Debate sobre terras chega à AL
A demarcação de terras indígenas nas regiões noroeste e sudoeste do Paraná repercutiu ontem na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, causando até mesmo atritos entre membros de partidos aliados nas eleições de outubro. O líder do PDT na Casa, Fernando Scanavaca, subiu à tribuna para criticar a publicação, no dia 30 de junho, de um decreto que delimita três mil hectares do município do Ivaté para os índios xetá. Segundo ele, a medida cria uma dificuldade para a senadora Gleisi Hoffmann (PT), que quando chefe da Casa Civil prometeu aos produtores do Paraná que a União não demarcaria mais áreas até a publicação de nova legislação sobre o assunto.

‘Fabricando índios’
O discurso do pedetista, integrante da mesma coligação de Gleisi na disputa ao governo do Estado, inflamou os aliados do atual governador, Beto Richa (PSDB). O presidente da AL, Valdir Rossoni (PSDB), que é presidente estadual do PSDB, disse que a Funai estaria "fabricando índios", ao supostamente treinar pessoas vindas do Paraguai para ocupar terras produtivas. "Estão atacando os agricultores, o setor produtivo, que é quem salva o País durante a crise", discursou. O deputado Pedro Lupion (DEM) elogiou as palavras dos colegas, acrescentando que, "mais uma vez, os produtores rurais, que bancam um terço dos empregos e sustentam a metade da balança comercial, pagam a conta".

Fala ‘encomendada’
Para o líder da oposição, Elton Welter (PT), contudo, a fala de Scanavaca foi "encomendada". "Querem politizar o debate, quando o melhor seria chegarmos a um consenso. Mas é do jogo", opinou. O petista citou o exemplo de Diamante do Oeste, cidade onde, segundo ele, "se comprou terras, se assentou os índios e se indenizou produtores".

Sem agenda de campanha
Os três principais candidatos ao governo do Paraná mantêm atividades oficiais ligadas aos seus respectivos cargos e esvaziam a agenda de campanha nesta semana. Os senadores Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) participam das sessões no Congresso, que tem pauta cheia antes do recesso parlamentar que começa dia 17 de julho. Na sexta-feira, Requião estará em Londrina. O governador Beto Richa (PSDB) não anunciou ainda nenhum compromisso fora da agenda administrativa.

‘Nanicos’ em atividade
O candidato Bernardo Pilotto (Psol) fará panfletagem hoje pela manhã em frente ao Hospital de Clínicas da UFPR, em Curitiba. Rodrigo Tomazini (PSTU) passa o dia em reunião com militantes em Maringá e à noite viaja para a capital, onde ficará em campanha até o final do mês. Tulio Bandeira (PTC) visita diretórios municipais de Foz do Iguaçu, Cascavel, Toledo e municípios da região Oeste. Geonísio Marinho (PRTB) participa de reuniões com correligionários e concede entrevistas a emissoras de rádio. O candidato do PRP, Ogier Buchi, ainda não definiu agenda de campanha, segundo a presidência do partido.

Licença de Alvaro Dias
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que concorre à reeleição, anunciou ontem que irá tirar licença do Congresso a partir de agosto, para se dedicar integralmente à campanha eleitoral. Segundo a assessoria de imprensa do tucano, como haverá votações importantes no segundo semestre, ele achou que seria injusto "desfalcar o time do PSDB" na Casa. Com isso, o primeiro suplente, Wilson Matos (PSDB-PR), deve assumir o posto.

Uma vaga ao Senado
Eleito em 2006, Alvaro Dias tem mandato até janeiro de 2015. Já os colegas de bancada, Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Roberto Requião (PMDB-PR), que disputam o governo do Paraná, têm mais quatro anos no Congresso, caso não sejam eleitos no pleito de outubro. Ambos foram eleitos em 2010 para o Senado.

Veto encaminhado
O prefeito de Londrina Alexandre Kireeff (PSD) disse ontem que deve mesmo vetar emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que modifica o cálculo de percentual da folha de pagamento para 2015. Apesar de não ter tido acesso à modificação proposta pela Câmara de Vereadores, ele disse que não vai acatar qualquer dispositivo que "inviabilize a ampliação do quadro de serviços com qualidade". A alteração proposta pela Comissão de Finanças impede que os repasses do SUS sejam incluídos no valor do Orçamento para o cálculo de gastos com pessoal. Com cerca de R$ 200 milhões a menos, o comprometimento dos gastos com folha de pagamento sobe de 46% para 53%, perto do teto máximo tolerado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (SindServ) já havia manifestado preocupação e pede que o prefeito
barre o dispositivo.

A lei permite
A justificativa da emenda é que os repasses do SUS são carimbados e não podem ser usados para pagar funcionários, além de maquiar o real poder de investimento da administração municipal. Entretanto, Kireeff tem ao seu lado o fato de os tribunais de conta considerarem recursos da saúde no cálculo do percentual prudencial. A LDO vai a votação hoje à tarde, em sua redação final (com as emendas incorporadas), o que não permite modificações. A partir de amanhã, o Legislativo entra em recesso de 15 dias.

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