INFORME FOLHA
Cenas memoráveis
O cenário era o mesmo da repressão aos estudantes que ousassem protestar no tempo da ditadura, em plenha vigência do Ato Institucional nº 5. O auge foi em 1967/68, por aí.
- E o temido AI-5 era o símbolo do autoritarismo e obscurantismo.
Emoção e trauma
As cenas mexeram com a memória de muita gente, hoje com mais ou menos 60 anos. Mexeram com a emoção. Como o palco foi Brasília, só faltou o coronel Newton Cruz - brincava, ontem, alguém que viveu aqueles anos difíceis.
- Newton Cruz era o comandante militar do Planalto.
Que cenas!
Mas, que cenas eram essas? Respondo: foi a ação da Polícia de Brasília, quarta-feira, para reprimir manifestações contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, protagonista do ''mensalão'' do DEM, o partido dele.
O ''mensalão'' do DEM nos proporcionou isso. Foi como um filme que passou em nossas cabeças.
Havia civismo
Para quem era estudante àquela época as cenas não serviram necessariamente para rebrotar traumas. Porque a luta era cívica.
Dá para comparar?
Mas as cenas levaram inevitalmente à comparação. Em plena ditadura, a repressão era mais violenta mas, mesmo assim, as pessoas se manifestavam contra a corrupção, a desigualdade.
E agora?
Por que não há mais quem se manifeste? Depois da temporada de protesto contra o golpe de 64, só tivemos novos momentos de civismo na destituição de Collor, com os caras-pintadas.
Estamos mais frouxos...
Motivos para protestar não faltaram nos últimos anos. O próprio nome ''mensalão'', o do PT, que nasceu no Governo Lula teria sido um tema. Ninguém ousou protestar.
- E o Sarney, gente?! Outro tema de protesto seria Sarney. Por causa das denúncias contra Sarney um grande jornal está sob censura. Não pode criticar a família Sarney.
...e mais omissos
É preciso pressionar a Justiça para que saia da zona de conforto e puna os ''mensaleiros''. Puna pelo menos os do DEM. E que puna os do dinheiro nas meias já que se omitiu - ou não teve coragem - de punir os das cuecas.
Déjà vu
As cenas da polícia montada e os manifestantes em frente ao Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, também trouxeram à lembrança dos paranaenses cena idêntica acontecida em agosto de 1988. Na ocasião, os professores da rede pública de ensino faziam uma passeata até a sede do governo reivindicando a volta do piso de três salários mínimos, reduzido para dois, quando foram recebidos pela cavalaria da Polícia Militar.
- Há quem apostasse que passados tantos anos - 21 para ser mais preciso - nenhum governante ousaria repetir o ato. As imagens desta semana mostram o contrário.
Mais uma ADI
Chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a lei antifumo do Paraná, sancionada em setembro último. Quem pede agora a anulação da lei é a Confederação Nacional do Comércio (CNC). A outra ADI que já corre no STF contra a lei é de autoria da Confederação Nacional do Turismo (CNTur).
Pré-candidatura de Requião
Depois que a oposição questionou o uso da Agência Estadual de Notícias (AEN) do governo do Paraná para ''fins partidários'', o diretório do PMDB de Curitiba anunciou ontem que colocou no ar o www.pmdbdobrasil.com. O espaço, avisa o diretório local em nota à imprensa, dará suporte ao nome do governador Roberto Requião (PMDB) como pré-candidato à Presidência da República em 2010. Funcionará como uma ''agência de notícias relacionadas ao partido e sobre as andanças de Requião pelos estados brasileiros''.
Na era da internet
E o governador Requião parece mesmo levar a sério sua pré-candidatura à Presidência da República. Ele também está no Twitter, ferramenta que tem sido usada pelos políticos na tentativa de estreitar o contato com o eleitor. Para acessá-lo, basta pesquisar por ''requiaopmdb''.
Perguntinha
Teria sido uma ''saída honrosa'' a desfiliação de José Roberto Arruda antes dos sucessivos adiamentos da reunião da cúpula do DEM que definiria seu destino político?





