INFORME FOLHA
Foi para valer!Palco do Supremo Tribunal Federal (STF), quarta-feira à noite. Autoridades máximas - e poderosas - descem do pedestal e mostram uma faceta inusitada sob câmeras e olhares atônitos, que perguntariam: Isto é na Corte? E era!
- Tratava-se de discussão ríspida entre ministros. Eles não estavam terapeutizando-se, como sugerem aquelas sessões de análises dos processos, em linguagem hermética. A discussão, desta vez, foi para valer e em linguagem clara.
- ''Vossa excelência está na mídia destruindo a Justiça.'' Mais claro impossível.
Barbosa é o cara!
O maior patrimônio deste Jornal são seus leitores, pelo bom nível de questionamento, entre outras qualidades. E muitos desses leitores estão se posicionando em relação ao episódio de quarta-feira no (STF).
- O fiel da balança pende para o lado do ministro Joaquim Barbosa. Acham que ele é um inconformado e já ensaia passos para moralizar este País.
- Se é inconformado, pensa igual ao povo.
- Se leitores da FOLHA, que também são formadores de opinião, tomam partido é porque o comportamento dos Poderes deixa a desejar.
Temos um herói!
Exagero à parte, o povo brasileiro quer um herói de fato. As grandes lideranças ''destepaís'' são aquelas que mentem descaradamente. Neste vazio de homens de bem, quando alguém apresenta seriedade, logo é reconhecido.
- Um povo não precisa de heróis, mas almeja referência.
- Joaquim Barbosa é referência. Quesito: confiabilidade e seriedade. Ele passa essa ideia.
Panos quentes, não
Não é hora de pôr panos quentes. É hora de estimular a discussão. Com serenidade e responsabilidade. O povo quer um Judiciário altaneiro, determinado, não corporativo. Nada de jogar as coisas por debaixo de tapetes. Com prudência, é hora de ampliar a discussão sobre postura das autoridades.
Estimular a discussão
Não se pode pôr freio à discussão e escamotear fatos. Na verdade, um confronto entre os ministros do STF reflete um desconforto com a postura do presidente da Casa. Esse desconforto se amplia.
Fazendo média
O Supremo começa a ser questionado. As coisas não são como prefere o ministro da Justiça, Tarso Genro: ''Uma desavença interna momentânea''. A discussão está na rua e é salutar que ela ocorra. Só o ministro não quer.
Sem passeio
O deputado federal Hidezaku Takayama (PSC-PR) esclareceu ontem - em relação às denúncias de que ele utilizou 14 passagens pagas pela Câmara Federal para viajar acompanhado de familiares ou enviar terceiros ao exterior - que todas as suas viagens foram a trabalho.
Viagens oficiais
De acordo com o deputado, as viagens teriam sido para participar de compromissos oficiais como presidente dos grupos parlamentares Brasil-Japão e Cidadania sem Fronteiras (que visa proteger imigrantes brasileiros em situação de risco).
Milhagens
O parlamentar alega ainda que as passagens para a esposa e a filha dele, além de um assessor e seus dois familiares, deveriam ter sido pagas com milhagens. ''Estou investigando se, por algum engano da minha assessoria, as taxas de embarque teriam sido pagas com a cota. Mas, se for isso, eu vou ressarcir.''
Galdino 1
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná negou liminar que solicitava a cassação imediata do vereador de Curitiba Professor Galdino (sem partido). Galdino foi expulso do PV e agora a direção da sigla quer recuperar o mandato do vereador através de uma representação no TRE. Apesar da negativa de antecipação da tutela, agora o processo segue normalmente até julgamento do mérito da representação.
Galdino 2
Ao negar a liminar ao PV, o relator do caso no TRE, Auracyr Azevedo de Moura Cordeiro, argumentou, entre outras coisas, sobre a necessidade de assegurar ''a ampla defesa e o contraditório'' ao vereador. O relator determinou ao réu que apresente defesa dentro de cinco dias.
Perguntinha
Alguém acredita que as ''novas'' regras elaboradas pelo Congresso vão realmente moralizar o uso das cotas de passagens aéreas por senadores e deputados?





