Greve 1
Servidores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que paralisaram as atividades ontem, foram à Câmara de Londrina pedir apoio dos vereadores na negociação com o governo do Estado. Em assembleia, já deliberaram pela greve por tempo indeterminado a partir de 28 de junho. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Estadual na Área de Pesquisas Agrícolas e Agropecuárias (Sindpar), Ricardo Moura, disse que a principal reivindicação é um "abono emergencial de R$ 800 por cinco meses" para o quadro funcional. Alguns servidores teriam salários menores que o mínimo regional do Paraná. Enquanto isso, seria discutida a readequação salarial do órgão.

Greve 2
O presidente do Iapar, Florindo Dalberto, também esteve na Câmara e disse que a paralisação é desnecessária porque o governo tem disposição para negociar e que somente não concedeu o abono emergencial por "momentânea restrição legal: a limitação de gastos com pessoal estipulada pela Lei de Responsabilidade Fiscal".

Greve na Sanepar
Em greve desde sexta-feira, os engenheiros, geólogos e geógrafos da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) também cobram da direção da empresa a correção de distorções nos planos de carreira. Profissionais recém-contratados, diz o sindicato da categoria, estariam recebendo mais que funcionários com doze anos na empresa. No ano passado, os engenheiros teriam combinado essa correção com o governo do Paraná, mas não foram atendidos. Ontem, na Assembleia Legislativa do Paraná, essa situação botou os líderes do governo e da oposição em choque.

Cargos em comissão
O líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), usou da tribuna na Assembleia Legislativa para fazer duas reclamações envolvendo a dificuldade de negociação entre o governo do Paraná e os engenheiros da Sanepar. Reclamou de ato administrativo do Conselho de Administração, que teria autorizado a contratação de 35 consultores (sem concurso público). Disse que dentre eles estão ex-funcionários da Prefeitura de Curitiba e um ex-vereador do PSDB na capital (Jair Cezar). "Não dá para dizer que não tem dinheiro, se contratou os consultores", reclamou Veneri.

80% do orçamento
Tadeu Veneri também argumentou, com base em levantamento próprio, que 80% do que será investido pela Sanepar neste ano é proveniente de fontes federais. Dos R$ 2 bilhões de investimento prometidos para a Companhia de Saneamento do Paraná, R$ 1,6 bilhão seriam provenientes de Brasília. R$ 920 milhões do BNDES, R$ 555 milhões da Caixa Econômica Federal e R$ 134 milhões da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). "Depois o governador diz que está sendo perseguido. Por quem? Não falta boa vontade do governo federal", disse o petista.

Fazer contas
O líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), rebateu essas críticas na tribuna da Assembleia Legislativa. Disse que a administração da Sanepar estava disposta a negociar com os engenheiros em greve, mas que "eles não apresentaram nenhuma proposta". "A Sanepar é a única empresa do País que já paga o piso da categoria", disse o tucano, adiantando que a Sanepar estaria disposta a aumentar os benefícios dos funcionários. Traiano não falou das contratações dos consultores, mas disse que a Sanepar consegue empréstimos nos bancos federais por ser uma empresa com as "finanças em dia".

Conta Única
O governador Beto Richa (PSDB) assinou ontem o decreto que regulamenta a criação do Sistema de Gestão Integrada dos Recursos Financeiros do Estado do Paraná (Sigerfi), apelidado de "Conta Única" durante a tramitação na Assembleia Legislativa. O objetivo é transformar as "milhares" de contas bancárias do governo do Paraná no Banco do Brasil em uma caderneta única, supervisionada pela Secretaria de Estado da Fazenda. Isso vai permitir que o governo negocie aplicações mais rentáveis junto ao banco, além de promover "empréstimos internos" entre as secretarias. Ano que vem o Tesouro Estadual vai movimentar R$ 33 bilhões.

Plano Diretor
Começou a correr oficialmente ontem o prazo de 180 dias para conclusão do relatório final da sindicância do Plano Diretor, aberta pela Prefeitura de Londrina para apurar alterações irregulares no texto do projeto de Uso e Ocupação do Solo, que trata do zoneamento. A portaria foi publicada ontem pelo corregedor-geral Alexandre Trannin. A corregedora-adjunta Silvely Villela Gazola é quem vai coordenar as investigações, auxiliada por um servidor do Ippul (onde a suposta irregularidade ocorreu), Luiz Alves Nunes, indicado pela diretoria do próprio órgão.

Notebooks
O vereador Chicarelli (PSDC) reclamou do preço a ser pago pela Câmara de Curitiba em 38 notebooks (R$ 3,2 mil a unidade), uma para cada parlamentar. Na tribuna, disse que "o preço está cheirando a algum conluio nas licitações" e que havia localizado o produto pela metade do valor. O presidente da Casa, Paulo Salamuni (PV), classificou a declaração de "leviana". Disse que houve lisura na licitação e pediu a Chicarelli que apresente orçamento melhor, caso contrário poderá ir para o Conselho de Ética. "Não se pode chegar aqui sem embasamento e lançar acusações ao vento. Não estamos aqui para destruir a reputação de ninguém", disse Salamuni.

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