INFORME FOLHA
O dossiê de R$ 1,75 mi
''Assessor de Lula foi o mentor do dossiê, diz PF'' - manchete de ontem, do jornal O Estado de S.Paulo. O dossiê é o que foi montado por R$ 1,75 milhão, para prejudicar adversários do PT, e que a Polícia Federal tenta esclarecer a origem de tanto dinheiro.
Quem é o acusado
Segundo a Polícia Federal, acusado era chefe de segurança da campanha de Lula à reeleição, Jorge Lorenzetti, que fez ligações para José Dirceu em dias anteriores à prisão dos petistas.
Outra manchete
''Secretário de Lula ligou para ''articulador'' do dossiê'' - manchete da Folha de S.Paulo. ''Telefonema de Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula, para Lorenzetti foi feito no dia das prisões''.
Alguém entende?
Assunto dossiê foi manchete em outros jornais por este Brasil afora. Ao lado dessas manchetes, notícias de que Lula amplia vantagem sobre o adversário. Quem explica?
O exercício de Entreatos
Exibido na 8 Mostra Londrina de Cinema, o documentário ''Entreatos'' (Videofilmes, 2004) é um bom exercício de análise comparativa em tempos de eleição para presidente. Não pela comparação de candidatos, mas das nuances do discurso de uma única pessoa.
O elenco
O material dirigido pelo cineasta João Moreira Salles mostrou o dia-a-dia da campanha de Lula à Presidência da República em 2002. Na ficha técnica do documentário, um elenco já bastante conhecido do eleitor: o próprio Lula e a esposa, Marisa Letícia, o publicitário Duda Mendonça; o vice, José Alencar; e o trio José Dirceu, Gilberto Carvalho e Antônio Palocci, posteriormente figuras do alto-escalão do governo petista. Fora dessa ficha, mas da mesma forma coadjuvantes, Luís Gushiken, José Dirceu, José Graziano e Silvinho Pereira. No centro, sem sombra de dúvidas, Lula e Duda.
O prognóstico
Ao longo de 117 minutos, ''Entreatos'' revelou bastidores da campanha petista que derrotou José Serra (PSDB), chamado por Lula, após a votação de segundo turno, de ''adversário leal''. São imagens reservadas e públicas, que mostram, por exemplo, um José Dirceu visivelmente desconfortável pela presença da câmera, e um Duda Mendonça praticamente no papel de astro principal do personagem criado por ele.
As frases
Em dado momento, começam a pulular frases de efeito que dão hoje o que pensar: ''Lula não será um presidente populista'' (Palocci, então coordenador de campanha); ou ''Não há nenhuma vantagem em ser de esquerda ou centro-esquerda'', e ainda ''Meus ministros vão aliar competência técnica e capacidade política'' (Lula).
A lembrança ingrata
Lula faz menções nada saudosas do tempo em que trabalhava na fábrica - a referência é para explicitar a preferência pelo terno e gravata, diante do macacão de trabalho. ''Não tenho a mínima saudade do ambiente de fábrica, só dos meus amigos.'' Pouco depois, em minutos passados dentro do jatinho pelo qual se locomovia, conclui sobre as lideranças políticas do Brasil: ''Não há no País hoje essa figura de expressão - sou eu'', corrige.
O criador
Para quem chama hoje os companheiros do PT (os envolvidos em escândalos) de aloprados, e, há um ano, de filho malcriado, Lula demonstra que mudou um bocado - pelo menos no discurso à imprensa - a visão que tem do partido que fundou. Nas várias menções ao PT, em ''Entreatos'', o então candidato sublima a sigla. ''Não tem nenhum partido político hoje no mundo como o PT; não tem similar na história. Nós criamos nossas próprias lideranças'', orgulha-se.
O partido
Ainda no assunto PT, e nos diálogos dentro do avião particular, o ex-sindicalista se vê diante da pergunta do cineasta: Lula consegue ter um momento só para si, sozinho de tudo e de todos? ''Impossível ficar sozinho, e creio que isso será cada vez mais impossível'', prevê, ele que hoje diz não saber de nada, nem de ninguém. Como agiria o PT no poder? ''Não criaria nenhum problema com o governo. O partido tem que ser uma espécie de consciência crítica do governo perante a sociedade''. Alguém anotou?
Um gole sóSobre FHC, a referência arrancou risos da platéia de Londrina - composta, em boa parte, por comissinados da Prefeitura chefiada pelo PT. De Lula: ''O Palácio é triste porque o FHC não joga bola, não dança e não bebe um gole''. Em outro momento de feedback do telespectador, responde a Duda quando este diz ser bom em batucada com os dedos: ''Em briga de galo você também é bom''.
Perguntinha
Até quando vai durar o discurso antiprivatização do PT contra o candidato tucano?





