‘Macho’ como ela
O temperamento forte da vereadora de Londrina Elza Correia (PMDB) é notório. Mesmo como líder do governo Alexandre Kireeff (PSD), posto que ocupou até março passado, não poupava críticas à administração. Ontem, ao reclamar da atuação de um radialista que criticou os trabalhos da Câmara, Jamil Janene (PP) disse que outros parlamentares têm o dever de rebater e refutar acusações e lembrou que a peemedebista já agiu assim. "Tem que ser macho igual a Elza", afirmou, arrancando risos. A vereadora rebateu que é mulher forte e determinada.

Voltou à tona
A vereadora Elza Correia (PMDB) descobriu, dez anos depois, o autor da ação que "cassou" os cataventos usados na sua campanha eleitoral pela Prefeitura de Londrina. Em 2004, a então candidata usava os brinquedos como forma de propaganda, mas sofreu uma ação proposta pelo ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB). Na gestão à frente daquele Estado, entre 1991 e 1995, o símbolo adotado foi justamente um catavento formado com a bandeira de São Paulo. A vereadora disse não ter entendido o que ocorreu à época, já que, politicamente, não representava qualquer ameaça a Fleury. "Tive que responder a esse processo. Até os desembargadores acharam absurdo", recorda.

Identidade revelada
Na segunda-feira à noite, na homenagem da Câmara de Londrina ao sócio-fundador do Grupo Marajó, Flávio Meneghetti, Fleury foi cumprimentar a vereadora, novamente do mesmo partido. Elza, então, o lembrou da ação judicial que ele impetrou, lamentou o caso e questionou o motivo. A origem foi um pedido de um outro político local, do PTB, partido pelo qual era deputado federal à época. "Ele disse que, como eram do mesmo partido, aceitou", contou ontem Elza, durante a sessão legislativa.

Permissão para ficar
Moradores que ocupam um terreno da Companhia Habitacional (Cohab) de Londrina no bairro José Belinati, entre o Semiramis e o João Paz, na zona norte, foram ontem à Câmara de Vereadores pedir ajuda para prorrogar o prazo judicial para deixarem a área antes da necessidade de usar a força policial, na próxima segunda-feira. O local foi invadido na segunda quinzena de janeiro deste ano e, desde 14 de fevereiro, um interdito proibitório impede que a ocupação continue. Ainda assim, de acordo com a missionária Nelma Vieira, que atua no local e foi o porta-voz dos cerca de 20 moradores que foram ontem à Câmara, eles só foram notificados do prazo anteontem. Eles pedem mais tempo para resolver o que farão e ameaçou, caso sejam retirados à força, a acamparem em frente à Prefeitura de Londrina. O presidente da Cohab, José Roberto Hoffmann, foi chamado às pressas para negociar com os invasores. Apesar de dizer que vai tentar postergar a ação, não deu certeza alguma.

Mãos atadas
Hoffmann disse que terá uma reunião com a Polícia Militar hoje para ver até quando é possível segurar a ação de desocupação, mas adiantou que a corporação trabalha com ações programadas e que não tem autoridade para interferir nos procedimentos. Além disso, o presidente da Cohab afirmou que o juiz que proferiu o despacho não estaria disposto a mudar a data, que já foi postergada. Hoffmann conta que ele próprio já foi até o terreno para notificar os moradores da decisão, mas que não deram atenção. "Eles simplesmente viravam as costas." A Cohab prevê construir no local em questão 537 unidades de moradias populares com verbas do Minha Casa, Minha Vida, programa do governo federal voltado para famílias com renda mensal entre 0 e 6 salários mínimos.

Derrubado
A Câmara de Vereadores de Londrina derrubou ontem veto parcial do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) à proposta de Marcos Belinati (Pros) que garante matrícula prioritária a alunos com deficiências físicas em unidades escolares próximas de suas casas. Kireeff barrou o dispositivo que obriga o município a adequar as escolas para receber os alunos por considerar que há vício de iniciativa ao criar despesas para o município.

Explicação
O ex-secretário de Saúde de Londrina Silvio Fernandes procurou a FOLHA ontem para falar sobre a reprovação das contas da pasta no ano de 2002, quando ele era responsável pela área. Segundo ele, os esclarecimentos ao Tribunal de Contas (TC) do Paraná sobre o problema detectado nas contas "poderiam ser prontamente prestados, pois tratava-se tão somente de um empenho emitido por estimativa para a Caapsmel, que foi cancelado em 2004, regularizando a situação". "O fato é que eu não fui notificado à época dessa irregularidade, só vindo a saber do problema em 2010, quando os prazos de recurso já tinha se extinguido", acrescentou.
O nome do ex-secretário consta na chamada "lista dos inelegíveis" do TC, divulgada anteontem pelo órgão. Reportagem publicada ontem pela FOLHA mostrou que mais de 1,2 mil agentes públicos tiveram contas reprovadas e, por isso, podem ser barrados pela Justiça Eleitoral caso queiram disputar o pleito de outubro.

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