INFORME FOLHA
Transporte clandestino
Há técnicos preocupados com o iminente aumento do transporte clandestino em Londrina. Seriam veículos não autorizados transportando pessoas ''voluntariamente''.
- Na verdade, o transporte alternativo prospera no espaço deixado pelo transporte autorizado, o oficial.
O legal que não é legal
Na maioria das grandes cidades o transporte coletivo é oficial, mas não é legal. ''Legal'' no sentido qualificativo, seria um transporte bacana, de qualidade. Não é.
- O oficial nem sempre reúne as qualidades intrínsecas de um bom serviço.
O clandestino
Ninguém quer fazer apologia ao transporte clandestino; o nome já diz tudo, é clandestino. No entanto, entre viajar igual sardinha em lata num ônibus de linha e arriscar a vida numa perua, muitos vão preferir o alternativo.
- De repente, vale até a rabeira de uma moto.
De clandestino a alternativo
É bom que o leitor perceba que o nome clandestino é substituído pelo termo ''alternativo''. Uma evolução perigosa é a incorporação do ''alternativo'' como parte do sistema de transporte coletivo da cidade. Em São Paulo ninguém controla mais.
Elementar, senhores
Quem tanto teme a ''concorrência'' tem que melhorar o atendimento. Isto é elementar. Também parece lógico que o informal se aproveite da ausência de órgãos do governo.
Ingenuidade
Para quem tem medo do clandestino, vai uma sugestão: por que não fazer concessões de linhas para empresas pequenas - desde que atendam as exigências da lei? Não seria uma forma de democratizar o transporte?
Tema para debate
Que tal a cidade começar a discutir a exclusividade do transporte coletivo. Estatização jamais, por favor. Mas seria interessante abrir algumas linhas para empresas menores.
- Por que um motorista profissional, que conseguiu comprar um ônibus, não pode ter a concessão de uma linha - desde que monitorado e dentro das especificações?
Curiosidades de uma votação I
Na votação dos trabalhadores do transporte coletivo, ontem, algumas situações no mínimo chamaram a atenção: apesar de o sindicato que representa a categoria, o Sinttrol, informar que dos resultados da rodada de negociação na Gerência Regional do Trabalho dependeria a votação que ratificaria ou não o indicativo de greve, as urnas já recebiam votos, no Terminal Urbano central, às 6 de manhã.
Curiosidades de uma votação II
Curiosa também a reação do presidente do Sinttrol, João Batista da Silva: até então negando ser porta-voz das concessionárias do tranporte, e após uma entrevista acalorada sobre o assunto, de manhã, à rádio Paiquerê AM, à tarde Batista fez um adendo ao discurso de que a greve não estava condicionada ao relatório, ou à ''agenda política'' da CEI.
- Segundo o sindicalista - que, em mais de uma oportunidade, disse ter recebido informações ''oficiosas, de bastidores'' de que a tarifa em Londrina deveria custar pelo menos R$ 2,40 -, a greve também não estaria condicionada ao reajuste da tarifa - este (ao menos em tese), interesse das empresas. O texto da cédula de votação parece contradizer Batista.
Curiosidades de uma votação III
De uma categoria de pouco mais de 1,6 mil trabalhadores aptos a votar, pouco mais da metade - 939 - compareceram às urnas. Destes, 126 votaram contra, em branco ou anularam. A partir daí, é de se pensar, mais uma vez: o resultado foi representativo?
Déja-vu
Nos bastidores, crescem as especulações de que eventual reajuste viria no sábado - um dia depois da data definida para receber o relatório da CEI, e antes da greve que se iniciaria na segunda-feira. Na sessão de quinta, o presidente do Sinttrol, que garante não defender aumento de tarifa, respondeu, ao ser perguntado sobre o valor ideal: ''Queremos nossos 10%''. Se incorporado ao bilhete, o índice eleva os atuais R$ 2 para R$ 2,20. O sistema conta hoje com 140 mil pagantes/mês.
Perguntinha
Considerando a margem de lucro das empresas de transporte coletivo levantada pela CEI da Câmara, o reajuste do salário dos trabalhadores realmente depende do aumento da tarifa?





