Cartão-ponto do HU

Professores, funcionários, estudantes e familiares - e a opinião pública - preparem-se para uma novela desgastante. Trata-se do flagrante de médicos passando cartões de ponto de colegas no Hospital Universitário (HU).


Corporativismo em ação

Em meio à denúncia, o corporativismo já mostra a sua capacidade de defesa. Tenta tirar o foco da fraude para questionar a legitimidade do uso de câmeras (um recurso para a Justiça analisar).


Distorção

Ora, interessa ao público saber se houve ou não irregularidades. Esta é a questão. Quanto aos métodos usados, os autores que respondam pelos mesmos e suas conseqüências.


Cinismo

Ao corporativismo não interessa apurar se é certo um funcionário passar cartões de colegas e se isso configura falta ao trabalho, em prejuízo dos usuários - no caso a população carente.


Cinismo 2

Ao corporativismo interessa discursar - demagogicamente - contra a criação
de ‘‘um clima de insegurança, de constrangimento e de medo entre os funcionários’’. Muda-se o foco.


Interesse menor

Poupar os funcionários do ‘‘clima de constrangimento e medo’’ é mais importante do que o atendimento aos usuários - eventualmente pessoas que estão na fila esperando por soluções médicas. Absurdo.


Imagem do hospital

Nem os funcionários concordariam com tal insensatez. Certamente, a grande maioria - porque é eficiente, profissional, dedicada e não tem o que temer - deve estar interessada em defender a boa imagem da instituição. Isto passa pela apuração dos fatos.


Falta elucidar

Sobre o cartão-ponto resta apurar se as pessoas supostamente beneficiadas: a)
realmente faltaram ao trabalho, b) ou estavam trabalhando em outro local da mesma instituição e, por questão prática, pediram para alguém passar-lhes o cartão - o que, aliás, é defensável.


Impunidade

Transportando para a política, o corporativismo tem sido o patrocinador da impunidade. Basta analisar o que ocorre nas denúncias de escândalos no governo federal e no Legislativo. Basta lembrar quantos aconteceram e quantos envolvidos foram punidos. A blindagem do Planalto dispensa comentário.


Efeito colateral

As sucessivas denúncias de corrupção no Congresso Nacional estão se revertendo contra os próprios parlamentares. Segundo o senador Cristóvam Buarque (PDT), em visita ontem à FOLHA, em eventos com grande concentração de pessoas, ele pede para que seja anunciado como professor. ‘‘Se falarem que é um senador, é vaia na certa.’’


Precaução

A indignação das pessoas com os escândalos que envolvem dinheiro público está fazendo também com que deputados tomem cuidados para não serem reconhecidos. ‘‘Ao chegarem nos aeroportos, por exemplo, vários deputados retiram os broches (da Câmara) para evitar constrangimentos’’, disse o deputado federal Barbosa Neto (PDT), que acompanhou o senador na visita.


Habilidades

Renan Calheiros demonstrou ontem que realmente tem habilidade com o sexo oposto. Para convencer o relator do Conselho de Ética do Senado, Epitácio Cafeteira, a aceitar o adiamento da votação do relatório que pede o arquivamento do seu processo, ele apelou à sra. Cafeteira. E conseguiu. Foi ela quem após o contato do presidente do Senado, ligou para o relator e o persuadiu a aceitar o adiamento.


De olho nos parlamentares

É uma questão de estratégia. Vários deputados chegam no final das sessões
plenárias na Assembléia Legislativa apenas para ganhar presença no acompanhamento mensal de freqüência, feito por estudantes da UFPR em parceria com a FOLHA DE LONDRINA. Outra tática comumente utilizada por parlamentares é usar o banheiro próximo como refúgio, em votações mais espinhosas, quando seria melhor não dar as caras. Será que com a TV Assembléia esses comportamentos vão continuar?


Balde de água fria

O presidente do Tribunal de Contas (TC) do Estado, Nestor Baptista, resolveu colocar um freio em técnicos do tribunal que estão apresentando palestras – e recebendo por isso. A instituição pode promover palestras e treinamentos, mas os funcionários não poderiam atuar como ‘‘autônomos’’ na área.


Alerta

Nos últimos meses, o TC detectou que algumas empresas promotoras de eventos e escritórios de assessoria vinham procurando técnicos do órgão para ministrar palestras a entidades do poder público, mediante pagamento. Diante desta constatação e de que também estas empresas estavam utilizando indireta e indevidamente o nome desta instituição, Baptista enviou correspondência a todos os administradores públicos do Estado, alertando para o fato.

Perguntinha

Vai longe a novela da pensão paga pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL)?

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