INFORME FOLHA
Na carona da Igreja
Do vice-governador Orlando Pessuti, através de uma rádio local, durante cerimônia de posse do arcebispo dom Orlando Brandes: ''Esta cidade já foi a capital do Café, depois da Soja, agora vamos fazer de Londrina a Capital da Paz''. Dias antes, o arcebispo havia colocado o controle da violência na agenda da Igreja, acrescentando que a família é o caminho para a paz.
Cadê o Estado?
Mas a declaração de Pessuti é, no mínimo, curiosa, partindo de uma autoridade do Estado. Afinal, as estatísticas estão aí, apontando Londrina como uma cidade com alto índice de violência e o povo clamando por segurança, que o Estado não dá. Roubam até merenda das escolas. E inocentes morrem no tiroteio entre traficantes.
Só por Deus
Transformar esse cenário em ''Cidade da Paz'', só por Deus. Quem sabe a Igreja dá jeito. Porque se depender do governo do Estado, das lideranças locais (que não se mexem) e dos políticos locais (que não têm compromisso), o caos continuará. Pensando bem, as igrejas, todas elas, não se preocupam muito.
Oportunismo
Já tem político londrinense falando em ''fortalecer parcerias'' entre a Igreja e o setor público ou ''estreitar relacionamentos''. Seria prudente definir bem as parcerias pontuais, porque o fio que separa uma atuação conjunta do apoio partidário é muito tênue. Além disso, o setor público no Brasil, na era Lula, virou instrumento de campanha.
Saia justa
As igrejas, todas, não têm acertado nos apoios a políticos. Nem em certas campanhas, como a do desarmamento. Alguém duvida que houve desgastes?
Líder católico
A cidade e a região estão entusiasmadas com o novo arcebispo. Sentiram firmeza nas palavras de dom Orlando. A cerimônia da posse foi uma demonstração de apoio. A presença de grande número de catarinenses mostra o quanto ele é respeitado.
Transgênicos
Em três semanas de governo, o ministro da Agricultura, Guedes Pinto, fez três defesas dos transgênicos: em Salvador, em Fortaleza e em artigo na Folha de São Paulo, domingo. É surpreendente porque o perfil do ministro está mais para reforma agrária do que para a produção de escala, aquela que usa mais tecnologia.
Pelados da Globo
Ator Ricardo Ackel Dualib, 29 anos, entrou na central de produção da Globo (Projac), em Jacarepaguá, fazendo ameaças. Tirou a roupa, deu quatro tiros para o alto, fez refém um bombeiro da empresa e invadiu uma das unidades de edição. Depois foi dominado. A novidade no protesto fica por conta dos disparos pois no Projac o nudismo, dizem, não é assusta.
Desenho
Dualib queria convencer a direção da Globo a usar desenhos feitos a mão, como os dele, e não computação gráfica, como acontece na maioria das vinhetas exibidas pela emissora.
Dança das cadeiras
O presidente estadual do PSDB, deputado Valdir Rossoni, está indignado com a troca de líder da bancada do seu partido na Assembléia Legislativa, em pleno recesso parlamentar. O antigo dono do posto, Ademar Traiano simpatizante da candidatura de Osmar Dias (PDT) foi substituído pelo deputado Nelson Garcia, que prefere a coligação com o PMDB de Roberto Requião. O PSDB está rachado há meses.
Racha
Rossoni disse saber que seu grupo é minoria e que a vontade da maioria será respeitada, mas não escondeu o desagrado. Rossoni lidera a ala que apóia Osmar Dias, enquanto a outra corrente do partido quer a aliança com o PMDB, acordo que ainda depende de um aval final da Justiça. Esse grupo é capitaneado pelo presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, que ocupa a vice na chapa de Requião.
'Síndrome do poder'
''O excesso de poder faz mal para quem quem não sabe usar. E só o povo pode mudar isso'', reclamou Rossoni, dizendo que não foi chamado para reunião nenhuma da bancada para tratar da mudança de líder. ''Não faria mal nenhum a bancada ter se reunido'', emendou.
Estudantes
Nos próximos dias, líderes estudantis vão se reunir com o deputado estadual Natálio Stica (PT) para discutir a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) anular a lei estadual 14.808, de julho do ano passado, que garante espaço físico, em faculdades e universidades do Paraná, para centros e diretórios acadêmicos, além da participação dos estudantes nos conselhos fiscais e consultivos de instituições de ensino superior público e privado. A lei foi proposta por Stica e sancionada no atual governo.
Contra
Faculdades particulares não gostaram nada da lei, porque o texto estabelece multas, em casos de descumprimento, que variam entre R$ 5 mil e R$ 50 mil. Mas as sanções valem apenas para os estabelecimentos particulares de ensino superior, excluindo os públicos. Stica disse que vai discutir com os estudantes uma ofensiva para que a lei não seja derrubada pelo Supremo.
Perguntinha
A síndrome do poder não é generalizada no meio político?





