INFORME FOLHA
Perguntas...
''Esse negócio de compra de votos é um câncer em Londrina.'' A declaração dada esta semana em entrevista exclusiva à FOLHA, no Distrito de São Luiz (Zona Sul de Londrina), por um suposto cabo eleitoral do vereador Joel Garcia (PDT), traz à luz uma série de indagações: quem lucra, a quem interessa esse ''negócio''? Se é um ''câncer'', é localizado, ou já se espalhou? Tem cura?
.. que não podem calar
A declaração repercutiu no Ministério Público local. A promotora Leila Voltarelli, por exemplo, admite que desde que atua em eleições o tema compra de votos é recorrente. ''Em todas as eleições municipais, o que mais se tenta coibir é esse tipo de comportamento - e infelizmente sempre se tem alguma notícia disso'', comenta. Por outro lado, ela ressalva: ''Mas é um fato muito difícil de comprovação, a menos que se tenham os documentos comprobatórios ou um flagrante dessa captação ilegal do sufrágio''.
Procuram-se cidadãos
A representante do MP lembra do quanto é importante a participação do cidadão - o mesmo cidadão que, para os casos de polícia, não se furta de usar serviços anônimos de disque-denúncias - na fiscalização dos atos de corrupção. Impossível, nesse momento, não recordar de uma cena: a de moradores de São Luiz, uma dia depois da apreensão de listas de eleitores que teriam recebido para votar, afirmarem à reportagem desconhecer, sequer ouvir falar daquele que fora, em campanha - conforme ele próprio depois admitiu, descoberto pela reportagem em um estabelecimento comercial -, o principal aliciador de cidadãos que trocaram o voto por quantias quer variavam entre R$ 20 e R$ 30.
- Medo ou conivência? Talvez, daqui a alguns anos, olhando para o próprio distrito, os moradores, mesmo, tenham essa resposta.
2010 à vista
Pelas declarações desse cidadão à FOLHA, se procurarem e se mais gente fizer valer a condição de cidadão, Joel Garcia (PDT) não será o único investigado da atual legislatura por suposta compra de votos. Outras listas e outros bairros já estão correndo nos bastidores.
Sei
E o depoimento do prefeito Barbosa Neto (PDT) ao MP, o qual subsidiou boa parte das investigações sobre Joel, revela outros detalhes que deixam a certeza de um 2010 longe de tranquilidade. Uma das afirmações, por exemplo, diz respeito à CEI do Transporte, presidida pelo vereador - o que já virou procedimento instaurado no Gaeco.
Quebra-cabeça
No depoimento, Barbosa relata que, por intermédio do alto escalão da CMTU, soube que Joel estaria exigindo ''aproximadamente R$ 2 milhões'' da empresa Grande Londrina para que ela fosse beneficiada no relatório da comissão. No fim, o documento sugeriu tarifa de ônibus a R$ 1,99 (quando estava a R$ 2) e quebra de contrato com as duas concessionárias do sistema, Grande Londrina e Francovig.
'Timinho sujo'
Ao chamar Barbosa novamente de ''Requiãozinho'' e taxá-lo de destemperado, Joel atribuiu as acusações a armação política do colega. ''É um bando de malandro acusando quem? Quem brigou pelo transporte coletivo dessa cidade. É a tentativa de um timinho sujo de denegrir a minha imagem.''
Disputa
A licitação da Prefeitura de Curitiba que irá selecionar as empresas do Serviço Funerário Municipal registrou 53 interessados. Empresas do Paraná, Sana Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo se habilitaram para participar da concorrência. É a primeira vez que a prefeitura da capital licita esse serviço. Na semana passada a Procuradoria-Geral do Município conseguiu derrubar duas liminares que impediam a abertura do certame. Atualmente 21 empresas atuam no setor, todas com permissão de trabalho há mais de 12 anos. A abertura das propostas está marcada para o fim de janeiro.
Perguntinha
Se os salários de diretores da Sercomtel e Cohab eram altos, como declarou o prefeito Barbosa Neto (PDT) ao anunciar o corte em 20%, por que não os reduziu no início do mandato?





