Ligue o desconfiômetro


A opinião pública tem que ficar atenta. No País do jeitinho, do ''não sabia de nada'' e da impunidade é possível que aquela guerra no Couto Pereira termine em pizza.


Atitude sintomática


Uma autoridade apareceu ontem na TV, no horário do almoço, afirmando que ''os autores (da agressão covarde ao policial e os vândalos que atacaram dentro e fora do estádio) não são torcedores do Coritiba; são facínoras''.


Eram torcedores, sim!


Conversa. Eram torcedores, sim! Não dá para falar se são facínoras, como disse a autoridade. São, no mínimo, violentos. Mas são torcedores.

- Não é hora de amenizar.


Olhe o jeitinho!


Quando uma autoridade - que poderá ter papel importante nos processos que vão apurar responsabilidades do clube - antecipa que os agressores não são torcedores está sugerindo que o clube nada tem a ver.

- Mas o clube tem tudo a ver. Ou, então, que se apure. Agora antecipar que não são torcedores do Coritiba aí já é demais.


Olhe a impunidade!


A autoridade deixou entrever que o clube não deve ser responsabizado, que nada tem a ver com a cena.

- Se não tem essa intenção, como afirma que ''não eram torcedores?''

- Nenhum repórter para perguntar: como o senhor sabe que não são torcedores do Coritiba?

- Ah, descobrimos: eram torcedores do Fluminense!


Cínico


Ainda ontem, o advogado de um médico que teria perfurado os pulmões de uma paciente durante cirurgia de lipoaspiração disse que a perfuração nada tem a ver com a ''lipo''.


Governo fez escola


''Nada a ver'', ''O presidente não sabia de nada'' e outros cinismos contaminaram o Brasil. Mas as autoridades que deveriam combater a sacanagem acabam por referendá-la.

- É esse o Brasil que queremos?



Abono


Os funcionários da Sercomtel deverão receber no próximo dia 20, um abono de R$ 1 mil - R$ 700 em dinheiro e R$ 300 de vale-alimentação. O abono, oferecido pela telefônica como alternativa aos 3% de aumento real pleiteado pela categoria, foi aprovado em assembleia realizada segunda-feira à noite. No dia 4, a mesma proposta havia sido rejeitada pelos trabalhadores.

- ''Agora prevaleceu o bom senso, a consciência dos trabalhadores da Sercomtel. A recusa foi um ato de revolta, mas na assembleia de ontem (anteontem) as coisas transcorreram normalmente e a gente conseguiu verificar que era a possibilidade máxima que a empresa poderia oferecer'', relatou o presidente do Sinttel, João Henrique Schimidt.


Tesoureiro sumido


O presidente estadual do PMDB, Waldyr Pugliesi, garante que o afastamento do deputado federal Rodrigo Rocha Loures da tesouraria da sigla não tem ligação com desavenças internas. O PMDB precisaria de alguém ''menos internacional'' para assinar os cheques. ''Tenho todo respeito por ele, mas uma hora ele está na Europa, outra hora nos Estados Unidos'', justificou Pugliesi.


Lei antifumo


Mais uma contestação na esfera do Judiciário contra a lei antifumo no Paraná. A entidade Master do Turismo e Entretenimento Nacional ingressou no último dia 3 com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, no Supremo Tribunal Federal, contra a lei.



Críticas a Lula


O governador Roberto Requião (PMDB) criticou a política econômica do governo Lula ontem na da escola de Governo. ''O Banco Central tem gente competente para cuidar da moeda, mas não tem nenhuma sensibilidade social'', disse o governador, referindo-se à política cambial que, segundo ele, prejudica a indústria brasileira que não consegue competir com os produtos importados.

- ''Querem que o Brasil se inspire na economia global, como a China com menos habitantes, para vender ao mundo a precariedade do trabalho, o salário baixo, a exportação de commodities. A venda de minérios e grãos para a China é o que sustenta nossa economia'', disse.


Perguntinha


Criticar Lula, que tem apoio de boa parte do PMDB nacional, ajudará Requião a consolidar sua candidatura à Presidência da República?

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