'Tire o capacete'


''Municípios do Paraná criam leis para impedir que motociclistas entrem em lojas usando capacete. A comunidade elogia a iniciativa.'' É o que diz reportagem que a FOLHA publica hoje no Caderno Cidades.

- Portanto, em alguns municípios, o piloto de moto tem que tirar o capacete ao entrar em lojas ou no quintal de uma residência.


Famílias estão acuadas


A comunidade apoia. Claro que apoia. Ela está exposta a perigos iminentes; é alvo de violência. Exigir que alguém mostre a cara não é desrespeitoso.

- Por que as pessoas estão na defensiva? A ousadia dos assaltantes é fruto dos péssimos exemplos dos políticos que praticam delitos e não são punidos.

- Verdade ou mentira? O leitor concorda? Muita gente poderia sair do muro e se manifestar.


Populismo e covardia


Políticos estão na mídia dando os piores exemplos. Para compensar viram populistas, fazem leis paternalistas. Passam a mão na cabeça.

- As comunidades não. Os trabalhadores, empregados, autônomos ou proprietários têm juízo, querem o rigor da lei.

- Claro que há problemas estruturais, sociais, concentração da riqueza.


Rosto escondido


Em condomínios de Londrina e Maringá há avisos na portaria: favor tirar o capacete. Quem é movido apenas por boas intenções não precisa esconder o rosto. E capacete é para ser usado sobre a moto em movimento.

- Motociclistas são trabalhadores. São honestos, batalham. Acontece que há bandidos que se escondem atrás do capacete para fazer assaltos.

- Nada diferente dos políticos que se escondem atrás de leis que não são cumpridas.

- Ninguém os pune. A elite do país é podre. Ninguém tem moral para punir ninguém.


Extra!


No boletim informativo recheado de exclamações entregue ontem pelo Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário (Sinttrol) aos trabalhadores, no qual é comunicado o adiamento da greve dos ônibus em Londrina, alguns pontos chamam a atenção.


Greve


O primeiro: o material anuncia o propósito de uma ''negociação pacífica'', mas sem abrir mão do direito de greve, ''direito constitucional e legal de orghanização e pressão'', e completa: ''Antes da greve acontecer é preciso esgotar, exaurir todas as possibilidades de entendimento''.


Culpa de quem?

O curioso é que a greve, ainda que suspensa, foi deflagrada semana passada antes mesmo de a Prefeitura receber o relatório final da CEI. Se há polêmica e enrosco na negociação, a culpa não é dos trabalhadores, muito menos do Sinttrol, outro ombudsman do jornalismo local: ''Confusão e celeuma no Transporte Coletivo é (sic) mesmo midiático''. Assinatura do boletim: ''Abraços! A Diretoria.''.


Sem aperto de mão


Se o prefeito Barbosa Neto (PDT) foi às 4h30 apertar a mão dos trabalhadores e pedir paciência - hoje ele segue para agenda em Brasília, volta só amanhã -, o presidente da CMTU, Lindomar Mota, não parece tão disposto assim a dar um tapinha nas costas do sindicalismo: ''Não concordo com a pressão pela greve. As pessoas são livres e têm que ter liberdade para fazer suas escolhas''.

- Sobre relação entre reajuste de tarifa e reajuste de salários, foi ainda mais enfático: ''É um pouco forçar a barra, não acho bacana isso - e não podemos trabalhar sob pressão''.


Cédula estranha


Sobre a cédula de votação distribuída pelo Sinttrol atrelando contrariedade à greve como condição para ficar sem reajuste, Lindomar Mota definiu: ''Vi isso e achei um absurdo. É uma tática, uma estratégia do sindicato para forçar a negociação, mas não concordo''.


Contrato temerário


O presidente da CMTU disse ainda que o formato de contrato com as empresas da forma como o realizado em 2004 - período de vigência de 15 anos, prorrogável por mais 15 - ''é temerário sem estabelecer cláusulas de reavaliar esse contrato periodicamente''.



Perguntinha


Enquanto o cálculo da tarifa do transporte coletivo é alvo de denúncias de interesses políticos/sindicais, não seria hora de uma análise técnica e isenta dos custos dos itens que compõem a planilha?

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