Política Atualizado em 13/09/2014, 23:00
INFORME FOLHA
O presidente da CMTU, José Carlos Bruno, respondeu perguntas de vereadores por cerca de uma hora e meia na sessão de quinta-feira da Câmara de Londrina, atendendo convite do líder do prefeito Alexandre Kireeff (PSD), Professor Fabinho (PPS). Jamil Janene (PP), que já havia elogiado o perfil político de Bruno em detrimento da atuação mais técnica do antecessor Carlos Geirinhas, voltou a fazer a comparação. O presidente da companhia disse que esta é uma qualidade que preza em si mesmo. "É o perfil que todo gestor público deveria ter. Ter contato com as pessoas de forma civilizada e educada, e fazer gestões políticas para que os interesses da companhia prevaleçam, é uma obrigação e uma qualidade de todo servidor público", declarou Bruno, que já foi vereador e vice-prefeito de Cornélio Procópio. Hoje não é filiado a partido político.
Segundo Bruno, a ida à Câmara teve a intenção de "afinar a relação" com os vereadores. "Mas também já estive no Ministério Público e vou me reunir com o diretor do Fórum. Queremos uma gestão compartilhada."
O presidente da companhia também comentou sobre a demissão da assessora jurídica, Tatiana Muller, que estava no cargo comissionado desde 2012. "Considerei mais adequado, mais saudável, e é uma forma de resolver problemas internos e externos, facilita o relacionamento da empresa", disse, enigmático. Tatiana é investigada pelo Ministério Público por supostamente ter acumulado cargos públicos entre setembro e dezembro de 2012. Ela também era assessora jurídica da Câmara de Bela Vista do Paraíso. O substituto ainda não foi escolhido.
Outra mudança foi na Diretoria de Trânsito. A escolha do tenente Hemerson Oliveira Pacheco, da reserva da Polícia Militar, foi justificada como "uma questão de afinidade" e "é uma pessoa que conhece profundamente o trânsito e a cidade". A assessora de comunicação também deixa o cargo, ainda sem substituto.
A ideia já tinha aparecido em redes sociais e até em cartazes nas manifestações de rua de 2013. Agora, porém, foi assumida formalmente pela Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG). Em documento que está apresentando aos candidatos a cargos do Legislativo, a entidade propõe o fim do voto para quem é beneficiário do Bolsa Família. O texto não cita o programa, que beneficia 13,8 milhões de famílias no País. Mas é explícito, ao propor ao candidato a defesa do seguinte ponto: "Suspensão do direito ao voto para beneficiados de qualquer programa de transferência direta de renda, nas esferas municipal, estadual ou federal".
O documento provocou reações. Foi criticado por ferir direitos previstos na Constituição. Também é visto como uma forma de atingir o Partido dos Trabalhadores (PT). Nesta eleição, de acordo com pesquisas de intenção de voto, o apoio à presidente Dilma Rousseff entre beneficiários do Bolsa Família é de 54%, enquanto no conjunto dos eleitores do País está situado em 37%. O presidente da entidade, Nilton Fior, disse à reportagem que não se trata de uma solicitação de comprometimento dos candidatos. "Simplesmente apresentamos a eles", afirmou. "Nos colocamos à disposição para discutir, com maior profundidade, cada uma das propostas."
Em debates anteriores, pelas redes sociais, já foi observado que uma proposta dessas poderia levar à cassação do voto de outros grupos beneficiados pela transferência direta e temporária de recursos públicos. Os pesquisadores científicos que recebem bolsas de estudo estariam entre eles. O título do documento é "Proposta da ACIPG - Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa para os Candidatos Locais à Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa do Paraná". Segundo Fior, numa etapa seguinte o texto será apresentado também aos candidatos a cargos no Executivo, inclusive os que disputam a Presidência da República.
Na sexta-feira, o Ministério Público (MP) do Paraná informou que irá investigar se houve ação preconceituosa e discriminatória da ACIPG. Um inquérito civil público foi instaurado pela 6ª Promotoria de Justiça de Ponta Grossa e avaliará eventual dano moral coletivo na sugestão da ACIPG, que considera "cidadãos de segunda classe" quem recebe o benefício. No entendimento do MP, a proposta poderia incitar o preconceito social. A Constituição Federal, reforça o MP, garante a igualdade de todos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.
Candidato à reeleição, o governador do Paraná Beto Richa (PSDB) falou que segue avaliando a possibilidade de se licenciar do cargo. "Enquanto der para conciliar, nós vamos tocando", despistou, em entrevista à imprensa na sexta-feira. "Mas ainda na semana passada os meus assessores, a minha equipe, avaliavam essa possibilidade. Não definimos ainda. Talvez aí nos últimos dias, na última semana, porque vai ser um trabalho ainda mais intenso", completou.





