Doação com dinheiro público?
A tão anunciada economia nos cofres da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, embora positiva, tem levado deputados estaduais, e governo do Estado, a uma prática questionável: o dinheiro economizado e devolvido ao Executivo pela AL, ao invés de entrar no caixa geral do Estado, ganha uma destinação específica, ''recomendada'' por parlamentares. A prática serve para que o dinheiro - que de qualquer forma beneficiaria os cofres públicos -ganhe uma espécie de ''carimbo''. Assim, parlamentares, cuja função principal é fiscalizar o Executivo, se tornam ''doadores'' de dinheiro público.
'Presente'
Texto divulgado ontem pela assessoria de imprensa da AL, por exemplo, afirma que a economia de R$ 10 milhões na AL ''permite a compra de tomógrafo para o Hospital Regional de Ponta Grossa''. O tomógrafo, ainda segundo a assessoria de imprensa, foi adquirido através de licitação pela Secretaria Estadual de Saúde a um custo de R$ 860 mil e porque o primeiro secretário da AL e deputado estadual Plauto Miró (DEM), cuja base eleitoral é Ponta Grossa, teria ''reiterado'' a necessidade do equipamento ao governador do Estado, Beto Richa (PSDB).
- Se a intenção é exclusivamente beneficiar os cofres públicos, não seria melhor o Legislativo propor a redução do seu orçamento anual? Assim, ficariam assegurados repasses menores, independente da posição de quem esteja no comando da AL.
Contra o auxílio-saúde do TJ
O promotor de Justiça de Proteção à Saúde Pública de Ponta Grossa, Fuad Faraj, tem protestado contra o auxílio-saúde aos servidores do Judiciário paranaense aprovado nas últimas semanas pelos deputados estaduais. Faraj encaminhou uma carta ao governador Beto Richa (PSDB) pedindo que ele vete o projeto de lei que institui o benefício. Faraj classifica o projeto como uma ''ilha de privilégio'' de atendimento à saúde a apenas uma categoria, enquanto para a maioria da população o atendimento é precário. ''Pergunto se Vossa Excelência acha justo que o povo do Paraná seja obrigado a pagar auxílio-saúde àqueles que a referida lei beneficia, enquanto no Paraná temos, para ficar num só exemplo, fila de espera para a primeira consulta com oncologista? Apenas em Ponta Grossa há mais de 190 pessoas pré-diagnosticadas com câncer que não podem ser atendidas porque a Secretaria de Saúde do Paraná limita o número de consultas'', escreve o promotor.
'Corar de vergonha'
Faraj lembra também outros problemas do TJ na carta encaminhada ao governador. ''Não bastassem os infames casos que maculam indelevelmente a história do Tribunal de Justiça paranaense, como o do nepotismo delirante e o do escândalo dos cartórios que, ainda privados, perpetuam-se de pai para filho, vem agora a Cúpula Diretiva do Tribunal de Justiça escrever mais uma dessas páginas que abomina e afronta toda a nação e faz corar de vergonha os magistrados dignos e cônscios de seu dever de moralidade para com todos os cidadãos do Paraná'', completa. A Reportagem procurou o TJ para comentar o assunto, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição.
Pressionado
A reunião extraordinária convocada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná não foi suficiente para apressar a votação do projeto que institui as Organizações Sociais (Oss) no Estado. O relator do projeto, Hermas Brandão Júnior (PSB), que recebeu o texto na semana passada, pediu mais tempo para analisar a proposta, pela complexidade do assunto. Depois de pressão da liderança do Governo, Brandão Júnior avisou que vai tentar entregar o parecer sobre o projeto em nova reunião da CCJ, marcada para hoje, mas não descartou a possibilidade de pedir prazo de dez dias para analisar a proposta com mais cautela. O governo quer aprovar o projeto das OSs até o final das sessões deste ano, em 16 de dezembro.
Dilma
O perfil da presidente Dilma Rousseff será tema de uma reportagem da revista norte-americana ''The New Yorker'' que circula no dia 5 de dezembro. Em prévia divulgada no site da revista, a publicação mostra que a análise partirá, principalmente, do momento econômico positivo que o Brasil passa, em comparação à economia mundial, para mostrar quem é a presidente. Sob o título de ''The Anointed'', a ungida, na tradução literal, remete os feitos de Dilma ao trabalho de seu padrinho e antecessor político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reportagem trará fatos da história recente do país, como a ascensão de parte da classe baixa à média em 2010. Depois analisa que o país era ''antes um dos mais ignorantes e de economia instável'' e hoje vive um momento de crescimento, baixo endividamento, equilíbrio orçamentário e emprego pleno.
- A revista afirma ainda, erroneamente, que o Brasil tem uma inflação baixa. Em tom crítico, detalha que o Brasil é, ''caoticamente democrático'', e tem uma imprensa livre, mas que opera de maneiras condicionadas. Segundo o site, entre os grandes poderes econômicos, o Brasil alcançou algo raro: ''alto crescimento, a liberdade política e a diminuição da desigualdade''. Nesse contexto, aponta que a força do governo é ''Dilma Rousseff''.
Perguntinha
Quando é que os legislativos vão parar de deixar os projetos polêmicos para o final do ano?

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