Top secret


No início causou surpresa; depois, até fez sentido tanto sigilo de peemedebistas de Londrina diante da visita relâmpago do governador Roberto Requião (PMDB) à cidade: a ''visita oficial'', conforme ele próprio declarara, reservou espaço para a gravação de mensagens de apoio ao candidato do PSDB à Prefeitura, Luiz Carlos Hauly (PSDB).


Coincidências


Curioso mesmo foi ver as diversas blitze da Polícia Militar (PM) justamente no trajeto da comitiva governamental, que saiu do Aeroporto de Londrina, passou pelos hospitais Universitário (HU) e Zona Sul (HZS) e desembocou em um hotel do centro de Londrina.


Exemplo de polícia


Ações da PM foram vistas, por exemplo, na Avenida Santos Dumont (próximo ao Aeroporto e ao HU) e nas Ruas Pio XII e Hugo Cabral (caminho até o Hotel Crystal). Com tanto policial nas ruas em serviço, vai ser de fato difícil o governador acreditar que falta PM em Londrina - queixa diuturna do cidadão e de entidades da sociedade civil organizada.

- Enquanto os PMs estavam nas blitze concentradas, os comandantes da corporação participavam da visita de Requião ao HU. Se houve alguma reivindicação de efetivo, por parte deles? Mistério...


Exemplo de cordialidade...


O governador, desafeto do tucano Beto Richa, admitiu que o apoio a Hauly - que, em 2006, apoiou o outro desafeto requianista, Osmar Dias (PDT), ao Governo do Estado - não traz consequências à eleição de 2010. ''Acho que não estaremos no mesmo palanque, mas eu terei a consciência tranquila de ter feito por Londrina o que ela merecia'', justificou.


... e de modéstia


Se Hauly diz não temer a rejeição de Requião em Londrina - o peemedebista perdeu na cidade para Osmar, em 2006, por mais de 70% dos votos -, o governador, em raro bom humor, acredita que vai, sim, agregar voto ao colega. ''Hoje a situação se inverteu; as pesquisas de opinião me dão uma situação maravilhosa aqui'', afirmou. Se reverteu a imagem de 2006? Aí, Requião culpou - praxe, aliás - a imprensa.


Cara legal

No aeroporto, a recepção foi feita, dentre outros comissionados do Governo do Estado em Londrina, pelo prefeito interino, José Roque Neto (PTB). No HU indagado sobre Roque Neto à frente do mandato-tampão, Requião foi fundo: ''Ele é um cara simpático''.


Banho-maria


A sondagem do presidente Lula para o senador Osmar Dias (PDT) assumir a liderança do governo no Congresso Nacional foi colocada em banho-maria até uma definição política envolvendo a atual líder, Roseana Sarney (PMDB). A senadora poderá assumir o governo do Maranhão se o TSE confirmar a cassação do governador Jakcson Lago (PDT) por abuso do poder econômico.


Sinal


O convite a Osmar se soma a outros movimentos do governo Lula em favor de uma aliança PT/PDT ao governo do Paraná. Se apoiar Dilma Rousseff em nível nacional, Osmar terás as portas abertas do PT na corrida pelo Palácio Iguaçu em 2010.


Tempo


O vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) esteve ontem na Assembleia Legislativa. Oficialmente o tema da visita era Copa do Mundo, mas as conversas incluiram a disputa de 2010.


Antecipar


Para Pessuti, no entanto, a discussão está sendo antecipada.''Nós temos 13 meses até a decisão do Beto de disputar ou não o governo e o mesmo tempo até Requião deixar o governo estadual. São 16 meses até a convenção e 19 meses até as eleições'', calculou.

- Para o vice-governador, em termos de política, este seria muito tempo para mexer o que ele chamou de o ''doce saboroso'' da política.


Namoro


O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) aposta num rompimento do prefeito Beto Richa (PSDB) com o senador Osmar Dias (PDT). ''O Osmar tem que traçar o próprio caminho. Se o prefeito fosse apoiar a candidatura dele já teria declarado isso publicamente'', disse o parlamentar ao comentar uma possível aproximação do PT e de Dias nas eleições de 2010.


Perguntinha


Com peemedebista apoiando tucano, que em âmbito federal é oposição ao PT, cujo partido tem na base aliada o PMDB, as siglas não ficam parecendo somente uma sopa de letrinhas para o eleitorado?

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