Morrer na praia, não mais

''O Ministério Público faz sua parte. No entanto, o que se observa é que o MP nada, nada mas morre na praia do Judiciário.'' Certo ou errado?



A decisão de ontem

Errado, a julgar por uma decisão tomada ontem pela Justiça que determinou o afastamento de quatro vereadores da Câmara Municipal de Londrina, que vêm sendo investigados pelo MP. (Pág. 4)



Novos tempos?

Ao determinar o afastamento, o juiz deu a maior força ao MP. Portanto, a frase que traduz situações de impunidade (''MP nada, nada e morre na praia do Judiciário'') está em xeque a partir de hoje. Pelo menos em Londrina.



Instituições fortes

Foi uma medida firme essa do afastamento, em que o Poder Judiciário marcou presença e foi solidário com o trabalho (patriótico!) dos promotores.



Lamentar ou comemorar

A decisão leva a sociedade a começar a acreditar. Hoje há mais motivos para comemorar o afastamento de quatro vereadores do que lamentar a soltura de um. Até porque Bonilha, que está em liberdade, é um dos que foram afastados.



E os empresários?

Formadores de opinião, gente do povo, enfim todos que acompanham o triste episódio na Câmara, continuam cobrando ações focadas nos empresários.



E os outros vereadores?

Nos empresários e em todos os vereadores. Se a ação do MP parar nesta altura a opinião pública continua cética. Só que a sociedade tem que ter paciência.



Joana D'arc


Dias atrás, na Rádio Brasil Sul, o vereador Orlando Bonilha disse, ironicamente, que a Câmara estava sendo tão perseguida pela promotoria e pela mídia que temia ser queimado numa fogueira - juntamente com os nobres pares - em praça pública.



Alívio?


Ao ser preso quinta-feira, por falta de vagas no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), Bonilha acabou recolhido no Corpo de Bombeiros do Jardim Tóquio...



Trocadilho


Na atual condição, será que Bonilha vai agir para jogar mais lenha na fogueira das denúncias que envolvem o Legislativo, ou como bombeiro, para alegria de alguns pares - nem tão nobres assim?


Novela paraguaia

Salvo mudança de última hora, o secretário Airton Pisseti (Comunicação) será ouvido por deputados na terça-feira, em reunião da Comissão de Comunicação da Assembléia. Há semanas a oposição espera satisfações do governo por causa do envolvimento com a campanha do ex-bispo Fernando Lugo à presidência do Paraguai.


Viagens

O deputado Marcelo Rangel (PPS) divulgou um documento da empresa aérea Gol, mostrando que o secretário da Comunicação viajou nove vezes ao Paraguai entre setembro e janeiro.



Desperdício

A oposição acusa Pisseti de ter cometido crime de responsabilidade, já que as viagens ocorreram em dias de semana.


Multa

Na segunda-feira será cobrada novamente a multa mensal de R$ 5 milhões que a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) retém do Paraná, por causa do não-pagamento dos títulos ''podres'' herdados da privatização do Banestado, em 2000.


Não deu certo

No final de fevereiro, o procurador-geral do Estado, Carlos Marés, e o senador Osmar Dias (PDT) estiveram em reunião na STN, que recusou o texto da resolução aprovada em dezembro pelo Senado para acabar com a cobrança.


Nova tentativa

No encontro, Marés conversou com o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, e com o procurador-geral da Fazenda Nacional, Luís Inácio Adams. Depois da reunião, a saída vislumbrada pelo Paraná continua sendo o Senado. Uma nova resolução do Senado, com texto diferente da anterior, precisa ser aprovada.


Contrato

Segundo o procurador-geral do Estado, o novo texto deve interpretar a Resolução 98, em que o Senado autorizou a compra dos títulos ''podres'' emitidos por Alagoas, Pernambuco, Santa Catarina, Guarulhos e Osasco. A pedido da STN, o novo texto não vai propor alterações no contrato de compra dos títulos.



Perguntinha

A oposição vai conseguir detalhes dos gastos feitos com os cartões corporativos do governo estadual?

Equipe da Folha
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