INFORME FOLHA
Para sacudir o governo
O livro do jornalista Ricardo Kotscho, ex-assessor de imprensa do presidente Lula, que será lançado amanhã em São Paulo, vai sacudir o Planalto e pode afetar a campanha para reeleição. Kotscho, que deixou o Planalto ano passado, revela bastidores do governo. Entre curiosidades e fatos históricos conta como nasceu o mensalão.
A semente do mensalão
Kotscho coloca a marca do repórter acima da carteirinha do partido ao narrar a negociação do PT com o PL em 2002, no apartamento do ex-deputado Paulo Rocha (PA), onde se plantou a semente do mensalão. A negociação juntou, de um lado, Lula e José Dirceu, e de outro, José Alencar e Valdemar Costa Neto, presidente do PL.
Lula fixou o preço
Só depois de três anos Kotscho descobriu o móvel principal daquela feroz discussão - R$ 10 milhões. E o pior é que ele assegura que Lula estava lá, debatendo a fixação do ''preço''.
O jeito lulista
Alguns pontos do livro destacados pela Agência Estado: ''Lula era seu próprio herói, não tinha ídolos nem modelos''. ''Lula nunca foi de falar clara e diretamente as coisas. As pessoas devem intuir o que ele está pensando'', sugere. E para completar, dá a fórmula lulista de tomar decisões: ''Quando não lhe agrada decidir, ele joga o problema para depois.''
Terra minada
O candidato tucano à presidência da República, Geraldo Alckmin, já passou pelo Rio Grande do Sul e por Santa Catarina, mas ainda não há previsão de quando ele visitará o Paraná. Extra-oficialmente, o comentário é de que o candidato estaria evitando o Estado até sair uma decisão judicial sobre a coligação entre o PMDB e o PSDB.
Comitê
Alckmin não veio, mas virá um representante. Amanhã, o coordenador nacional da campanha do candidato, senador Sérgio Guerra, estará em Curitiba para a inauguração do comitê ''pró-Geraldo Alckmin'', no bairro São Francisco. O comitê vai centralizar as ações do prefeito Beto Richa e do deputado federal Gustavo Fruet, em favor do candidato.
Critérios de escolha
''Escolha seu candidato pelo histórico, caráter, honestidade e, principalmente, por seu programa''. Dica que consta do material de campanha que um candidato está distribuindo pelo Paraná.
Os vespeiros do MP
Em pleno ano eleitoral, o Ministério Público (MP) do Paraná se viu provocado a mexer num tema mais que espinhoso, o nepotismo. A contratação de vários parentes pelo governador Roberto Requião virou alvo de uma ofensiva por parte do PPS. A Procuradoria Geral de Justiça decidiu investigar o caso, o que acirrou os ânimos da oposição, ávida por munição para a campanha. Não há prazo previsto para a investigação.
Cartórios
Esse não é o único vespeiro destes meses pré-eleitorais. Na semana que passou, a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Curitiba protocolou uma denúncia criminal por corrupção contra dois cartorários e um ex-funcionário de cartório. A denúncia deve chegar às mãos de um juiz em uma semana.
Na linha do menos é mais
Em janeiro deste ano, a Associação Comercial do Paraná (ACP) levantou uma bandeira que deixou parlamentares irritados de Norte a Sul do País. Uma reunião do conselho político da entidade, com a presença do professor Oriovisto Guimarães, reitor do Centro Universitário Positivo, terminou com a proposta de redução do número de deputados. Conforme a Lei Complementar 78, de 1993, hoje são 513 deputados federais, e 81 senadores. De lá para cá, a proposta evoluiu.
Ambição
Na época, a proposta era cortar o número de deputados de 513 cada um com salário de R$ 12,8 mil para 180. Agora foi lançado o movimento Brasil Melhor, que engloba empresários e advogados paranaenses. A meta é bem mais ambiciosa. Além de passar a tesoura no número de parlamentares, o movimento defende a extinção dos cargos em comissão e exigir nas notas dos produtos o valor dos impostos cobrados pelo governo. Esta última bandeira pode ter um grave efeito colateral: causar infarte no contribuinte.
Recall
Na mesma linha de moralização seguida pelas idéias anteriores está uma antiga proposta do jurista Fábio Konder Comparato advogado de acusação no processo que afastou o ex-presidente Fernando Collor de Mello , defensor da participação direta da sociedade nos rumos do País. O jurista propõe a possibilidade de revogação dos mandatos do presidente e de deputados e senadores, em caso de descontentamento com a atuação deles. Isso seria feito através de uma espécie de 'recall' dos políticos, com referendos convocados por iniciativa popular.
Não custa sonhar
Enquanto a democracia brasileira engatinha e a realidade revela esquemas de corrupção, compra de votos e promessas de campanha não cumpridas, essas propostas funcionam como apenas como bússola de navegação.
Perguntinha
Depois da eleição, virá a depressão pós-eleitoral?
Maria Duarte e equipe
politicacwb folhadelondrina.com.br





