Agradecimento capcioso


O grupo de ambulantes que foi à Câmara de Vereadores de Londrina esta semana clamar pela intermediação dos parlamentares no caso da desocupação das calçadas da Rua Benjamin Constant voltou ontem à Casa. Duas ambulantes/microempresárias, que falaram em plenário para ''agradecer'', provocaram um pequeno alvoroço nos vereadores com um jogo de palavras dúbio.


Você não vale nada...


Ao se referir ao teor da conversa com o vice-prefeito José Ribeiro (PSC) de manhã, na Prefeitura, a ambulante Lédna Mendes soltou: ''O vice falou que os vereadores não valem nada''. Diante da reação meio invocada de alguns vereadores que ameaçaram tomar a palavra e também da intervenção de outra ambulante, Lédna emendou: ''Na verdade ele falou que o apoio (dos vereadores à causa dos ambulantes) não valia nada...''.

- A colega de Lédna deu uma reforçada: ''É, ele disse que, no momento, não vai servir para nada a interferência da Câmara''.


... mas eu gosto de você!


Curioso é que logo depois da reunião com Ribeiro, os ambulantes se reuniram a portas fechadas com o prefeito Barbosa Neto (PDT). Saíram com discurso e semblantes bastante pacificados, ainda que, na coletiva posterior a essa conversa, o prefeito tenha sido incisivo em um ponto: não vai sobrepor interesses de particulares ao interesse público.


Público x Privado


Em tempo: a notificação para que os donos de carrinhos deixem a calçada está relacionada à recomendação administrativa da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e Portadores de Deficiência, que cobra ações de melhoria da acessibilidade no local. Caso contrário, é ação civil pública à vista - contra o erário, portanto, não contra o privado.


Era segredo


E por falar em questões particulares, Lédna Mendes, que ontem afirmou à reportagem, falar em nome dos outros 18 ambulantes do Terminal, não quis comentar o teor da conversa com o prefeito. Por outro lado, ela se mostrou bastante irritada quanto à divulgação, pela FOLHA, dos R$ 4 mil mensais que, terça-feira passada, disse em entrevistas gravadas que recebe pelo carrinho de lanches que emprega dois ajudantes.

- Com uma matéria recortada em mãos, saiu bradando que trabalha 24 horas por dia para ganhar a monta - e bancar, por exemplo, os filhos em tradicional colégio particular de Londrina.



Efeito dominó


De fato, a FOLHA não citou que a ambulante tira os R$ 4 mil - ou pouco mais de 8,6 salários mínimos nacionais - em 24 horas, tampouco que o faz em horário comercial. Mas sempre é tempo: além de esse tipo de atividade não pagar imposto, e além de estarem em situação irregular quanto ao espaço, uma vez que prejudicam a acessibilidade de quem precisa das calçadas, a falta de um alvará adequado - e não o ''alvará precário'' que invocam - dessas pessoas se revela também no horário em que funcionam.

- Quem duvidar, basta lutar por um alvará na Secretaria de Fazenda, para o comércio formal, e se arriscar e a ''furar'' o horário estabelecido de funcionamento. É multa na certa.


Má conservação I


A Justiça Federal considerou a União e o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNIT) responsáveis pela morte de um homem em dezembro de 2005 na BR-116. A vítima, que era casada e tinha duas filhas, morreu depois de ser atingido por um pneu de caminhão quando estava no acostamento da rodovia. Por causa do acidente, a União e o DNIT terão que pagar R$ 124,5 mil por danos morais a cada uma das filhas do rapaz e para a viúva, além de também ter que ressarci-las pelas despesas com funeral e o sepultamento.


Má conservação II


O acidente aconteceu depois que o veículo da vítima teve um dos pneus estourado por um buraco na pista. O homem parou no acostamento e, quando saiu do carro para ver o estrago nos pneus, foi atingido pelo pneu de um caminhão. Uma perícia apresentada durante o julgamento mostrou que a roda se soltou do cmainhão por causa dos buracos na estrada. A desembargadora federal Maria Lúcia Luz Leiria, relatora do processo, entendeu que o DNIT foi negligente em seus deveres.


Perguntinha


Alguém duvida que o plenário da Câmara dos Deputados aprovará a PEC que aumenta o número de vereadores em todo o País?

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