Adversários de Beto repercutem reajuste
Os dois principais adversários do governador Beto Richa (PSDB) na corrida ao Palácio Iguaçu criticaram ontem o aumento de 24,86% na conta básica de luz dos paranaenses, confirmado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mostrando que o tema deve repercutir também na campanha eleitoral. O senador Roberto Requião (PMDB) postou em sua conta no Twitter que o "tarifaço" é "gentileza para sócios e intermediários da Copel (Companhia Paranaense de Energia) e ferrada no bolso do povo". Já a senadora Gleisi Hoffmann (PT) afirmou que o reajuste é fruto da "incompetência do governo Richa".

Ofício
O peemedebista anunciou que protocolou um pedido de informações ao atual chefe do Executivo sobre os contratos de compra e venda de energia feitos pela Copel nos últimos 36 meses. No mesmo ofício, ele também reivindica cópias do contrato "de aquisição dos ativos de geração relativos aos parques eólicos", localizados no Rio Grande do Norte. Antes do recesso parlamentar, o líder do PT na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Tadeu Veneri, tentou fazer solicitação semelhante. No entanto, teve seu requerimento rejeitado em plenário.

‘Incompetência’
Para Gleisi, o alto percentual de aumento é resultado direto da decisão da atual administração de não aderir ao plano do governo federal para antecipar os contratos de concessão de energia. Em material enviado à imprensa, ela falou que a opção colocou em evidência a falta de planejamento do governador. "O que vemos são erros de gestão sobre erros de gestão, a inexperiência somada à incompetência e uma visão francamente voltada ao lucro de acionistas privados", atacou.

Imbróglio
No final de junho, a Aneel aprovou um reajuste médio de 35,05%. Na época, apesar de a própria Copel ter pedido aumento de 32,4%, Beto mostrou-se "surpreso" com a decisão, anunciando que o índice seria renegociado. Desde então, aliados e opositores ao tucano têm travado um embate sobre de quem seria a responsabilidade pelo aumento, se da própria Copel, cujo sócio majoritário é o Estado, ou se da União, por não ter implementado políticas públicas na área energética. O imbróglio incluiu até a veiculação de anúncios publicitários em rádio e televisão, tanto da Copel como da Aneel.

Compras no Paraguai
A notícia de que o governo federal reduziria de US$ 300 para US$ 150 a cota de compras no Paraguai pegou de surpresa a senadora Gleisi Hoffmann (PT), que disputa o governo do Estado. Isso porque a publicação da portaria número 307, do Ministério da Fazenda, que regulamentava a alteração, se deu no mesmo dia em que a petista chegou à tríplice fronteira, para cumprir agenda de campanha.

Ops...
Horas depois do anúncio e diante da repercussão negativa nos meios de comunicação locais, porém, Gleisi enviou material à imprensa informando que a Receita Federal tinha voltado atrás. "Esta medida não vai entrar em vigência. Era, na realidade, uma regulamentação sobre free shops e não deveria tratar da cota. A redução será suspensa e vamos voltar à cota de US$ 300", explicou. Com isso, um novo texto deve ser publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União. De acordo com a assessoria da ex-ministra da Casa Civil, em solo paraguaio ela se encontrou com o presidente Horácio Cartes, no Palácio de los Lopes, e visitou o Senado.

‘Pacto de não agressão’
A notícia de que PT e PMDB estariam negociando uma espécie de "pacto de não agressão" em São Paulo também respingou no Paraná. Por meio de sua conta no microblog Twitter, o senador Roberto Requião (PMDB) disse que determinou ao seu "pessoal" nenhuma crítica à senadora Gleisi Hoffmann (PT). "Nosso confronto de projetos será no segundo turno", postou. Ambos disputam com o atual governador, Beto Richa (PSDB), a preferência dos eleitores paranaenses. Na maior colégio eleitoral do País, Alexandre Padilha (PT) e Paulo Skaf (PMDB) têm encontrado dificuldade em superar o candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSDB), líder com folga da última pesquisa Datafolha.

Alerta
Apesar de serem mais conhecidos dos eleitores e de gozarem de mais prestígio do que os aliados paulistas, Gleisi e Requião devem ligar o alerta. Isso porque, assim como no Estado vizinho, no Paraná o índice de rejeição ao PT e ao PMDB costuma ser maior. No pleito de 2010, por exemplo, mesmo vitoriosa, a presidente Dilma Rousseff (PT) teve desempenho inferior a José Serra (PSDB) em solo paranaense. Foram 2,59 milhões (44,56%) de votos válidos, contra 3,26 milhões (55,43%) do então adversário.

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