo uma bandeira e uma missão. Essa é a Casa do povo paranaense. Está aberta a todos".

Presente
Apontado pelo Portal da Transparência da Assembleia Legislativa (AL) como um dos 28 ausentes à sessão de segunda-feira, o deputado estadual Gilson de Souza (PSC) se justificou ontem. No momento em que a plenária foi interrompida por falta de quórum, ele dava entrevista na Sala de Imprensa da AL, inclusive à reportagem da FOLHA. "Algumas pessoas chegaram a dizer que votaram em mim e que já se arrependeram por isso, mas eu estava aqui", reclamou.

Rede no Paraná
A disposição da Rede nacional em aderir à campanha do presidenciável Aécio Neves (PSDB) encontra resistências no Paraná. Integrantes do grupo discursam desde a pré-campanha contra as principais forças partidárias do Estado. Essa posição, aliás, foi determinante quando a principal liderança da Rede, Marina Silva, decidiu se filiar ao PSB para disputar a eleição. "No Paraná, as filiações foram principalmente no PV", afirmou Eduardo Reiner (PV), que disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Ele admitiu que, mesmo com Marina e Rede nacional apoiando Aécio, no Estado pode-se optar pela neutralidade.

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