INFORME FOLHA
Reforma chata!
A reforma ortográfica cria embaraços. Veio para simplificar mas, às vezes, só consegue confundir. Especialistas não falam, talvez para não contrariar os gênios, seus autores.
- Veja o seguinte título de uma reportagem no Caderno Cidades deste jornal:
''Vandalismo para transporte escolar em Arapongas''. O ''para'' do verbo parar perdeu o acento agudo e virou preposição.
Só para confundir
Em obediência à preposição, quem lê pode até interpretar a informação (que trata de algo negativo) como algo benéfico, um presente. Ou seja, no lugar de vandalismo poderia ser algo de bom, tipo: ''Ônibus novos para o transporte escolar''.
Verbo e preposição
Enfim, a ausência do acento leva o leitor a intuir que poderia tratar-se de algo positivo.
- O verbo parar sem acento (como impõe a reforma) vira preposição.
Claro que imediatamente percebe-se que aquilo está certo, que o autor do título respeitou a mudança; está atualizado. Mas até as pessoas se acostumarem, a velocidade da leitura e a interpretação são prejudicadas.
- Houve desvio da atenção. Como se fosse um ruído.
Um tal vandalismo
Pensando bem, e esquecendo a reforma, alguém das cidades vizinhas tem a permissão de imaginar: ainda bem que esse tal vandalismo só foi (mandado) para Arapongas - que não merece. Seria pior se o mandassem para todas as cidades.
- Professor Catarino! Socorro!
Em casa de patrício...
Enquanto isso, além-mar, a reforma parece longe de entrar em prática. A discussão está calorosa na sociedade portuguesa. Nas televisões lusas, as reportagens não entram ao vivo, mas ''em directo''.
Homenagem na Câmara
O entregador Daniel Cardoso Pedroso, 21, e o coletor Cícero Prudêncio, 32, conhecidos nacionalmente graças à família salva da correnteza de uma enxurrada em Londrina, foram homenageados ontem à tarde também na Câmara de Vereadores, além da Prefeitura. Entraram sob forte aplauso - o plenário estava cheio havia convidadas para debater os três anos da Lei Maria da Penha - e receberam palavras de incentivo. Antes, tiveram de ver os vereadores ensaiarem o Hino de Londrina lido, às pressas, em folhetos coletados junto às assessorias (poucos o sabiam na ponta da língua).
Na crista da onda
Como não podia deixar de ser na casa política, claro que o gesto de heroísmo dos dois cidadãos teve sinais de gente surfando, livre, livre, na crista da onda. Se por um lado parlamentares citaram os rapazes como autores de ''gestos que marcam profunfamente a vida'', como nas palavras do presidente, José Roque Neto (PTB), por outro, teve vereador mais enfático: ''Esta câmara sofre um
ataque sistemático - a presença de vocês é a sintonia com o povo''.
Ah, esse jornaleiro...
Um pouco menos feliz nas colocações - logo ele, que ontem disse que, sobre investigação, se fala ''em um dia gostoso'' -, Ivo de Bassi (PTN) constrangeu parte dos presentes ao, durante a homenagem aos jovens, o fazer ''apesar de um deles ser jornaleiro e às 4 da manhã estar jogando jornal na porta da gente''. Sorte a nossa - e a sua (ou não), vereador.
Guarda tardia
No fim das contas, a sessão de ontem acabou deixando para muito, muito tarde a votação de um projeto que tem todo, todo o interesse do Executivo: o primeiro turno da matéria que cria a super Secretaria Municipal de Defesa Social, responsável pela futura Guarda Municipal. Até pouco antes das 21 horas, os líderes se reuniam ainda para avaliar o encaminhamento da votação.
Reciclagem
O governador Roberto Requião aproveitou a apresentação do diretor do Detran (Departamento de Trânsito), David Pancotti, sobre o órgão para brincar com a situação dos parlamentares que tiveram que realizar curso de reciclagem por terem ultrapassado o limite de vinte pontos registrados na carteira de habilitação. ''Tem muito deputado nesse curso?'', questionou. Em resposta, Pancotti avisou que há políticos que ainda não se apresentaram para frequentar as aulas.
Perguntinha
Os heróis (não mais anônimos) salvam o oportunismo de alguns políticos?





