INFORME FOLHA
Futuros reitores
Falar corretamente não é parâmetro para aferir a competência do futuro reitor de uma universidade. Não é determinante, pelo menos. Embora, convenhamos, deva ser considerado item básico numa escala simples de avaliação. De um reitor, espera-se, pelo menos, que ele se expresse bem, com clareza. Mas os candidatos da UEL, inclusive os do primeiro turno, não foram bem contemplados nesses itens.
Nível é fraco
As entrevistas mostraram falta de brilhantismo nas respostas. Em muitos casos a gramática foi atropelada implacavelmente. A ansiedade na colocação dos planos pode ter prejudicado uma boa oração. Algumas entrevistas deixaram entrever uma universidade sem pretensão, já que as perguntas focaram o fator segurança no campus, por exemplo. Já pensou um reitor ter como meta a segurança? Isto também mostra como o Brasil e o Paraná vão mal.
Baixaria
Quem acompanhou a última reunião da Comissão de Fiscalização da Assembléia Legislativa, anteontem, saiu de lá constrangido. É que, entre uma pergunta e outra aos dois convidados a prestar depoimento sobre o caso da Usina Elétrica a Gás de Araucária (UEGA), sobraram farpas trocadas entre os próprios parlamentares.
Interferências
Tudo começou quando o deputado estadual Durval Amaral (PFL), antes de se dirigir a um dos convidados, disparou: ''E eu espero que a minha pergunta não sofra interferência''. O pefelista se referia ao presidente da comissão, deputado Neivo Beraldin (PDT), que interrompia com frequência as perguntas dos parlamentares para dar sua opinião, geralmente a mesma sobre todas as questões. A reunião começou às 10h15 e só terminou depois das 13 horas.
Sem limites
A empolgação do pedetista chegou a receber críticas mais duras do deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), que ameaçou entrar com um pedido na Casa para tirá-lo da presidência da comissão. O tucano disse que as perguntas feitas pelo presidente aos convidados, entre eles o ex-presidente da Copel Ingo Hubert, fugiam do tema da reunião, a UEGA. A piada entre os parlamentares era de que só faltava o Neivo Beraldin querer saber qual a cor do pijama do ex-presidente da Copel.
Espectadores
Para desespero dos dois convidados, que certa altura já tinham virado espectadores, Neivo Beraldin devolveu as críticas dos parlamentares alegando que a ''ampla maioria dos deputados aqui presentes eram aliados do governo anterior (Jaime Lerner)''. Com a insinuação de que os parlamentares não queriam investigar o caso UEGA para proteger o ex-presidente da Copel, Durval Amaral chegou a levantar da cadeira e sugerir que a reunião fosse encerrada.
CPI?
O deputado estadual Neivo Beraldin, na verdade, estava mais com pose de quem presidia uma reunião típica de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O pedetista não deixou escapar ninguém, nem o diretor técnico da El Paso, o engenheiro mecânico Celso Pereira da Silva, que ainda conseguia responder com educação que não era de sua alçada saber os motivos que levariam a El Paso a aceitar vender suas ações à Copel.
Dúvida no ar...
Quem poderia esclarecer a dúvida era o assessor jurídico da El Paso, José Henrique Lutz Barbosa, descoberto por acaso entre as poltronas da platéia. Mas os parlamentares, vejam só, não chegaram a repetir a questão sobre a venda das ações a ele, chamado depois para também prestar depoimento.
Despreparo
A reunião da comissão deu a impressão de que, se depender da habilidade dos parlamentares, o caso UEGA continurá cercado de desinformação.
Curioso
A mesma empresa de advocacia que representa hoje a Copel no caso UEGA teria emitido um parecer tempos atrás contra qualquer tipo de quebra de contrato por parte do governo no empreendimento. Um trecho do parecer foi lido pelo ex-presidente da Copel durante a reunião. Mas quem leu em voz alta, ''sem querer querendo'', que se tratava justamente de um parecer dos advogados da Copel, foi o presidente da comissão, Neivo Beraldin.
'Cusparada'
A Assembléia Legislativa aprovou anteontem o pedido do deputado estadual José Domingos Scarpellini (PSB) para convocação do secretário de Transportes Rogério Tizzot, do presidente da Ferroeste, Martin Roeder, e do diretor administrativo da Ferroeste e advogado, Samuel Gomes dos Santos. Eles deverão comparecer em sessão plenária, na próxima terça-feira, para esclarecer ''a crise de autoridade na diretoria da entidade, quando o advogado Samuel desrespeitou o presidente aplicando-lhe uma cusparada na face'', conforme explicou em nota a assessoria de imprensa do parlamentar.
Obras
A concessionária Rodonorte voltou a ser obrigada pela Justiça Federal de Ponta Grossa a iniciar obras de recuperação na BR-376, entre Ponta Grossa e Imbaú, sob pena de multa diária de R$ 100 mil caso descumpra a determinação. A contestação da concessionária contra a ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Federal, em janeiro, não foi aceita pela Justiça Federal.
Perguntinha
Não ficaria mais fácil o governador Roberto Requião (PMDB) admitir que exagerou ao definir a UEGA como ''bomba-relógio''?
Equipe da Folha
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