Homem do povo


É assim que muito político enche a boca para se autodefinir perante o eleitor mais simples. E Londrina (ao menos boa parte do eleitorado), pelo jeito, mostra que é isso que lhe apetece. Mas não pode ficar no discurso, não: homem do povo não faz biquinho para as dificuldades da grande massa, nem pode esquecer as promessas de campanha que a atingem em cheio. Homem do povo chora se for preciso, faz ''campanha franciscana'' (ao menos no discurso para a imprensa) e de ''sola de sapato'' e oferece a face ao beijo sincero. ''O beijo é flor no canteiro'', dizia Drummond. Alguém disposto, aí, a cultivar esse canteiro?


Déjà-vu


A chegada do prefeito eleito Barbosa Neto (PDT) ontem, da Câmara à Prefeitura, lembrou bastante uma cena de um passado nem tão distante assim: acompanhado de correligionários e figurinhas carimbadas nos corredores do Legislativo, Barbosa chegou caminhando e cumprimentando funcionários e usuários do Centro Cívico.

- Cena idêntica foi registrada quando o então presidente da Câmara, Orlando Bonilha (ainda no PR), assumiu a Prefeitura interinamente nas férias de Nedson Micheleti (PT), em dezembro de 2006.


'Unforgetable...'


Pivô da maior crise na história do Legislativo, Bonilha foi cassado em maio do ano passado por 18 vereadores. Dias depois, delatou a maioria ao Ministério Público em supostos esquemas de propina.


'Discurso Frankstein'


Ontem só elogios a José Roque Neto (PTB), Barbosa Neto (PDT) parece ter abandonado, de vez, o ''prefeito Frankstein'' que direcionara ao interino, após a eleição para a Presidência da Câmara. Os cinco partidos da coalizão pró-Roque Neto haviam derrotado o grupo de partidos aliados ao pedetista.

- Indagado sobre a mudança de discurso, ontem, o prefeito eleito definiu: ''Foi uma crítica naquele momento; continuo acreditando que o Padre Roque, pelos compromissos que assumiu, não tinha como imprimir o seu estilo. E ele tinha a obrigação de cumprir e cumpriu''.

Quites no cristianismo


A FOLHA quis saber o que Roque Neto achou da versão light do colega: ''Ele me chamou de prefeito-Frankstein, só que também retribuí a resposta a ele. Então, estamos quites''.



A luta continua


No dia seguinte à derrota para Barbosa Neto (PDT) na corrida pela Prefeitura de Londrina, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) garantiu - em nota enviada à imprensa - que irá lutar por recursos e obras para a cidade ''com uma disposição redobrada''. Na nota, Hauly informou que, em conversa telefônica, com o governador Roberto Requião (PMDB) agradeceu-lhe o apoio recebido e pediu-lhe que atenda as demandas da cidade durante o mandato do pedetista.


Merenda


O procurador da Prefeitura de Londrina, Nilso Paulo da Silva, informou ontem que o novo formato da merenda escolar será definido em conjunto com a equipe de transição do prefeito eleito Barbosa Neto (PDT). A primeira reunião de transição ocorre hoje.



Na berlinda


A Primeira Câmara do Tribunal de Contas analisa hoje a prestação de contas de 2006 da Prefeitura de Londrina, sob responsabilidade do ex-prefeito Nedson Micheleti. A perspectiva não é positiva uma vez que a pauta da sessão do órgão traz a informação de que a instrução da Diretoria de Contas dos Municípios é pela desaprovação das contas, com aplicação de multa administrativa.



Política e religião...


''Nosso discurso é político porque estamos numa casa política. Se estivéssemos numa igreja nosso discurso seria religioso'', alfinetou ontem o deputado estadual Reni Pereira (PSB), em resposta ao líder da base aliada, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB).

- O peemedebista o acusa de fazer uma emenda de teor político ao projeto de lei que abre crédito ao Estado para a aquisição de um terreno que abrigará o estacionamento do Centro Judiciário.




Perguntinha


Não seria ideal que os políticos realmente distinguissem o discurso político do religioso também durante as campanhas eleitorais?

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