INFORME FOLHA
Nós e o Haiti
Ao contrário do que ocorre há anos, a grande imprensa não deu muita importância ao Relatório do Desenvolvimento Mundial, divulgado na semana passada. Talvez porque os dados contrariam tudo aquilo que o presidente Lula vem discursando. O documento mostra o baixo desempenho da economia brasileira, menos de 1%, ao lado do Haiti e Guatemala.
Culpa de quem?
O que intriga é que tão baixo crescimento - entre 2004 e 2005 - ocorre exatamente num período de muita prosperidade para o mundo inteiro. Não adianta jogar a culpa na crise da agricultura. Nada a ver. Por mais que se queira setorizar a origem do fracasso, o grande entrave tem origem na ação ou na ausência do governo. Impostos, por exemplo.
Lya Luft resume
Sobre este assunto, o lamento da escritora Lya Luft - colunista da revista Veja, que deu entrevista à FOLHA neste domingo -, é mais que pertinente. Diz a gaúcha: ''Intelectuais de boa formação, pessoas com preparo suficiente para ser lúcidas, parecem cegas à realidade e querem nos convencer de que este país nunca esteve tão bem''.
Estrada dos Pioneiros
O governador em exercício, Hermas Brandão (PSDB), comprometeu-se a garantir o asfaltamento, no valor de R$ 3,6 milhões, da estrada dos Pioneiros. E, segundo o deputado estadual André Vargas (PT), isso deve acontecer em breve.
Caso Rasera
O senador Osmar Dias, candidato ao governo pelo PDT, cumpriu promessa publicada domingo na Folha e utilizou o horário eleitoral gratuito para estabelecer ligações entre o governador licenciado Roberto Requião (PMDB) e o policial civil Délcio Augusto Rasera, suspeito de comandar uma quadrilha de interceptação clandestina de ligações telefônicas. Segundo o programa do senador, Requião seria o ''destinatário'' das conversas grampeadas.
Agenda positiva
Já o candidato Requião, seguindo a linha de ignorar os ataques e levar ao ar ações de governo, abordou ontem a saúde da população paranaense - uma das áreas mais críticas do Estado. Requião disse que regionalizou ''de verdade'' a estrutura da saúde e que está ''reformando, ampliando ou construindo'' 24 hospitais regionais - sem especificar quantos estão em reforma e ampliação, ou novos prédios.
Oposição
A oposição a Requião tem deixado claro que não pretende deixar o caso Rasera de lado. O deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB) ironizou as declarações de Requião no programa eleitoral, de que a polícia do Paraná, sob o seu comando, ficou muito melhor. ''Até parece que não temos um investigador da Polícia Civil, que trabalhava na assessoria do governador, dentro do Palácio Iguaçu, preso por fazer escuta telefônica ilegal. Ou então que, semanas atrás, tivemos o choque de assistir policiais fardados roubando carros no Largo da Ordem'', provocou Rossoni, referindo-se a imagens veiculadas por uma emissora de tevê.
Representação
Além disso, o caso Rasera levou o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) a protocolar, na Procuradoria Geral da República, uma representação contra Requião. O deputado alega prática de crimes contra a administração pública e ato de improbridade administrativa.
Arapongas voando
Os grampos, aliás, estão na berlinda nesta campanha, e não é só em território paranaense. A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie, quer que a Polícia Federal investigue ''o mais rapidamente possível'' a origem de supostas escutas telefônicas nos gabinetes dos ministros do STF Marco Aurélio e Cezar Peluso.
Direito de resposta
Ainda sobre o caso dos grampos. A Justiça Eleitoral concedeu direito de resposta ao candidato Roberto Requião e o peemedebista conseguiu o direito de usar, na noite de ontem, um minuto no programa do ex-aliado e hoje adversário Osmar Dias, do PDT. O comitê de Requião considerou ''caluniosa'' a vinculação da sua imagem ao crime supostamente cometido pelo policial Délcio Rasera.
Argumentação
O direito de resposta foi pedido à Justiça Eleitoral por causa de uma inserção que foi ao ar no último dia 11 de setembro, às 20h30. Os advogados de Requião alegaram que o programa do pedetista, por meio da criação de estados mentais na opinião pública, difundia ''opinião degradante, caluniosa e sabidamente inverídica'' a respeito de Requião. A Justiça entendeu que a propaganda ofendeu a honra do candidato do PMDB.
Clipe
Rubens Bueno (PPS), que também disputa o Palácio do Iguaçu, abandonou ontem as críticas ao governo e passou a promessas genéricas de melhorias na segurança e educação, embalado por um longo clipe musical. Ao final, pediu ao eleitor: ''Você que me considera o melhor candidato, peço que continue comigo''.
Perguntinha
O que chama mais atenção em época de eleição, denúncia de caixa 2 ou de arapongagem?
Equipe da Folha
[email protected]





