Quem vai responder?
  Lugar de bandido é na cadeia? No Paraná, alguns estão em restaurantes matando inocentes durante os seus ‘‘acertos de contas’’. Os órgãos de governo, polícia e Justiça têm que explicar a tragédia no Patrimônio Heimtal.

Terra de ninguém
  Diz a matéria desta FOLHA: Após execução de Anderson F. dos Santos, com 23 tiros, os bandidos, armados com pistolas, continuaram a disparar contra as pessoas. Mataram, além do padeiro Renato Mendes, o jovem João Rafael Zanin Bueno, e deixando garoto Erickssen de Almeida ferido na perna.

Impunidade
  Se são bandidos por que não estão detidos? E o morto - que fora alvo de tentativas anteriores e é acusado de homicídio - por que estava em libertade? Se seus rivais souberam localizá-lo, por que a Polícia não o fez primeiro?

Ausência do Estado
  As famílias das vítimas vão acionar o Estado (como se isso fosse suficiente para reparar o seu sofrimento) e quem vai bancar fortunas em indenização? E os políticos vão se mexer? Quem soltou ou quem deixou de prender? Essa gente nunca é cobrada!

Ineficácia
  O setor público está sendo questionado, depois do vexame do aumento de salários no Legislativo e Judiciário. Órgãos de governo só servem para abocanhar impostos?

Negligência oficial
  Se quisessem, autoridades evitariam tragédias. Grande número de homicídios são praticados por indivíduos que deveriam estar presos. Mas estão em liberdade porque órgãos oficiais permitem. O Ministério Público e o Judiciário permitem. Há estudo sobre o assunto.

Desvio de verbas
  Os vereadores da Câmara de Bocaiúva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, não chegaram a discutir as supostas irregularidades cometidas pela prefeita Lindiara Santana Santos Berti, e por seu marido, Élcio Berti, ex-prefeito e atual chefe de gabinete na administração. A prefeita alegou problemas de saúde. O casal teria utilizado verbas públicas para pagamento de serviços particulares, segundo aponta uma investigação comandada pelos vereadores.

Contas irregulares
  O Tribunal de Contas da União (TCU) julgou irregulares as contas de Joaquim Rodrigues da Silva, ex-prefeito de Roncador (100 km ao sul de Campo Mourão) e o condenou ao pagamento de R$ 350.654,15 mil por não cumprir o acordo firmado com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), para ampliação de duas unidades escolares e a conclusão de uma terceira. O TCU também aplicou ao ex-prefeito multa de R$ 40 mil. Cabe recurso da decisão.

Apropriação
  O presidente da Câmara de Primeiro de Maio, José Devaldo Pedrineli, foi condenado a devolver R$ 6.500 desviados dos cofres municipais durante sua gestão à frente da prefeitura (1993-1996). De acordo com a sentença, o vereador se apropriou de um cheque da administração municipal - o que foi comprovado pela quebra de seu sigilo bancário.

‘Adiantamento’
  Em sua defesa, o atual vereador disse que sacou os recursos da prefeitura como ‘‘adiantamento’’. ‘‘O dinheiro seria devolvido com juros’’, afirmou em depoimento. A sentença condenatória considerou que Pedrineli agiu com ‘‘inegável má f钒 e concluiu pela inexistência de provas de que a verba foi devolvida.

Demora
  Apesar da condenação do ex-prefeito José Devaldo Pedrineli ter sido publicada há mais de sete meses (10 de maio), ele ainda não foi intimado da decisão pelo cartório cível.

Sem licitação
  Em outra ação civil pública que responde como ex-prefeito, Pedrineli é acusado de contratar, sem licitação, a empresa Caravelle Assistência e Planejamento, para assessoria em arrecadação de ICMS, por R$ 37 mil. Segundo o vereador, o contrato, de risco, previa pagamento de um percentual sobre o excedente da arrecadação do imposto.

Carlos Júnior
  A empresa Caravelle pertence a Cassimiro Zavierucha, conhecido como Carlos Júnior, também réu da ação. Zavierucha foi tesoureiro do ex-prefeito de Londrina Antônio Belinati, e também responde ações no caso Ama/Comurb.

Membros do MP
  O plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), em Brasília, decidiu anteontem rejeitar a proposta que autorizaria o exercício de membros do Ministério Público (MP) em cargos de chefia no poder Executivo.

Prazo final
  Já que a proposta foi rejeitada, continua valendo a resolução do CNMP que determina a saída dos membros do MP do poder Executivo até o dia 31 de dezembro de 2006. No Paraná, o secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, membro do MP, não quis ontem comentar a decisão do CNMP, mas garantiu que já sabe qual será seu destino.

Perguntinha
Se até o STF é contra o aumento de 90,7% aos parlamentares, por que o Congresso não o enterra de vez?

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