Nas mãos de Janene


Está nas mãos do deputado José Janene (PP-PR) a última chance de esclarecer a origem do dinheiro que fomentou a maior corrupção do Brasil. Basta dizer o que sabe. Seus eleitores esperam. O deputado vai prestar depoimento amanhã no Conselho de Ética da Câmara. Se adotar a linha da verdade, como desejam seus eleitores e o povo paranaense , Janene estará construindo um divisor de águas na história recente da política brasileira.


Última chance


Janene é o último dos acusados a depor; até agora só falaram mentiras ou omitiram dados importantes, protegidos por habeas-corpus, um expediente legal mas imoral. Se falar o que sabe, ele pode se redimir e sair como herói.


Sobrou para Serraglio


Na edição de domingo da revista Veja, o colunista Diogo Mainardi, ao abordar o inconformismo de Fernando Gabeira (sobre impunidades, fracasso das CPIs, etc), acabou fazendo uma crítica forte à CPI dos Correios, que teve como relator o paranaense Osmar Serraglio. Mainardi não menciona o deputado, mas cita o caso da empresa do filho de Lula que exigiria investigações e, no entanto, sequer foi mencionada no relatório.


Não são antilulistas


Diz Mainardi: ''Os oposicionistas não entendem por que não conseguiram arrebanhar o eleitorado antilulista. Não conseguiram porque o eleitorado não é tonto e sabe que eles não são antilulistas''.


Interesses


Depois de acusações fortes contra a oposição e membros da CPIs, atribuídas a Gabeira (que teria usado o termo ''quadrilha''), o colunista diz que lulistas e oposicionistas se comportam de maneira igual. O caso da empresa do filho de Lula é emblemático. Foi poupado pelo relator. Medo ou comprometimento?


'Afinidades com a Telemar'


Segundo Mainardi, na revista Veja, ''os oposicionistas tinham a oportunidade de atingir diretamente o presidente, mas preferiram ignorar o assunto porque suas afinidades com a Telemar acabaram prevalecendo''. Essa colocação caracteriza uma denúncia, ou, no mínimo, uma insinuação. Serraglio, como relator da CPI, deve uma explicação.


Nem pensar


O presidente do PT do Paraná, deputado André Vargas, voltou a rechaçar a tese de o PT do Paraná apoiar o PMDB de Roberto Requião. ''Nós vamos ter candidato, e uma aliança com o PMDB é improvável. Além do mais, ninguém da direção estadual do PT conversa com o PMDB'', disse.


Militância unida


Por falar nisso, a militância petista ligada a André Vargas promete dar trabalho aos interessados em apoiar a candidatura à reeleição de Requião. ''O pré-lançamento das candidaturas do Flávio (Arns) e da Gleisi (Hoffman) em Londrina sepultou de vez as especulações que visam desestabilizar o PT'', comemorou Vargas.


Paralisação


Os funcionários da Volkswagen, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), devem fazer uma paralisação esta semana. A intenção da categoria é unir os trabalhadores da montadora em todo o mundo na mesma linha de ação. Ficou acertada entre os trabalhadores a criação de uma carta de protesto mundial com o México e países europeus. A paralisação deve incluir as fábricas no Paraná e em São Paulo, que somam 22 mil trabalhadores.


Cortes


Recentemente, a montadora anunciou um plano de reestruturação mundial, e por causa disso devem ser demitidos cerca de 5.700 funcionários no Brasil. No Estado, os cortes atingiriam 1.400 dos 4.200 trabalhadores.


Compra da UEG


O governador Roberto Requião (PMDB) assina hoje, junto com diretores da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e da empresa norte-americana El Paso, o acordo definitivo para a compra, por parte da Copel, da totalidade das ações da multinacional na empresa UEG,a Usina Termelétrica a Gás de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba). Com a transação, a Copel aumenta de 20% para 80% sua participação na UEG Araucária e passa a deter o controle da termelétrica.


Privado não pode


Os municípios não podem utilizar bancos privados para aplicar recursos financeiros. O entendimento é do Tribunal de Contas (TC) do Paraná, com base em uma consulta formulada pelo município de Maringá. O TC decidiu que os recursos financeiros dos municípios paranaenses não podem mais ser aplicados em bancos privados. Somente bancos público poderiam ter recursos públicos aplicados. No Paraná, a decisão afeta especialmente o Banco Itaú que, ao arrematar o Banestado, em outubro de 2000, herdou as contas do Estado, dos municípios e dos servidores.


Quanto custou


A Assembléia Legislativa quer saber quanto os dois últimos governos gastaram com anúncios nos jornais do Estado.


Infância em debate


A Comissão de Assuntos Sociais e a Comissão de Educação do Senado marcaram para hoje uma audiência pública que vai debater a violência na infância. Participam da audiência, além dos senadores, psiquiatras e pediatras. O foco da discussão será a relação entre a violência contra a criança e um provável futuro criminoso. O debate é uma forma de atacar a causa e não a consequência. A grande questão é se o assunto vai esgotar só no debate.


Perguntinha


Depoimento de Janene será revelador ou apenas o último ingrediente da pizza que envenena a moral dos brasileiros?



Maria Duarte e equipe
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