Qual é a lógica?


As pessoas que pensam e sonham com uma política mais limpa no Brasil, querem saber, por exemplo, a origem do dinheiro que seria destinado à compra do dossiê que o PT usaria contra candidatos do PSDB em São Paulo. Ou simplesmente querem ignorar essas notícias, pois estão mais do que escandalizadas com tanta corrupção.


A lógica é outra


Mas a lógica das autoridades e, aparentemente, da própria Polícia Federal, é outra. A lógica do governo é punir quem distribuiu as fotos da montanha de dólares e reais. Isto é pior do que desviar a atenção, isto é inibir denúncias de irregularidades.


Censura


Ontem à tarde a PF paulista informou que vai investigar se houve infração por parte do delegado Edmilson Pereira, que distribuiu as fotos do dinheiro apreendido com os envolvidos na compra do dossiê. Por que não gasta esse esforço na apuração da procedência do dinheiro? Esta não é a lógica.


Lula nada sabia

O presidente Lula, o ministro Thomaz Bastos e o presidente do PT, Ricardo Berzoini, encaminharam suas defesas sobre a investigação do TSE para apurar o envolvimento de cada um no esquema do dossiê Vedoin. Advogados de Lula disseram que ele nada tem a ver com o assunto. Não sabia.


Em grupo

Pertencer ao PMDB e ocupar cargo de primeiro escalão no governo Roberto Requião é um bom passaporte para a vitória nas urnas. A votação de domingo transformou em deputados estaduais os ex-secretários de Meio Ambiente, Luis Eduardo Cheida, de Transportes, Waldyr Pugliesi, de Administração e Previdência, Reinhold Stephanes, da Casa Civil, Caíto Quintana, além do ex-presidente da Cohapar, Luiz Cláudo Romanelli, e do ex-coordenador de Assuntos para Região Metropolitana de Curitiba, Edson Strapasson. Para deputado federal, elegeu-se o ex-assessor de gabinete de Requião, Rodrigo Rocha Loures - novato na política.


Sozinho


O único auxiliar de primeiro escalão de Requião a experimentar o gosto amargo da derrota é o ex-secretário de Ciência e Tecnologia, Aldair Rizzi.



Na hora H


''Durante a campanha, eu achava que o eleitor estava apático, não encontrava indignação. Mas a indignação apareceu na hora certa, nas urnas.'' Do ex-prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi (PFL), deputado federal eleito, referindo-se ao impacto das denúncias de corrupção no ânimo do eleitor.


Perdas e ganhos


O senador Flávio Arns (PT) perdeu a eleição para governador mas ganhou um presente no domingo: o nascimento da sua segunda neta, Gabriela Arns de Santa Cruz Arruda. Gabriela nasceu com 3,4 quilos e 49 centímetros no final da tarde, na Maternidade Curitiba. O parto foi normal e a mãe, Caroline Arns Arruda, passa bem.


Voto de Nedson


O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), votou domingo numa escola do Jardim Leonor sem que se confirmasse a previsão de manifestação do Sindserv que mantém os servidores municipais em greve há quase dois meses. ''Tivemos uma semana intensa, e achamos melhor não irmos, até porque temos que manter o fator surpresa'', justificou Marcelo Urbaneja.


O quinto elemento


Quinto candidato mais votado para a Assembléia Legislativa do Paraná, o ex-prefeito de Londrina Antonio Casemiro Belinati (PP) contou com uma ajuda extra da família na reta final da campanha - mais precisamente, do filho e também candidato a deputado estadual Antonio Salles Belinati, do mesmo partido. O herdeiro admitiu ter abandonado a campanha na última semana para pedir votos ao pai. ''Quase apresentei uma carta de renúncia à sigla; só não fiz mesmo para não tumultuar o processo'', disse.


Questão de semântica


Antonio Casemiro Belinati, com o nome de urna Belinati, contabilizou 81.157 votos. Antonio Carlos, com o nome de urna Antonio Belinati, conseguiu 576 eleitores. Também do clã, a candidata Emilia Belinati (PFL) não se elegeu para a Câmara Federal com os 29.352 que obteve.


Presenças ilustres


A festa que comemorou a vitória do ex-prefeito, na chácara da família na Zona Sul, ignorou o temporal que corria do lado de fora. Lá dentro, parentes, assessores e amigos cantavam o jingle usado há 30 anos. Entre eles, a vereadora Sandra Graça (sem partido), ex-chefe de gabinete de Belinati, e dois diretores do Sindserv, Marcos Ratto e Marli Coronado.


Destino


''Para onde vai o dinheiro do financiamento das campanhas?'' Pergunta dos estudantes que protestavam domingo no TRE, com nariz de palhaço. Pela lei, fica com os partidos...


Nenhum voto


Apontado pela CPMI dos Correios como um dos beneficiários - com R$ 1,1 milhão - dos saques feitos em contas de empresa de Marcos Valério, José Borba (PMDB) apareceu em uma lista de sete candidatos à Câmara Federal pelo Paraná que não obtiveram nenhum voto. ''Registrei a candidatura, mas não fiz campanha desde o início devido ao processo de impugnação'', alegou o candidato, que renunciou ao cargo na atual legislatura. A explicação do TSE, é que todos os candidatos que estão com os registros de candidaturas sendo analisados, não tiveram os votos contabilizados.



Sai Heloísa, entra Collor


O ex-presidente Fernando Collor de Mello voltou à política e elegeu-se senador pelo PRTB em Alagoas. Ele derrotou o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) e assumirá, a partir de 2007, a cadeira que até agora pertence à senadora Heloísa Helena (PSOL). Com relação ao apoio que deu a Lula durante sua campanha, o senador disse que esse apoio é ''a prova cabal de que não guardo nenhuma mágoa nem ressentimento''.


O erro dos outros


''O governo Lula tem demonstrado mais acertos do que erros'', diz Collor, para quem Lula merece mais um mandato para corrigir o que fez de errado. Sobre seus próprios erros, disse que volta à cena política para oferecer à nação brasileira a versão do fato que culminou no seu afastamento da Presidência da República.



Perguntinha


Levando-se em conta que toda véspera de eleição acontece a mesma coisa e que a Justiça Eleitoral nunca toma providências, o despejo irregular de santinhos nos locais de votação pode ser considerado o crime eleitoral perfeito?

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