INFORME FOLHA
Nem martelinho de ouro
Conforme a FOLHA antecipou já na edição de ontem, a sessão ordinária dessa terça-feira na Câmara de Vereadores de Londrina teria um gosto amargo a boa parte do plenário: de fato, os 11 favoráveis à reposição de 4,36% em seus próprios salários acharam melhor recuar e sugerir ao Executivo o veto da emenda. Fica a dúvida: o recuo de um projeto de lei recupera o desgaste político sofrido na já desbotada lataria da atual legislatura?
Trote do atraso
Vale lembrar que, na composição passada do Legislativo, um dos grandes pontos falhos - não à toa, mote de mais de uma dezena de ações por parte do MP - foi a criação dos chamados ''cavalos de troia''. O nome, singelo, era dado a substitutivos que pouco ou nada tinham a ver com a matéria original, mas que, passado um tempo, dava para ver o tamanho do estrago.
- A ''emenda da discórdia'' para a qual agora os vereadores pedem veto traz aos parlamentares uma reposição que, na matéria original, do Executivo, era na verdade aplicada a servidores municipais.
Também é gente
Nessas horas não falta gente - ''aspone'' ou mesmo vereador - reclamando que o ''parlamentar também é um trabalhador''. Mas então fica a dica: cartão-ponto nesse povo, ou, pelo menos, carga horária um pouco mais condizente com a do trabalhador comum brasileiro, que é obrigado a dar expediente bem mais que duas vezes na semana, como as sessões ordinárias do Legislativo.
Veja bem, meu bem...
A discussão que culminou com o recuo da Câmara, por sinal, teve momentos por vezes pitorescos. Houve vereador que já votou contra o índice na sessão de quinta querendo justificar para meio mundo ser contra a reposição aos parlamentares, depois da desistência anunciada - caso de Eloir Valença (PT) -; teve vereador que se absteve e ontem defendeu que, se fosse sancionada, depositaria em juízo a diferença - o ''destemido'' Ivo de Bassi (PTN), que não teve a mesma audácia na quinta, ele e Sandra Graça (PP), abtenções na votação -; teve vereador, por assim dizer, extremamente sincero.
Constatação cabeluda
''Vou votar sim. 'Tô' f. mesmo...'', disse o sincero vereador, que apareceu bastante no noticiário local, recentemente, em situações que fizeram jus ao adjetivo autoaplicado na sessão de ontem.
PDT e PT alinhados
O senador Osmar Dias (PDT) e os petistas devem anunciar união logo. Ao menos é o que sustentam os petistas à frente da costura. E agora tem uma data. Até o dia 10 de abril próximo, quando ocorrerá o encontro estadual do PT, Osmar Dias deve enviar uma carta à legenda com uma proposta de aliança. Para o presidente do PT no Paraná, deputado estadual Ênio Verri, a carta ''oficializa'' uma aliança que vem sendo discutida desde meados do ano passado.
Quase fechado
Mas, embora a união seja quase oficial, Osmar Dias ainda não teria tratado com o PT de nenhuma composição de chapa. Ênio Verri indica, contudo, que os petistas estão até dispostos a abrir mão da vaga de vice, se necessário. ''Abrimos mão se for para a construção de um leque maior de alianças'', justifica ele.
Assembleia na mira do MPF
O escândalo que envolveu a Assembleia Legislativa do Paraná pode ser alvo de uma investigação no Ministério Público Federal (MPF). O caso já é alvo de inquérito no Ministério Público do Estado, mas agora procuradores do MPF analisam as denúncias publicadas na imprensa para rastrear suspeitas de crimes da alçada federal.
- Há suspeita de desvio de dinheiro, o que, em geral, envolve a sonegação de tributos federais.
Boca fechada
Ontem, o diretor-geral do Legislativo afastado após o escândalo, Abib Miguel, foi até o Ministério Público do Estado prestar depoimento. Abib, contudo, preferiu ficar em silêncio e não responder às perguntas.
Perguntinha
Terá o Legislativo de Londrina aprendido a lição de não mais aprovar projetos - em especial os ''autobeneficentes'' - na surdina?





