Volta do banner da discórdia
O banner que causou a ira de alguns vereadores da Câmara de Londrina continua sendo pendurado nas galerias da Casa a cada sessão legislativa, mas na tarde de ontem ele veio acompanhado de várias novas faixas.

- O banner ''da discórdia'', como foi chamado nos bastidores da Casa, traz três colunas: ''a favor do povo'', dos vereadores ''duvidosos'' e da ''corrupção''.

- Na coluna do povo estão o nome de 12 vereadores, e na coluna da dúvida estão listados os nomes dos sete vereadores que hoje fazem parte da base governista do prefeito Barbosa Neto (PDT): Jairo Tamura (PSB), Padre Roque (PR), Roberto da Farmácia do Vivi (PTC), Sebastião dos Metalúrgicos (PDT), Rodrigo Gouvêa (PTC), Roberto Fú (PDT) e Eloir Valença (PHS).

- Ontem, a faixa nova tinha o nome dos mesmos sete vereadores com a frase: ''Queremos vocês na coluna do povo''.

- O banner e as faixas foram feitas pelo movimento popular contra a corrupção ''Por Amor a Londrina'', que tem acompanhado as sessões da Casa há algumas semanas.

Outras faixas...
Assim como a faixa que fazia referência especialmente ao vereador Eloir Valença (''estamos de olho em você'') - pendurada na galeria assim que o vereador retornou ao cargo - ontem mais duas eram específicas para vereadores. Uma delas para Sandra Graça (PP), relatora da Comissão Processante (CP) da Centronic, dizia: ''Sandra, o fim da corrupção em Londrina está em suas mãos'' - fazendo referência ao relatório da CP, que está em fase de elaboração.

- Outra faixa era para o pedetista Roberto Fú, que da primeira vez que viu o banner onde seu nome estava listado como ''duvidosos'' fez um discurso raivoso no plenário. Na ocasião, o vereador disse que seu nome ''não era osso''. A frase da faixa dizia: ''Roberto Fú, é melhor ser osso na boca do povo do que na boca do gato''.

'Gatos, ratos...'
Quando pediu a palavra, no Grande Expediente, Fú afirmou que ''não estava confortável'' com a situação. ''Eu não vou me calar, sou um homem público, mas não aceito que brinquem com meu nome. Vejo meu nome naquela faixa, mas não entendi muito. Até porque eu conheço muitos gatos nessa cidade, mas muitos ratos também.'' O vereador ainda afirmou que ainda não teve autorização de seu advogado para colocar ''uma decisão judicial'' no telão da Câmara, mas que na próxima terça-feira pretende dar publicidade ao resultado.

- ''Já falaram até que eu era a mistura do Chacrinha com o Bin Laden e eu ganhei uma ação na Justiça por difamação. Eu não provoco ninguém, não ofendo ninguém, e não aceito que façam isso comigo'', finalizou.

'Financiador de faixas'
Os vereadores ficaram mais de duas horas reunidos para debater assuntos da pauta de votação. Nos corredores da Câmara comentou-se que um dos temas da reunião fechada seria as faixas e banner da discórdia. A dúvida era se havia no Regimento Interno da Casa algo que proibisse esse tipo de manifestação, mas segundo entendimento da Procuradoria da Casa - já divulgado na última semana - manifestações silenciosas podem ser feitas no plenário.

- Um dos sete vereadores citados em outra faixa teria levantado a suspeita se o dinheiro para a confecção teria saído do gabinete de algum dos vereadores de oposição.

Pedido de investigação
O vereador Eloir Valença (PHS) protocolou na Mesa Executiva da Câmara ontem requerimento pedindo a abertura de uma investigação na promotoria de Defesa do Consumidor e no Procon em relação ao aumento de preço de combustíveis na cidade. O pedido deve ser avaliado pelo plenário da Casa. Se acatado pela maioria dos vereadores, a solicitação deve ser encaminhada aos órgãos.

Lei de metas 1
O presidente do Fórum Desenvolve Londrina, Cláudio Todeschi, esteve no plenário da Câmara ontem para apresentar projeto para instituir uma Lei de Metas e Indicadores na cidade. A intenção é mudar a Lei Orgânica para obrigar que todo prefeito eleito, 90 dias após assumir o cargo, apresente um projeto que institui planos de obras para os quatro anos de governo. A cada seis meses ele teria que prestar contas deste plano para a sociedade e a Câmara.

Lei de metas 2
A intenção da lei, segundo o presidente Fórum Desenvolve Londrina, formada por 33 entidades, é impedir que candidatos ao Executivo façam promessas de campanha que não terão condições de cumprir. ''Algumas cidades brasileiras já instituíram esse plano há uns 3 anos, então nessa eleição teremos uma resposta sobre os candidatos que fizeram promessas, apresentaram o plano e não cumpriram. Isso também aumenta a transparência'', explicou, negando que o projeto tenha relação com alguma insatisfação com o prefeito Barbosa Neto (PDT) .

- O presidente da Acil, Nivaldo Benvenho, esteve junto apoiando o projeto. ''Agora os prefeitos terão que escolher melhor seus secretários e analisar melhor a situação do município antes de fazer promessas'', salientou.

- O presidente da Câmara, vereador Gerson Araújo (PSDB), avaliou o projeto positivamente: ''Temos interesse em tudo que possa melhorar a transparência da administração. Vamos discutir esse projeto com a assessoria jurídica e vermos se ele poderá ser votado ainda esse ano''.

Perguntinha
Será que agora vão querer impedir o eleitor de se manifestar na ''Casa do Povo'' de Londrina?

mockup