Agressividade
O candidato do PP à Prefeitura de Londrina, Marcelo Belinati, manteve o tom agressivo, no programa eleitoral do segundo turno exibido ontem na televisão, no início da tarde. Mas os ataques ao opositor Alexandre Kireeff (PSD) não foram tão diretos quanto na inserção veiculada anteontem. O pepista afirma que não ''escondo nada, nem origem, nem apoios'', numa referência ao fato do candidato do PSD não utilizar o sobrenome ''Lopes'' no nome de urna, o que, segundo a coligação de Marcelo, seria para omitir a relação da empresa de transporte coletivo que explorou o serviço na cidade por anos. Marcelo diz ainda que não foi ''fabricado'' e que ''uma cidade é feita de seres humanos e não de números''.
Aliados
O programa ainda criticou a proposta de Kireeff de levar à Zona Norte uma faculdade particular. Disse que criará a Universidade Aberta do Brasil naquela região, com ''ensino gratuito e de qualidade''. Chamou a atenção a aparição da secretária municipal de Educação, Maria Inês Galvão Mello, no programa de Marcelo, identificada apenas como professora. No programa de anteontem quem fez propaganda para o pepista foi o prefeito Gerson Araújo (PSDB). ''No primeiro turno não participei porque era candidato a vereador. Agora não há problema'', justificou à FOLHA.
Cutucadas
Kireeff deu cutucadas indiretas no adversário criticando promessas que não poderiam ser cumpridas. ''Tem candidato que num estralo de dedo vai resolver a questão da saúde e do desenvolvimento, eu não acredito e não prometo nada disso'', reafirmando o discurso de trabalho e eficiência. E continuou, pedindo um basta a ''esse negócio de uma cidade inteira trabalhar em benefício de um grupo político''. O programa de Kireeff ainda abordou propostas e levou novos apoiadores para a campanha, como o jornalista Délio César, que proclamou: ''Se o ex-prefeito Wilson Moreira (que era do PSDB, partido que hoje está coligado a Marcelo) estivesse vivo, certamente estaria conosco na campanha do Kireeff''. Analistas dizem que Moreira teria sido o ''último grande prefeito de Londrina'', por sua gestão técnica e eficiente.
PTC quer a vaga
A reeleição como vereador do prefeito de Londrina, Gerson Araújo (PSDB), deve ser contestada na Justiça Eleitoral, antes da diplomação, que deve ocorrer no máximo até o dia 19 de dezembro. Alegando ilegalidade, o presidente estadual do PTC, Ulisses Sabino, disse à FOLHA que o partido foi prejudicado. ''Nossa coligação (com PSDC) fez 13.513 votos e deixamos de fazer um vereador por 126 votos, em razão do coeficiente eleitoral. Vamos pedir a anulação dos votos dados a ele porque a partir do momento em que aceitou ser prefeito, deixou de ser candidato a vereador.'' Na conta de Sabino, a anulação dos mais de 4,3 mil votos que Gerson conseguiu, colocaria um candidato do PTC na Câmara. Seria o retorno de Roberto da Farmácia, que fez 1,3 mil votos.
PSDB tranquilo
O presidente do PSDB, Éder Pimenta, minimizou o eventual recurso da coligação adversária. ''Não temos essa preocupação porque a candidatura do pastor Gerson já estava deferida, o registro já havia sido feito na Justiça.'' Pimenta lembrou do caso do ex-prefeito Barbosa Neto (PDT), que, cassado pela Câmara, disputou normalmente a eleição. O prefeito Gerson Araújo afirmou que ''não poderia fugir da responsabilidade de assumir o Executivo''. Ele disse estar tranquilo quanto a legalidade da candidatura.
PCdoB de fora
Em reunião realizada ontem, o PCdoB negou o apoio a Marcelo Belinati (PP) na corrida pela Prefeitura de Londrina. Segundo o diretor estadual da legenda, Márcio Sanches, a presença do PSDB na campanha pesou na decisão. ''Nós estamos na base de apoio da Dilma Rousseff (PT) e ficaria muito complicado estar ao lado do PSDB e do Beto Richa em Londrina.'' O PCdoB formou coligação na disputa proporcional com PV e PTN. Os dois últimos decidiram apoiar Marcelo, conforme a FOLHA mostrou ontem.
Bela Vista 1
O prefeito de Bela Vista do Paraíso (Região Metropolitana de Londrina), Roberto Bertoncine, disse que ''já determinou que seja averiguada a procedência'' da denúncia de abastecimento de seis veículos da prefeitura que estão parados há anos, sem uso, porque estão quebrados. Alguns deles sequer têm motores, conforme reportagem publicada pela FOLHA no último dia 19. A Câmara abriu uma CPI para apurar o caso. ''Sendo constatada alguma irregularidade, será aberta uma sindicância para apurar os servidores responsáveis pelo ato'', diz o prefeito em nota encaminhada à redação.
Bela Vista 2
Bertoncine, que está no primeiro mandato e não disputou a reeleição, havia declarado que não acreditava na eficiência da CPI em razão do final do mandato. Na nota, diz que tal declaração ''foi feita no contexto de demonstrar a motivação política da abertura da CPI'': ''Por que abrir a comissão somente agora no final do ano quando, provavelmente, não existirá tempo hábil para que seja atingido o escopo da investigação antes do término deste mandato, considerando os trâmites legais e prazos que deverão ser respeitados?''.

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