Paranaenses e o mensalão
Com o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), a bancada de oposição no Congresso Nacional tem aproveitado para subir o tom das críticas ao suposto esquema de desvio e distribuição de dinheiro a parlamentares da base de apoio do governo Lula em troca de votações favoráveis no Congresso. A declaração mais ousada veio do líder do PPS na Câmara Federal, deputado Rubens Bueno, que atacou frontalmente as afirmaçõs do presidente nacional do PT, Rui Falcão, de que o esquema em julgamento não existiu. Na Câmara de Deputados, Bueno comparou a alegação ao esquema de propaganda nazista comandada por Goebbels na Segunda Guerra Mundial, ''que repetia mentiras para que, ao final, se tornassem verdades''. Apesar do tom, o deputado federal desejou ao STF um julgamento ''com a serenidade e o equilíbrio devidos a um tribunal superior''.
Ataque
No plenário do Senado, Alvaro Dias (PSDB) disse esperar que o julgamento do mensalão vire ''símbolo da vitória sobre a impunidade no Brasil''. O senador do Paraná vê no julgamento uma oportunidade para que se reestabeleça a crença dos brasileiros nas instituições públicas. ''O julgamento pode significar o início do fim dessa cultura de impunidade que provoca indignação na parte decente do país'', declarou o tucano.
Reforma política
Um dos poucos políticos da base a comentar o caso nos últimos dias, o senador Sérgio Souza (PMDB) defendeu o financiamento exclusivamente público das campanhas eleitorais. ''Os fatos demonstram a necessidade de reformulação integral do sistema de financiamento de campanha'', disse. Ele acusa o sistema atual de distorcer a finalidade do gestor público de trabalhar pelo bem comum. Com o financiamento público, o candidato seria ''devedor exclusivo do povo''.
Defesa
Nos últimos dias, ecoa sozinha dentro do Partido dos Trabalhadores a voz do presidente da legenda, Rui Falcão. ''O processo incluiu alguns militantes do PT, injustamente acusados por crimes cuja a comprovação não se sustenta na longa denúncia da procuradoria'', reflete o petista. ''Em primeiro lugar, sempre afirmamos estar plenamente demonstrado nos depoimentos das testemunhas: não houve compra de votos no Congresso Nacional, tão pouco houve pagamento - nem mensal, nem a qualquer título - a parlamentares a votar a favor do governo'', reafirma Rui Falcão, dizendo que a insistência na acusação é da oposição.
Desatualizado
Ontem, no painel da Assembleia Legislativa (AL), o deputado estadual Cleiton Kielse apareceu filiado ao PMDB. Faltou atualizar a legenda, pois ele embarcou no recém-criado Partido Ecológico Nacional (PEN), ao lado do delegado Francischini, deputado federal. Além de pedir para a direção da mesa ajustar o painel eletrônico, ele terá que lidar com o Conselho de Ética da AL, pois o deputado Edson Praczyk (PRB) confirmou que abrirá o processo contra o parlamentar, em decorrência dele ter feito acusações sobre o envolvimento de deputados com concessionárias de pedágio. Praczyk disse ter aguardado na esperança de um pedido de desculpas que não veio.
Disputa concreta
A primeira ação dos deputados estaduais Ademar Traiano (PSDB) e Artagão de Mattos Leão Jr. (PMDB) ontem, na Assembleia Legislativa (AL), foi procurar a imprensa e explicar que não são candidatos. ''Ainda não'', desconversaram. Confirmaram que estão dispostos, mas só irão partir para a aventura de confrontar o presidente Valdir Rossoni (PSDB) se tiverem o apoio das sua bancadas. No PMDB, Artagão teria que superar a visão de que ele pertence ao baixo clero. No PSDB, Traiano teria que convencer o governador Beto Richa, a quem Mara Lima e Mauro Moraes, tucanos, condicionam o voto.
Centralismo democrático
Valdir Rossoni (PSDB) colocou ordem na Casa antes da sessão plenária. Ficou combinado que somente ele fala em nome da Mesa Diretora sobre o próximo semestre. Ninguém mais comenta oficialmente a eleição para os cargos, nem dá trela à temporada de especulação aberta por Traiano, há duas semanas, quando afirmou que poderia ser candidato. O deputado estadual Antônio Anibelli Neto (PMDB) resumiu assim a questão: ''Tudo vai ser resolvido em cinco dias. Em outubro, depois do primeiro turno, haverá uma reunião de líderes para acertar os detalhes técnicos do pleito. A eleição acontece cinco dias depois da reunião. É em cinco dias que as coisas vão se resolver'', comentou.
Coisas separadas
Na última eleição para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, o ex-deputado estadual Durval Amaral insinuou disputar a presidência contra Valdir Rossoni (PSDB). O governador Beto Richa o convidou para o secretariado e depois garantiu a indicação do político para o Tribunal de Contas (TC) do Estado. Perguntado pela reportagem, Ademar Traiano disse que a candidatura é para valer, não para negociar cargos no governo. ''Eu não barganho!'', declarou o deputado. Artagão também disse que o seu nome não vai entrar na negociação da próxima presidência do TC, onde seu pai, o conselheiro Artagão de Mattos Leão, seria o próximo a galgar o cargo. Especula-se que ele poderia ceder a vez para o conselheiro Caio Soares, que se aposenta do TC em dois anos.
Seis por meia dúzia
Deputados vão e vêm, mas Bernardo Ribas Carli (PSDB) continua usufruindo da sua cadeira na Assembleia Legislativa (AL). Na primeira sessão plenária após o recesso, Nelson Garcia (PSDB) retomou o assento, após o prazo em que esteve licenciado para tratamento de saúde. Ao mesmo tempo, Osmar Bertoldi (DEM) deixou o Legislativo para reassumir a presidência da Companhia de Habitação de Curitiba. Suplente de ambos, Carli permanece deputado.

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