Voto de silêncio

Depois de tanta polêmica envolvendo a discussão acerca da criação de mais vagas no Legislativo local, o que parece imperar na Câmara é a lei do silêncio. A justificativa dos vereadores é que estão aguardando a manifestação dos partidos. Eles têm frisado que as vagas, por determinação da Justiça Eleitoral, pertencem à sigla e não ao vereador. O presidente da Mesa Executiva, Gerson Araújo (PSDB), disse que só deve ter um posicionamento após a apresentação do projeto de emenda à Lei Orgânica, o que deve acontecer ''em breve''. É esperar para ver.

21 vereadores
O diretório local do PMDB decidiu apoiar o aumento de 19 para 21 parlamentares. O presidente do PMDB de Londrina, Leonilso Jaqueta, alegou que na reunião da Executiva que a maioria decidiu por esse número ''histórico''. ''Muitos anos a Câmara abrigou 21 vereadores. Então ela está preparada para isso, o Plenário também e não seria necessário fazer nenhuma reforma'', explicou.

- O PT e o PSDB pretendem decidir até hoje no final do dia o número de cadeiras que defenderão para a próxima legislatura.

- Os vereadores devem aprovar a emenda que define o número de parlamentares até um ano antes as eleições municipais de 2012 - marcadas para outubro.

- A Associação Comercial e Industrial de Londrina e o Instituto Portirari divulgam na manhã de hoje pesquisa sobre o número de vereadores.

- Pesquisa da Alvorada, divulgada pela FOLHA na segunda-feira, mostrou que 82,5% dos entrevistados acham que a cidade deve permanecer com 19 cadeiras.

Negando

O secretário de Governo, Marco Cito, prestou depoimento ontem ao Ministério Público. Negou qualquer irregularidade no aditivo de R$ 955 mil que assinou com a empresa Proguarda (responsável pela limpeza de prédios públicos) quando era secretário de Gestão Pública. Funcionários da pasta, no entanto, disseram ao promotor Renato de Lima Castro que foi Cito quem mandou aditivar o contrato em R$ 89 mil mensais - valor muito maior que o solicitado pela empresa/

- Cito diz que se baseou em parecer do ex-procurador Fidélis Canguçu, preso por corrupção durante a operação Antissepsia, que investigou fraudes na Saúde. Canguçu deve ser ouvido pelo MP.

Investigação penal

A 3 Vara Criminal de Londrina realizou na segunda-feira audiência para ouvir testemunhas de acusação contra o vereador Jacks Dias (PT), acusado de cobrança de propina da empresa Setrata, que prestava serviços de limpeza de prédios públicos. A suposta extorsão teria ocorrido quando Dias era Secretário de Gestão Pública durante o segundo mandato de Nedson Micheleti (2005-2008). Proprietárias da empresa confirmaram ter pago valores mensais a Dias.

- Segundo a denúncia, o crime ocorreu pelo menos 33 vezes e R$ 194 mil teriam sido exigidos da empresa. O vereador nega que tenha exigido tal valor, mas afirmou que a doação foi destinada ao Partido dos Trabalhadores. A próxima audiência, para ouvir testemunhas de defesa, é em 7 de novembro.

Ficha Limpa

O vereador Márcio Almeida (PSDB) realiza hoje, às 18h30, na Câmara Municipal, um encontro para discutir a criação de uma Lei da Ficha Limpa Municipal. A ideia é proibir que pessoas com ''ficha suja'' ocupem cargos comissionados - secretários ou diretores - na administração pública de Londrina.

Uma lei federal já impede que os ''ficha suja'' sejam candidatos a cargos eletivos. É considerado inelegível, por exemplo, quem foi condenado por pelo menos um órgão colegiado, mesmo que a decisão não seja definitiva (trânsito em julgado). ''É de suma importância exigir dos futuros funcionários públicos em cargo de Comissão um passado limpo e uma reputação ilibada'', afirmou Almeida.

O vereador Joel Garcia (PTN), no começo do mandato, apresentou projeto de lei semelhante que acabou sendo rejeitado pela maioria dos vereadores. Prevaleceu o princípio da presunção da inocência.

Perguntinha

O vereadores vão ouvir o que pedem os londrinenses e manter (ou reduzir) o número de parlamentares na cidade ou ouvir os partidos, que estão apelando pelo ''número histórico'' de 21 cadeiras?

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