INFORME FOLHA
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de janeiro de 2014
Equipe da Folha com agências<br>[email protected] 
Após seis meses...
Fechado há quase seis meses, o Restaurante Popular voltará a funcionar na segunda-feira, segundo anúncio de ontem da Prefeitura de Londrina. O Restaurante Popular fica na Rua Professor João Cândido, ao lado do Terminal Urbano. Servirá 1.000 refeições diárias. O horário de atendimento será das 11 horas às 14 horas, de segunda-feira à sexta-feira. O custo de cada refeição é R$ 6,70. A prefeitura banca R$ 5,20 e o consumidor pagará R$ 1,50. Qualquer pessoa pode almoçar no Restaurante Popular.
Interceptações questionadas
O advogado de defesa do ex-gerente de Desenvolvimento Industrial do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) Eduardo Ivan Reale, Jorge Alexandre Karatzios, contestou ontem o método utilizado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na apuração de suposta cobrança de propina para agilização dos processos de doação de áreas públicas para empresários. O inquérito culminou com o indiciamento de nove pessoas, entre as quais está Reale, suspeito de corrupção passiva e formação de quadrilha. Karatzios argumenta que a investigação se baseou principalmente em interceptações telefônicas, mas que há entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que o método só pode ser adotado em último recurso. "Teoricamente, tudo que consta no inquérito já resultaria em nulidade (do processo). As provas são baseadas em fala daqui, fala de lá", diz o advogado. Ele, entretanto, não entrou no mérito da suspeita, uma vez que ainda não havia conversado com Reale sobre a acusação.
Interceptações defendidas
Procurado, o delegado do Gaeco Ernandes Cézar Alves afirmou ontem que as interceptações de comunicação dos suspeitos de envolvimento no suposto caso de propinas na Codel foi a última opção de investigação e sem a qual não teria como chegar aos fatos ou aos autores. "As provas mais robustas foram produzidas devido ao monitoramento. Ninguém iria chegar aqui e dizer que está cometendo crime", disse o delegado. As quebras de sigilos estão sustentadas por autorização judicial, conforme consta nos autos.
Outro lado 1
A FOLHA voltou ontem a procurar os outros indiciados no caso investigado pelo Gaeco. Procurado na sede de sua empresa, a Artlondre, Dorival Pereira estava em reunião e não atendeu a reportagem. Sua secretária, Ana Lúcia Soares, que atendeu as ligações, disse que "não tinha nada a declarar". Ambos foram indiciados por corrupção ativa, corrupção passiva e formação de quadrilha por, supostamente, procurar outros empresários para entrar em contato com Eliana Teixeira Gonzaga Zamboni, além dele próprio ter pago para ser beneficiado, conforme consta no inquérito do Gaeco. Eliana foi indiciada por corrupção passiva e formação de quadrilha, mas seu advogado, Ronan Botelho, nega irregularidades e diz que sua cliente prestava um serviço para obter certidões para os empresários.
Outro lado 2
Também procurado, Albertino Antônio da Silva, da Castofar, disse que estava em viagem a São Paulo e que não tem interesse em dar declarações. Adriano Palácio Bezerra foi procurado na Ativa Displays, mas uma funcionária informou, por telefone, que ele estava em reunião e não poderia atender. Taís Góis Cogo foi procurada nos dois números atribuídos à Cartonagem Vision, mas ninguém atendeu em nenhum dos terminais. Todos foram indiciados por corrupção ativa porque, segundo depoimentos deles ao Gaeco, teriam pago valores para serem beneficiados nos trâmites de doações de áreas públicas. Luiz Carlos Schiavon, da Máquinas Schiavon, disse no dia anterior que procurou Eliana como uma despachante, mas negou qualquer pagamento. Ele também foi indiciado por corrupção ativa. A reportagem não conseguiu entrar em contato com José Hilário, servidor da Codel também indiciado por corrupção passiva no caso.
Site do Genoino
Familiares e amigos do ex-presidente do PT José Genoino colocaram no ar o site para receber doações que ajudarão a pagar a multa estipulada para o petista pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em decorrência de sua condenação no esquema do mensalão. Anteontem, a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal atualizou o valor da multa passando de R$ 486 mil para R$ 667,5 mil. Genoino foi condenado a 6 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. "Cumprir a pena e pagar a multa não significa reconhecer a culpa", disse à Folha de S.Paulo Miruna Genoino, filha do petista. Intitulado "Parceiros da família Genoino", o site recupera a história de militância de Genoino e destaca que o petista "sempre esteve ao lado do povo, da democracia e das lutas sociais".
Dinheiro para multa
Até agora, todos os sites que foram colocados no ar não tinham a participação de familiares e, em novembro, Genoino chegou a pedir que um deles, criado por um militante do PT, fosse encerrado. O site "Doação José Genoino", com criação atribuída a Miruna e familiares, era produzido por militantes do PT, mas acabou saindo do ar por problemas estruturais. "Não foi um pedido do meu pai para que ele parasse de funcionar. Foram problemas técnicos. Quem fez pediu autorização, mas acabou não dando certo", afirmou a filha do petista.


