Yin-Yang
Depois de uma segunda-feira tensa como poucas na história recente da Câmara de Londrina, ontem foi dia de ''tocar a bola para frente'' no Legislativo. Comentários mesmo ficaram restritos aos corredores e ''pés de orelha''. Um vereador, que votou a favor do parecer da Comissão Processante que salvou o mandato de Rodrigo Gouvêa (sem partido), avaliou que agora a Casa parece estar claramente dividida ''entre os 11 nossos'' (que aprovaram o relatório da CP) e os oito deles (que votaram contra o parecer)''.

Um dia da caça...
O parlamentar continuou o raciocínio lembrando que a fatura deverá ser cobrada de Gouvêa no seu devido tempo. Bom ressaltar que quatro dos nove votos recebidos pelo vereador alvo da comissão processante respondem a ações na Justiça ou são alvos de investigações do Ministério Público.

Degraus a descer
''A Câmara hoje ganha em popularidade até do belzebu.'' Com esta frase, a qual atribuiu ao colega Marcelo Belinati (PP), o vereador Tito Valle (PMDB) resumiu a imagem que o Legislativo tem hoje entre a população. Ele disse isso ao comentar que a Câmara deveria pressionar mais o governo do Estado para ampliar os recursos e o efetivo policial para Londrina. A (in)segurança pública na cidade dominou quase todo o grande expediente da sessão de ontem, que contou com a presença da família do comerciante Luis Carlos Gonçalves, 31 anos, morto no dia 21 de abril durante um assalto.

Lixo 1
O Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos da região de Curitiba decidiu ontem que vai credenciar áreas na RMC que estão em processo de implantação de aterros sanitários particulares para receber o lixo dos 19 municípios membros do consórcio. A medida, emergencial, é uma resposta a dois problemas: o aterro da Caximba está esgotado e deixará de ser utilizado no final deste ano e o novo sistema de tratamento de lixo, baseado no reaproveitamento de resíduos, teve sua implantação travada por duas decisões judiciais recentes.
- Segundo a Prefeitura de Curitiba, o edital de credenciamento será lançado até o final do mês e os concorrentes terão que apresentar licenças ambientais de operação até 1º de setembro.

Reaproximação?
Basta a relação do PT com o PDT dar uma estremecida para os tucanos se aproximarem de Osmar Dias. ''Não é só por resultado eleitoral. Nós temos afinidade'', declarou ontem o presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni. A ''chapa dos sonhos'' de Rossoni é Beto Richa (PSDB) ao governo do Estado e Osmar ao Senado. ''É um acontecimento que abalaria a estrutura política do Estado'', disse Rossoni, entusiasmado.

Preferências
E o deputado estadual Augustinho Zucchi, presidente estadual em exercício pelo PDT, não esconde a preferência pela aliança com os tucanos, ainda mais com a troca de farpas com os petistas, mas jura que não há desistência de Osmar Dias ao Executivo. ''O PDT agradece as palavras do Rossoni. E tem nossa acolhida na medida em que buscamos um projeto único para o Paraná, mas como isso (a composição da chapa) se daria, ninguém sabe'', desconversou Zucchi.

PT descartado?
Zucchi reforça, contudo, que a intenção de Osmar é de fato enfrentar a corrida ao governo do Estado, independente das costuras eleitorais. Sobre a relação com o PT, o pedetista afirma que de fato há conflito de interesse: ''O PT quer eleger uma senadora (Gleisi Hoffmann) e os deputados. O PDT quer eleger o governador do Estado. Se não for possível juntar os dois objetivos, vamos continuar com uma convivência republicana''.

Multa do Banestado
Depois da comemoração em torno do cancelamento da multa no caso Banestado, na semana passada, o governo do Estado voltou a colocar os pés no chão. Ontem, o governador Orlando Pessuti (PMDB) determinou que a Secretaria da Fazenda e a Procuradoria Geral do Estado avaliem alternativas. A aprovação da resolução do Senado, extinguindo a multa do Banestado e devolvendo valores retidos, foi considerada por Pessuti ''êxito pleno e total''. Permanece, contudo, o impasse com o banco Itaú, que cobra o pagamento de títulos considerados ''podres'', pela CPI dos Títulos Públicos, em 1997.

Perguntinha
Nomear ''agente político'' para trabalhar fora da Assembleia Legislativa como querem os deputados estaduais não é manter a atual falta de controle da frequência dos comissionados?

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