INFORME FOLHA
Da câmera fotográfica...
No tempo da ditadura, muitos anos atrás, as manifestações de estudantes eram fotografadas por profissionais que faziam parte de uma ''assessoria especial'' da UEL. Uma imagem aberta aqui, uma fechadinha no rosto ali, e os participantes iam sendo enquadrados. Coerente com o momento político.
... para a câmera filmadora
A máquina fotográfica já foi instrumento - se não de repressão - pelo menos de intimidação. Mudou: hoje em dia, e com direito a uso de verba pública para isso, a câmera de televisão faz as vezes. A FOLHA registrou a prática e denunciou na edição de ontem.
Saudade reprimida
A reação de nomes do alto escalão do governo estadual às perguntas não protocolares - como as ''levanta-e-corta'' mandadas pela equipe da TV estatal - mostra bem a saudade que alguns agentes públicos têm da ditadura. E por mais que enalteçam, em discurso cheios de citação alheia, a democracia em que se vive.
Inacabada não, ''de fases''
O que mais curioso é a animosidade ter ocorrido na inauguração de uma obra feita em parte - o Hospital Zona Norte (HZN) de Londrina, que, assim como o Jardim Botânico, teve entregue ''a primeira fase''. Questão de eufemismo, não é mesmo, governador?
Problemas com a diversidade
Por falar em eufemismo, Requião parece ser bom no uso deles. Ao fim da discurso eleitoreiro no HZN, defendeu: ''Precisamos governar por princípios''. Se for por princípios que resguardam a coletividade, é bom o governador lembrar: diversidade de opinião - ainda mais em relação à opinião oficialesca - é saudável em uma democracia.
- A crítica, quando é em cima de um fato (e não a partir de mera ideologia, como desqualificam alguns), deveria é contribuir para um pretenso governo ''por princípios''.
Molecada debilóide que morde
O princípio do governador é outro - ainda que em eufemismos bem manjados: crítica, só se for para o outro. Os veículos da imprensa de Londrina que questionaram - a partir da FOLHA - a entrega parcial de uma obra foram classificados pelo (por enquanto) chefe do Executivo estadual de ''moleques''.
- ''Quase fui mordido por moleques da imprensa local.'', escreveu Requião em sua página no Twitter.
- Pleno de princípios, para o governador, quem pergunta o que ele não quer é ainda ''debilóide'' ou ''pau mandado''.
Paus mandados - onde?
Quem lê a página de Requião no Twitter, contudo, estranha quando ele chama alguém de ''pau mandado''. Porque o tuiteiro governador é também ágil para reproduzir as mensagens de apoio deixadas por, digamos, admiradores. Ou, para também usar um eufemismo, nomeados para cargos de confiança.
Achou!
O chefe da 17 Regional de Saúde de Londrina, Adílson Castro, por exemplo, é um dos mais fervorosos ''leva-e-traz'' do que a imprensa local noticia do nobre chefe. Na inauguração do Hospital Zona Sul, dia 11, por exemplo, escreveu a Requião que ''as notícias na imprensa foram muito favoráveis'' à inauguração.
- No HZN, inacabado, Castro tomou as dores do governador: sublinhou que ''a principal agressão foi da FOLHA DE LONDRINA''. Cumpriu seu papel - na democracia idealizada pela trupe requiânica, não se esperava outro do médico pediatra.
Infidelidade
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) rejeitou um pedido de perda de mandato impetrado pelo PSDB contra o vice-prefeito de Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba), Nassib Kassen Hammad. O partido alegava que Hammad deveria perder o cargo uma vez que deixou o PSDB e ingressou no PTC depois de eleito. Se o vice-prefeito tivesse o mandato cassado, o cargo ficaria vago pelo resto do mandato, uma vez que não há suplente nesses casos.
- A decisão favorável a Hammad recebeu a maioria dos votos no Pleno do TRE na última quinta-feira. Ele foi eleito na chapa do prefeito Chico Santos (PSDB).
Perguntinha
Se os escândalos de ''fantasmas'' na Assembleia Legislativa são antigos, segundo Requião, deixar de denunciá-los ao longo de oito anos é coisa de moleque ou de pau mandado?





