Moralidade pública


Pelo menos no plano das propostas, os políticos parecem espremidos por uma avalanche de sugestões que acabariam se realmente saírem do papel com boa parte das benesses de que desfrutam. O País ainda engatinha na democracia e a crise do mensalão do PT deixou um rastro de revolta que promete alcançar as urnas, em outubro. Exemplos: o número de 513 deputados federais está sendo questionado, assim como o nepotismo, a reeleição está sendo atacada, o voto secreto dos parlamentares (como em cassações, por exemplo) é alvo de críticas. Isso sem falar nas férias dos parlamentares, que já foram cortadas, e no jetom, que também foi revisto.



Gangorra


É uma espécie de onda moralizadora depois do maremoto de denúncias que abalaram o País desde meados do ano passado, com as denúncias de mensalão e dólares em cuecas petistas. Pressionados pela proximidade das eleições, os donos de mandatos eletivos estão cortando na própria carne e tomando medidas que, apesar de poderem garantir votos futuros, minimizam as regalias da classe política nacional. É apenas o início do caminho. O eleitor não pode perder de vista a necessidade de aperfeiçoar a qualidade de seus representantes.


Bobeou, dançou


Uma das propostas mais polêmicas nessa área é a do jurista Fábio Konder Comparato, advogado de acusação no processo que afastou o ex-presidente Collor. Comparato propõe a possibilidade de revogação dos mandatos do presidente e de deputados e senadores, em caso de descontentamento do eleitorado com a atuação deles. O delicado é que uma lei nesses moldes precisaria passar pelo crivo dos próprios parlamentares e depois do presidente.


Participação


Recentemente, o site Congresso Em Foco especializado na cobertura do Legislativo nacional divulgou um levantamento da frequência dos 513 deputados no ano passado e constatou que um em cada cinco participou de menos de 75% das sessões destinadas a votação. Das 12.344 faltas registradas, só 5,7% foram punidas com desconto no salário. Entre as dez bancadas mais faltosas, oito são do Norte ou do Nordeste, segundo o site. Isso dá uma idéia do envolvimento dos parlamentares com as questões tratadas no plenário.


Ética na política


O teólogo e escritor catarinense Leonardo Boff é o convidado da 'escolinha' do governador Roberto Requião (PMDB) na próxima terça-feira. O tema que Boff vai tratar tem tudo a ver com estes dias de crise: ética na política. Boff é doutor honoris causa em política pela Universidade de Turim. Suas teses são ligadas à Teologia da Libertação.


Debate


A União dos Vereadores do Paraná (Uvepar) promove nos dias 29, 30 e 31 de março um encontro em Curitiba para discutir a autoridade do legislador municipal o vereador em todo o Estado.


Espelho, espelho meu


Em tempos de imagem desgastada para a classe política, o presidente da Uvepar, Bento Batista da Silva, quer demonstrar que o legislador municipal tem a sua importância e, ao contrário de uma imagem corrompida, a grande maioria dos vereadores estaria disposta a exercer sua função por dedicação à sua comunidade.


Drenagem da BR-277


No dia 11 de abril vence o prazo estipulado pelo Ministério Público Federal (MPF) para que o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a concessionária Rodovia das Cataratas apresentem uma proposta para solucionar os problemas causados pela falta de drenagem na BR-277. Há cerca de duas semanas, representantes do MPF, Polícia Rodoviária Federal, DER e um representante da Rodovia das Cataratas reuniram-se para discutir, segundo o MPF, o ''excessivo número de acidentes na BR-277, causados por problemas de aquaplanagem na rodovia''.


A culpa é de quem?


Nessa reunião, não houve acordo sobre quem seria responsável pelo possível erro de engenharia na rodovia. Para evitar um risco maior para a população, a Procuradoria da Repúbica em Foz do Iguaçu deverá apurar, o mais rápido possível, se houve e de quem foi a omissão na conservação da rodovia.


Erros


''Houve erros de todos os lados. Não sou daqueles que acha que só a oposição está errada. O governo cometeu erros, meu partido cometeu erros e eu, certamente, cometi erros. Todos nós temos de pagar pelos erros que cometemos.'' Do (ainda) ministro da Fazenda, Antonio Palocci.


Perguntinha


Quanto tempo vai durar a onda da 'faxina' política no País?

Maria Duarte e equipe
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