INFORME FOLHA
Na crista da onda
A Câmara de Londrina anunciou ontem o recadastramento dos servidores efetivos e comissionados da Casa. A medida, prevista na portaria 74/2010, é idêntica à realizada pela Assembleia Legislativa após as sucessivas denúncias de irregularidades. À exemplo do Legislativo estadual, vereadores de Londrina também tiveram que dar explicações sobre supostos 'fantasmas' que assombravam os gabinetes.
- O recadastramento será feito entre 14 e 30 deste mês.
Agente... infiltrado?
O ato público em Londrina, ontem à noite, pela moralização na política paranaense, teve participantes dos mais variados: de representantes de estudantes a centrais de trabalhadores, passando por ex-vereadores - como o emblemático Henrique Barros. O hoje pecuarista foi preso em janeiro de 2008 e desencadeou a maior crise política da história do Legislativo londrinense.
Revival
Alguns personagens que agitaram o noticiário político - e, por vezes, policial - pela legislatura passada na Câmara de Londrina podem se encontrar, em público, novamente hoje de manhã. Às 9h, acontece na 3 Vara Criminal a segunda audiência do caso Shirogohan.
Churrasco da discórdia
O caso é mais um de uma leva de mais de 20 esquemas de corrupção que teriam acontecido na Casa, conforme delação feita ao Gaeco pelo à epoca recém-cassado Orlando Bonilha. Mais um, não fossem alguns detalhes pitorescos: a suposta propina que teria sido paga a vereadores pela aprovação de uma mudança de zoneamento - que beneficiou a casa de shows eróticos que nomeia o caso -, conforme Bonilha, fora paga em um churrasco. O cenário e as circunstâncias atiçaram a curiosidade de muita gente.
Cerejas
Outro ''diferencial'' desse caso: nomes do Executivo também foram chamados a depor, ainda que na condição de testemunhas, já que teriam participado do famigerado churrasco. Entre eles, o ex-prefeito Nedson Micheleti (PT) - que confirma a presença no evento, mas nega ter visto ou recebido quaisquer repasses suspeitos - e o ex-secretário de Governo de suas duas gestões, Adalberto Pereira da Silva.
Não é miragem
E por falar em MP e vereadores, fato raro: a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público arquivou ontem o processo investigatório instaurado há quase dois meses contra o vereador Rodrigo Gouvêa. O MP apurava se o parlamentar havia praticado ato de improbidade ao enviar cartas com o logotipo da Câmara, a eleitores, dando a versão dele às acusações que lhe custaram, além de denúncias do MP, e uma prisão preventiva de 23 dias.
- Para os promotores, pelos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, a investigação não carecia de desdobrar em (mais uma) ação civil pública contra Gouvêa.
Jornais nos processos
Matérias jornalísticas poderão integrar processos criminais. A juntada deste tipo de documento pelo juiz foi autorizada esta semana por decisão da Quinta Turna do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em análise a um processo de investigação do tráfico de drogas no Paraná.
- O Ministério Público solicitou a inclusão de reportagens - inclusive da FOLHA DE LONDRINA - para demonstrar que o réu seria chefe de organização criminosa. No entendimento do relator do processo, ministro Arnaldo Esteves Lima, não há nenhuma vedação legal à apresentação de documentos que auxiliem a parte na sustentação de sua tese.
Cachaça livre
Um requerimento apresentado pela Assembleia ao Poder Executivo sugere a criação de um decreto de lei isentando do pagamento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) os produtores de cachaça orgânica de todo o Estado. O autor do requerimento é o deputado Nereu Moura (PMDB). A isenção, afirma Moura, ajudaria os produtores do Estado a competir com os de Minas Gerais e Pernambuco.
Perguntinha
Ao invés de pedir isenção de impostos de bebida alcóolica, por que os deputados não investem em projetos que atendam os interesses da vasta camada de moradores do Estado que vive abaixo da linha da pobreza?





