INFORME FOLHA
O caso Caldarelli...
O ex-vereador Orlando Bonilha (PR) presta depoimento hoje à juíza substituta da 3 Vara Criminal de Londrina, Zilda Romero, pelo processo do caso Caldarelli - em que ele, Osvaldo Bergamin (sem partido) e Renato Araújo (PP) são investigados por suposta cobrança de propina pela doação de um terreno ao empresário Marcelo Caldarelli, em dezembro de 2005. Apesar de apenas Bonilha depor hoje, de forma antecipada, os demais réus também deverão comparecer.
... e o ventilador Bonilha
A partir do depoimento do Bonilha, hoje, o MP deve definir se pede ou não aditamento na investigação do caso - que continha nos autos, à época, uma lista com os nomes de nove vereadores que teriam recebido propina do empresário para votar o projeto. A contar pela disposição do ex-vereador, segundo seu advogado, Ronaldo Neves - ''ele vai confirmar, sim, que essa lista é real'' -, o escândalo que ontem completou cinco meses não tem mesmo data para acabar.
Clima de velório
Aliás, o depoimento de Bonilha hoje e a possibilidade de Bergamin também colaborar nas investigações do MP vêm deixando um certo ''clima de velório'' na Câmara Municipal, como constatou, semana passada, uma fonte da FOLHA que preferiu não se identificar.
Apreensão
Ontem, nova constatação: a apreensão é ainda maior. Motivo? Apreensão, mesmo - mas a de documentos na casa, escritório, chácara e cartório de Renato Araújo. Pelo jeito, já tem gente preocupada com o que vai sair dos malotes, hoje.
Sinal dos tempos
Nem era tão difícil assim constatar o tal climão no plenário: com mais de 70% da atual legislatura delatada por Bonilha como suposta participante de esquemas de corrupção, boa parte dos vereadores não queria falar ontem nem mesmo sobre as convenções partidárias. Alguns se negaram a dizer sequer se serão candidatos à reeleição.
Ataque
Em plenário, o corregedor da Casa, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) - que na semana passada chamou Bonilha de ''canalha'' e se disse ''blindado pelo MP'', o que os promotores rechaçaram - voltou a atacar o ex-vereador ontem.
Providências
''Ele deveria ter chegado (ao MP) algemado e amordaçado para não falar tanta mentira'', criticou. Adiante, continuou: ''Estou tomando todas as providências, para, a qualquer momento, mostrar as mentiras que esse rapaz fez - uma pessoa que rouba até o nome, você espera o quê?'', ironizou.
Sugestão
O advogado de Bonilha sugeriu que, se o petebista se sentiu caluniado, que se defenda - mas fora do plenário. ''Que existe uma quadrilha na Câmara, isso está mais do que provado, e não só pelo depoimento do Bonilha'', disse Neves, para concluir: ''Mas não será com um pronunciamento desse porte que o Tamarozzi vai encontrar solução a seu problema. Isso é desproporcional, não dá direito de defesa ao meu cliente - em uma ação no Fórum ele (Bonilha) poderá demonstrar judicialmente o que ele tem de verdade''.
'Jus navigandi'
Enquanto Tamarozzi prefere o Plenário, o escândalo na Câmara, por outros, é analisado com um pouco mais de pesquisa. Durante coletiva do procurador da Casa ontem no gabinete da Presidência, por exemplo, um site jurídico mostrava que ''improbidade administrativa'' era a expressão buscada.
Enquadramento
Trechos acessados depois, na Redação da FOLHA, mostram que a página traz, por exemplo: ''Importante notar que nem todo ato de improbidade administrativa implica enriquecimento ilícito do agente público ou prejuízo ao erário''.
Cautela
Outro techo fala da invocação da lei de improbidade para se pedir o ''afastamento temporário do agente público acusado por meio de uma liminar no processo cautelar ou no bojo da própria ação principal''.
'Caso Banestado'
Procuradores da República que integraram a Força-Tarefa CC5 (FT-CC5) do Ministério Público Federal (MPF), lá em 2003, lamentaram, em nota divulgada pela assessoria de imprensa anteontem, a prescrição e o decorrente arquivamento em algumas investigações do ''Caso Banestado'', relacionadas às contas CC5 e a movimentações no exterior.
Perguntinha
Em quantos artigos da Lei de Improbidade Administrativa alguns dos vereadores denunciados por supostas irregularidades na Câmara de Londrina estariam enquadrados?





