Leitor fala de Chávez
Leitor de Arapongas pergunta: ‘‘Viram a declaração de Chávez? Agora os criminalistas vão ter que mudar o conceito de ‘‘prova documental’’.
Sobrou para o MP
O próprio leitor relata, mas com uma ponta de ironia às autoridades brasileiras. Diz ele: Quando não se quer fazer algo, argumentos não faltam.
Exemplo:
Se a Justiça quer protelar a apuração de um suposto delito, ela resolve pedir provas, depois materialidade da prova e depois mais provas e o processo vai se arrastando.
- Às vezes, evidências nunca bastam.
Semântica
Os políticos são os piores. Para atenuar ou falsear a interpretação da lei, recorrem à semântica, que exerce um papel determinante para sustentar um argumento - segundo o leitor - insustetável.
E daí?
O presidente Hugo Chávez - diz o leitor - parece ter importado esses artifícios de variantes vocabulares na interpretação da lei, para ‘‘enrolar’’ as pessoas.
Por exemplo
Os documentos encontrados no computador das Farc, apontando ajuda da Venezuela para a guerrilha, ‘‘não são provas’’. A frase de Chávez teria sido essa: ‘‘Mostrem provas, não documentos’’.
n Documentos, nada provam, portanto.
Desafio aos juristas
A frase, colocada assim, em tom de desafio, cria um novo conceito a ser analisado pelos grandes juristas do mundo: documento, agora, não é prova.
‘Assim é se me parece’
Ou aquela frase célebre, de autor brasileiro, que expressa a conveniência ou não de uma interpretação. A frase: ‘‘Assim é se me parece’’.
Chávez manda e desmanda
Coisas e fatos são como as pessoas querem; não como efetivamente o são. Chávez não quer ser o autor da ajuda às Farc. Mesmo tendo sido.
Desmoralização da denúncia
Nessas manobras todas, a desclassificação do autor da crítica pesa muito. No Brasil as autoridades do Governo também tendem desmoralizar autores de denúncia ou a oposição. Todos os dias vemos isso em Brasília.
Ressaca
A bancada da situação na Assembléia Legislativa está de ressaca. Em votações apertadas, os aliados conseguiram na sessão plenária da última quarta-feira aprovar todas as matérias de interesse do governo do Estado, e derrubar as emendas – a maioria de autoria de parlamentares da oposição– que poderiam alterar a proposta original.
Cartão vermelho
Apesar da vitória em plenário, a base não sai inteira. Para assegurar vitória na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, por exemplo, os caciques do PMDB tiveram que ‘‘expulsar’’ um membro ‘‘rebelde’’: o deputado estadual Mauro Moraes (PMDB), que insistiu em cobrar um índice de reposição salarial superior para professores e policiais.
Enquadrados 1
O líder governista, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), nega que, apesar das aprovações das matérias, haja desgaste da base. A ‘‘retaliação’’ a Mauro Moraes teria servido para ‘‘enquadrar’’ outros peemedebistas que também andavam em cima do muro, num estilo meio tucano de ser.
Enquadrados 2
Não é a primeira vez que um peemedebista é punido, ao bater de frente com os caciques da sigla. Foi o caso do ex-deputado Mário Bradock, que insistiu em se candidatar à vaga de conselheiro do Tribunal de Contas, em 2006, mesmo com a candidatura do vice Orlando Pessuti. Em 2007, quem levou um ‘‘puxão de orelha’’ foi o deputado Reinhold Stephanes Júnior, que votou com a oposição para aprovar investigação dos gastos do Executivo com publicidade.
Interino
O presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, desembargador Vidal Coelho, assume o governo do Paraná em exercício na terça-feira. O governador Roberto Requião (PMDB) embarca amanhã para a Alemanha, para participar de evento sobre o meio ambiente. O presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (DEM) não poderá assumir desta vez porque tem uma cunhada que é pré-candidata a prefeita em Guaratuba, no Litoral do Estado.
Passe livre
Entidades estudantis vão propor amanhã, na reunião que ocorrerá na Câmara de Vereadores de Curitiba, uma audiência pública no dia 5 de junho para discutir a implantação do passe escolar livre para todos os estudantes na capital.
Pagando o pato
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre as desigualdades no Brasil, os 10% mais ricos do País concentram 75% da riqueza nacional. A pesquisa do Ipea também mostra o peso da carga tributária entre ricos e pobres, que chegam a pagar até 44,5% mais impostos.
Perguntinha
Apesar da discrepância, alguém acredita que a camada mais abonada vai ceder espaço para os menos favorecidos na reforma tributária?

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