INFORME FOLHA
"Tem gente que passou a se apropriar do slogan do PT. Se foi do próprio candidato, a ideia é um golpe baixo, um gesto pequeno"
Briga por slogan
Aliados em nível nacional e apontados pela presidente Dilma Rousseff como "a fórmula" para interromper o ciclo de quase 20 anos do PSDB no governo de São Paulo, Alexandre Padilha (PT) e Paulo Skaf (PMDB) deflagraram uma troca de ataques em torno do uso da expressão "mudança de verdade" na campanha estadual. O PT estreou o slogan "para mudar de verdade" no lançamento de Padilha, no último dia 14, e o PMDB passou a usar a expressão "mudança de verdade" um dia depois, na divulgação de vídeos e propostas de Skaf. Foi o suficiente para a direção do PT ameaçar Skaf com uma ação judicial e Padilha acusar o ex-presidente da Fiesp de fazer uso eleitoral da entidade. "Tem gente que usa a propaganda de uma entidade para se promover e agora passou a se apropriar do slogan do PT. Se foi do próprio candidato, a ideia é um golpe baixo, um gesto pequeno", disse o petista.
Presente
A reação contrasta com a posição de Padilha até o fim da semana passada, quando o ex-ministro da Saúde disse ao Estado que seu único adversário era o governo do PSDB. Skaf se esquivou de comentar as acusações de Padilha e o publicitário Duda Mendonça foi escalado para rebater os ataques petistas. Ele se dispôs a "dar de presente" a frase para o PT e se comprometeu a não usar mais a expressão. "Se a frase é tão importante para eles, para nós não é. Dou de presente para eles. Podem ficar com ela. Gosto do Padilha. Ele até esteve comigo e me convidou para fazer a campanha dele. O povo de São Paulo já sabe quem é a mudança de verdade. Todas as pesquisas dizem isso", disse Duda.
Alvaro não gostou
Desde a última segunda-feira, deputados do PMDB estão recebendo ligações do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que não teria gostado da proposta da eventual coligação PMDB-PSDB de lançar o ex-governador do Paraná Orlando Pessuti (PMDB) como candidato avulso ao Senado. Como há apenas uma cadeira em disputa, os dois postulantes acabariam dividindo os votos. Alvaro ainda não se pronunciou a respeito. Mas alguns parlamentares ouvidos pela FOLHA disseram que o tucano têm defendido uma "aliança por inteiro".
Marcação cerrada
De olho na indicação do partido para ocupar o cargo de vice-governador na chapa encabeçada por Beto Richa (PSDB), caso a opção dos delegados hoje seja mesmo pela coligação, o presidente do PMDB no Paraná, Osmar Serraglio, tem marcado presença nas sessões da Assembleia Legislativa (AL). O deputado federal concorre com o deputado estadual Caíto Quintana, hoje preferido entre os colegas de bancada. A convenção do PMDB está marcada para hoje.
Obra abandonada em Irati
O abandono das obras do Centro Cultural Denise Stoklos, em Irati (Centro-Sul), levou o Tribunal de Contas (TC) do Paraná a aplicar multas a dois ex-superintendentes do Serviço Social Autônomo Paranacidade. A sanção imposta a Luiz Forte Netto (gestor da entidade entre dezembro de 2005 e maio de 2010) e Wilson Bley Lipski (entre maio de 2010 e janeiro de 2011) é de R$ 2.901,06 cada um. Entre 2008 e 2011, o Paranacidade recebeu, da Secretaria de Estado da Cultura, aproximadamente R$ 4,3 milhões para a construção do centro cultural. O nome do empreendimento homenagearia a atriz, dramaturga, escritora e coreógrafa Denise Stoklos, nascida em Irati e reconhecida internacionalmente.
Paralisação
A paralisação ocorreu em outubro de 2010, quando estavam executados 47% dos trabalhos previstos, que consumiram aproximadamente R$ 920 mil. Em dezembro de 2011, após a rescisão do contrato com a construtora, o Paranacidade devolveu à Secretaria da Cultura os cerca de R$ 3,3 milhões remanescentes do convênio.
Na sessão de 20 de maio, a 1ª Câmara do TC julgou irregular a prestação de contas do convênio.
Falta de planejamento
Na avaliação do relator do processo, conselheiro Fernando Guimarães, a paralisação da obra foi provocada pela falta de planejamento do Paranacidade, tanto na concepção quanto na execução do projeto. Guimarães destacou que essa situação, que já supera três anos, penaliza duplamente a sociedade. "Primeiro, pelo desperdício de parte dos recursos gastos inicialmente, devido ao desgaste da obra causado pelo tempo que ficou parada. Segundo, pela impossibilidade de a população desfrutar dos benefícios que o empreendimento traria para a cultura da região", enfatizou o relator em seu voto, aprovado por unanimidade.





