INFORME FOLHA
Vereador no Gaeco
Durante quase duas horas o vereador londrinense Joel Garcia (PP) prestou depoimento no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ontem, e teve que explicar porque apresentou projeto de lei - já retirado - que beneficiaria o empreendimento do empresário Anderson Fernandes, preso acusado de corrupção. Garcia também respondeu sobre seu relacionamento com o empresário Everton Muffato. Segundo denunciou o vereador Roberto Fú (PDT), o empresário Anderson Fernandes, que teria oferecido dinheiro ao parlamentar na tentativa de manter a Lei da Muralha, estaria também representando interesses do Muffato.
Geladeira mais barata
Joel Garcia voltou a rechaçar a suspeita de que tenha recebido proposta ilegal dos empresários. ''Em hipótese nenhuma, conheci o empresário (Muffato) numa solenidade, mas foi só isso.'' Em depoimento anterior na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, Garcia afirmou ter feito compras no hipermercado e ter pago menos da metade do valor numa geladeira. ''Era de mostruário'', justificou.
- O juiz da 3 Vara Criminal, Katsujo Nakadomari, decretou segredo em relação a informações pessoais do empresário Everton Muffato, cuja residência já foi alvo de mandado de busca e apreensão.
Queda não barra investigação
A sanção da lei que torna nula a Muralha em Londrina não interfere nas investigações conduzidas pelo Gaeco sobre eventual pagamento de propina a vereadores. O delegado Alan Flore disse que ''a investigação se refere a fatos passados, se ocorreu algum ilícito penal, que não vai desaparecer com a lei sendo derrubada''.
Dia da pizza
Em referência ao dia da pizza, comemorado ontem em todo o Brasil, o movimento espírita de Londrina levou uma faixa na Câmara de Vereadores de Londrina com os dizeres: ''O povo está vigilante. Não queremos pizza!''. A faixa faz referência à Comissão Processante (CP) da Centronic, que deve entregar nos próximos dias o relatório final da investigação sobre vigias que supostamente teriam trabalhado na rádio do prefeito Barbosa Neto (PDT) sendo pagos com verba pública.
- Para acompanhar a nova faixa, as outras já carimbadas em todas as sessões da Câmara nas últimas semanas também estavam presentes - o banner da discórdia, que divide os vereadores em ''a favor do povo'', ''duvidosos'' e ''corruptos''; a faixa que diz que o povo de Londrina apoia o Gaeco e a CP; e a outra que questiona a ''ética'' da ''Comissão de Ética'' da Casa.
Sem graça
A vereadora Sandra Graça (PP) também se manifestou sobre a faixa dedicada a ela no plenário - ''Sandra, sua omissão na votação foi sem graça'' - referente ao segundo turno da votação do projeto de lei que revoga a Lei da Muralha. A vereadora informou que não votou porque estava participando da inauguração de um Centro de Educação Infantil no momento da sessão. ''O dia em que me ausentei do plenário eu tinha uma justificativa, mas acho que ela não foi entendida pelos munícipes. Eu não costumo me ausentar, mas esse Centro de Educação Infantil foi construído por uma lei que era de minha autoria'', discursou ela, ressaltando que tinha autorização da Casa para ir ao evento.
A favor da Muralha
Continuando o discurso, a vereadora Sandra Graça admitiu que, mesmo se estivesse no plenário, manteria sua postura, de votar pela retirada do projeto de lei de pauta para que ele fosse melhor discutido por entidades. ''Meu parecer, dado na Comissão de Justiça, foi amplamente discutido e analisado e eu não mudaria minha postura. Tem que ter coragem para colocá-lo no papel. E eu espero que as pessoas aqui entendam que fazer política, às vezes, é fazer opções que podem coincidir com votações polêmicas'', disse ela. ''Uma hora agradamos uns, outra hora outros.''
Presos políticos
O vereador Amauri Cardoso (PSDB) não poupou críticas ao vereador Eloir Valença (PHS), na sessão da tarde de ontem da Câmara de Vereadores de Londrina, quando o último resolveu dizer que era ''preso político''. Valença tem discursado na Casa, sempre que pode, para falar que sua prisão, feita pelo Gaeco em maio deste ano por suposta corrupção passiva, teve motivação política. As investigações do Gaeco iniciaram a partir de uma denúncia feita por Cardoso, de que pessoas ligadas ao prefeito Barbosa Neto (PDT) ofereceriam dinheiro a parlamentares em troca de apoio político. Aproveitando o debate feito no plenário da Casa sobre a instalação da Comissão da Verdade, Valença pegou o microfone para ressaltar mais uma vez que era um ''preso político''. Cardoso, assim que Valença terminou, pegou o microfone e disse que ''até a mulher do bicheiro Cachoeira falou em entrevista que o marido era preso político''. ''Isso agora virou moda. Precisamos contextualizar. Presos políticos foram os que lutaram na ditadura. Outros que levantam essa bandeira sem merecer precisam ter vergonha.''
'Lei do Pai Nosso' rejeitada
A Câmara Municipal de Apucarana rejeitou o projeto de lei que estabelecia a oração do Pai Nosso antes do início das aulas nas escolas municipais e particulares da cidade. Sete vereadores foram contra o projeto de lei 102/2012, no segundo turno de votação. Na semana passada, o Ministério Público (MP) orientou que o Legislativo rejeitasse o projeto de lei, que já havia sido aprovado em primeira discussão. Em entrevista ao Bonde, questionado se a Câmara optou por seguir a recomendação do MP, o autor do projeto de lei, José Airton Araújo (PR), mais conhecido como Deco, respondeu que os vereadores mudaram de opinião por causa do período eleitoral. ''Quem perde é a família apucaranense. Ninguém seria obrigado a fazer a oração, mas as escolas iriam reservar apenas um momento para o Pai Nosso.''





