INFORME FOLHA
Destravar
O presidente Lula disse no discurso de posse, segunda-feira, que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) entrará em vigor neste primeiro mês de governo e que pretende destravar a economia do País. Boa notícia.
Ponto positivo
Há outro ponto positivo: Lula já admite que precisa gerar trabalho e não ficar só no paternalismo. Diz a notícia: O presidente reconheceu a necessidade da criação de alternativas de trabalho para os beneficiários de seus programas de transferência de renda.
Ponto negativo
Lula não aceita a crítica daqueles que tentaram desqualificar a opção popular do seu governo, que não foram capazes de entender a vontade de mudanças. E criticou a elite.
Quem é a elite?
Resta saber a quem Lula atribui esta qualificação. Afinal, elite no Brasil de hoje - a julgar pelo poder e renda - são os políticos, principalmente os que fazem parte do governo; o Judiciário, um aliado do governo, e os grandes fornecedores.
Os outros pagam a conta
Os outros segmentos, como o setor produtivo, indústria, comércio, agronegócios e trabalhadores em geral (especialmente os trabalhadores) são os que pagam a conta e recebem um serviço público que não é nada eficiente e custa muito caro.
Efeito aftosa
Pode ser ingênuo achar que os erros que o MAPA cometeu no caso da aftosa foram por mera incompetência. Os números da receita das exportações de carne, ano passado, mostram o efeito aftosa: um bom lucro para os frigoríficos.
Efeito aftosa 2
O volume físico das exportações cresceu 12,9%; os valores em dólares cresceram 29,6%. Mas os produtores não se beneficiaram disso. Ao contrário, em 2006 receberam, em média R$ 55,04/arroba contra R$ 56,30 em 2005. Perda de 2,28%.
Desconfiados
Um técnico vinculado aos produtores ligou para a FOLHA dando a dica. Veja os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Pelo desempenho das exportações só podemos concluir que o episódio da aftosa não foi por acaso. (Detalhe: Secex, naturalmente, nada tem a ver com a história).
13º complementar
Estava previsto para ontem à noite o depósito integral do 13º salário de parte do funcionalismo da Prefeitura de Londrina. São 833 servidores com rendimentos superiores a R$ 2 mil mensais, e 89 comissionados. O restante da folha foi pago dia 20 de dezembro; a alegação para o que restava era a necessidade de arrecadação de R$ 4,5 milhões.
Arrecadação
Segundo a administração, o atraso é decorrente da greve de 106 dias enfrentada de agosto a novembro de 2006. Com a sede administrativa fechada, o Executivo argumenta que foi afetado o número de contribuintes que tentaram renegociar impostos atrasados.
R$ 7 mi a mais
Em compensação, médicos, dentistas e outros funcionários da Autarquia Municipal de Saúde (AMS) devem receber já no mês que vem os benefícios de um projeto de lei aprovado na última sessão extraordinária do ano, na Câmara de Vereadores. Mudanças no PCCS da categoria vão exigir do Executivo municipal, para este ano, R$ 7 milhões a mais de arrecadação -já que não há previsão de cortes de gastos. A previsão do repasse nos rendimentos - que varia entre 25% e 35% - foi dada ontem pela secretária Josemari de Arruda Campos em entrevista a um telejornal local.
Chega de divisórias
Anteontem, na posse, Requião disse em alto e bom som que não havia gostado das divisórias do novo prédio que vai abrigar a sede do governo, na praça Nossa Senhora de Salete, em frente ao Palácio Iguaçu. Não deu outra. As placas das divisórias, feitas de gesso, serão desmontadas para que não impeçam a visão das estações de trabalho, que terão biombos de apenas 1,30 metro. Divisórias até o teto só serão usadas em salas de reuniões e banheiros, por exemplo, explicou o secretário de Obras Luiz Caron.
Layout
Ontem, Caron disse que concorda com Requião e que o projeto contendo as divisórias foi feito na Casa Civil. A Casa Civil integrou a comissão mista encarregada das obras, mas informou que é a licitação do mobiliário que está sob sua responsabilidade.
No planalto central
Requião está em Brasília e só deve retornar hoje. Foi para assistir à posse de Lula, anteontem, e ficou para tratar de alguns assuntos de governo, segundo o Palácio Iguaçu. Em relação à eleição na Câmara, Requião prometeu apoio à reeleição do atual presidente Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
Boca no trombone
Mesmo após a derrota na corrida presidencial, a polêmica Heloísa Helena (PSOL) não perdeu a empolgação. Lideranças e militantes do partido marcaram para hoje à tarde, no Senado, um ato político para marcar uma nova etapa de resistência ao projeto neoliberal de Lula. O ato vai marcar a posse do senador José Nery Azevedo, do PSOL do Pará.
Perguntinha
Como estão os nervos dos secretários de Requião ainda não confirmados?
Equipe da Folha
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