'Gracie' Hoffmann
Na quarta-feira pela manhã, após os deputados federais virarem a noite votando a MP dos Portos, não eram só os políticos que mostravam sinais de cansaço. Pouco antes das 9 horas, Arnaldo Faria (PTB-SP) pediu a palavra enquanto Rubens Bueno (PPS) se dirigia à tribuna. Ele criticou a chefe da Casa Civil da República, Gleisi Hoffmann (PT), por dizer à imprensa que a presidente Dilma vetaria itens alterados pelo Congresso. Qualificou de ''inabilidade'' e ''bobagem grande'' a fala da petista. A taquígrafa, como consta na página da Câmara Federal na internet, grafou o nome dela como Gracie. Nem Gleisi, que é o correto, nem Grace (Kelly), a atriz famosa pelos papéis em ''Alta Sociedade'' ou ''Janela indiscreta''.

Hauly responde Dieese
O secretário estadual da Fazenda, Luiz Carlos Hauly (PSDB), confirmou para a FOLHA que a receita corrente do Paraná cresceu nestes quatro meses. Na terça-feira, o economista Sandro Dias, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), projetou crescimento de 12,76% na receita, que teria atingido a marca de R$ 11,4 bilhões. Já a Receita Corrente Líquida do primeiro bimestre de 2013 demonstraria crescimento de 14,62%. Ele obteve os números cruzando dados que constam no Portal de Transparência do governo.

'Esqueceram do resto'
Os dados do Dieese estão sendo usados pelo Fórum dos Servidores Públicos do Estado para questionar o parcelamento da data-base. São 6,49% de reajuste (impacto de R$ 68 milhões na folha de pagamento), divididos em maio e julho. O fórum diz que, com o aumento da arrecadação, seria possível pagar o reajuste da inflação numa vez só. Hauly diz que esse raciocínio está incompleto.

Aumento das despesas
''O Dieese está correto, mas esqueceu de considerar o crescimento vegetativo da folha de pagamento, por volta de 4%, pois os servidores progridem em suas carreiras. Não considerou as aposentadorias que nós concedemos, as contratações nas áreas de Segurança e Educação, o aumento dos repasses aos outros Poderes, o pagamento dos precatórios e a queda nos repasses federais. Se for ver só a arrecadação, o Paraná tem mesmo uma das melhores performances do País'', diz Hauly.

Alívio
O vereador de Londrina José Roque Neto (PR) disse que a decisão da 2 Vara da Fazenda Pública que o considerou inocente da acusação de improbidade administrativa por contratar, sem licitação, um hospital da cidade para fazer um mutirão na área de otorrinolaringologia o deixa aliviado. ''Eu esperava que a decisão fosse essa e nos deixa tranquilos porque não prejudica nossa vida futura na política. Afinal, ninguém quer ser condenado por improbidade.'' O parlamentar pretende se candidatar a deputado estadual em 2014. Sobre o processo, disse que não se arrepende de ter feito a contratação. ''Eu faria de novo porque foi importante para as pessoas que esperavam atendimento médico.'' O Ministério Público, autor da ação, ainda pode recorrer ao Tribunal de Justiça do Paraná.

Área de manancial
O líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), questionou a liberação, pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), de licença prévia para a instalação de uma empresa em área de manancial. O terreno em questão fica em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), e receberia unidade da norueguesa Aker Solutions, que é especializada na fabricação de máquinas e equipamentos para a prospecção e extração de petróleo. Segundo Veneri, a área de 168 mil metros quadrados ''já recebeu terraplenagem, eliminando a vegetação, a nascente e o lago'', adverte.

Taxas dos cartórios
Nesta semana, o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná tirou da mão dos deputados estaduais o projeto que aumenta o valor das taxas cobradas nos cartórios. Sob a justificativa de ''fazer correções na redação'', a proposição foi recolhida e deixa de tramitar na Assembleia Legislativa (AL). A proposta sugeria aumento linear de 18,15% para todas as despesas processuais. O índice seria a soma da inflação acumulada desde janeiro de 2011, quando passou a vigorar o último reajuste nos preços dos cartórios do Estado (30%).

Segunda tentativa
O presidente da Assembleia, Valdir Rossoni (PSDB), havia dado início a uma comissão mista para analisar o projeto para aumentar as taxas dos cartórios. Além de deputados estaduais, o grupo tem membros da Ordem dos Advogados do Brasil e do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci), por exemplo. No final de 2012, quando a primeira proposta de reajuste chegou à AL, várias entidades reagiram contra a medida. Eram previstos aumentos, por exemplo, de 100% nas matrículas imobiliárias (de R$ 9,48 pra R$ 22), e acima de 1.000%, no reconhecimento de firma de pessoa jurídica (de R$ 3 para R$ 75).

Nenhuma explicação
O ex-presidente do Tribunal de Justiça Miguel Kfouri Neto retirou a proposta de reajuste independente por taxa e reapresentou a que previa aumento linear de 18,15%. Para não votar no ''afogadilho'', Rossoni engavetou a medida, deixando-a para ser estudada ao longo de 2013 e votada no final do ano. Quando Clayton Camargo assumiu o TJ, criticou a AL pela ''demora'' em votar matérias do interesse do Judiciário. FOLHA procurou o TJ ontem, mas até o fechamento da edição ninguém explicou o motivo da nova retirada do projeto. O Paraná tem 973 cartórios, todos nas mãos de operadores privados.

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