INFORME FOLHA
O circo da aftosa
A frase, na traseira de um caminhão que transporta bois até os frigoríficos ''Sacrificando inocentes para alimentar pecadores'' , se aplica literalmente no caso do gado abatido ontem em Maringá, mesmo sem o vírus da aftosa. O abate, determinado pelo Ministério da Agricultura, foi um jogo de cena para mostrar aos importadores que o Brasil eliminou a doença e, portanto, as exportações devem ser restabelecidas. Eliminou o que não existia.
Cartel agradece
O espetáculo dantesco ainda será repetido em mais seis fazendas. Isso basta para satisfazer as exigências do mercado. E, de quebra, agradar o cartel dos frigoríficos concentrado em São Paulo, terra do ministro Roberto Rodrigues que agradece.
Decadência do serviço púlico
Na verdade, as cenas do tiroteio que matou animais sadios segundo seus donos é a mais pura expressão da decadência do serviço público, especialmente de um Ministério (da Agricultura) que negligenciou na prevenção e que faz parte de um governo descomprometido com coisas sérias como a sanidade. O erro começou mais de seis meses atrás, em Mato Grosso do Sul, cujas fronteiras com outros países estão escancaradas para entrada de qualquer coisa.
Que sirva de exemplo
Que o desperdício sirva de exemplo. E que a incompetência do Ministério, comandado pelo sr. Roberto Rodrigues, tenha sido enterrada ontem, juntamente com toneladas de carne nobre, proteína que faz tanta falta na mesa de uma população carente.
Imprevidência
O abate, ainda que tivesse como alvo animais contaminados, teria sido para reprimir os efeitos, quando o correto seria prevenir as causas. Se a commoditie carne interessa ao País, pois representa divisas, por que o Mapa não cuidou da prevenção? Jogar a culpa sobre a classe produtora (por causa de meia dúzia de pecuaristas imprudentes) também não é justo, já que a maioria cumpre com a obrigação.
Tinha que abater?
Tinha que eliminar o gado? Claro que sim, para acabar com a novela e, assim, poder exportar. O que se questiona é que tudo poderia ser evitado se houvesse um controle preventivo sério.
Incompetência?
Na China há uma usina com potência de 2.500 MW que teve o mesmo projetista da Usina Termelétrica de Araucária (UEG Araucária). A usina chinesa operaria com nafta mas foi construída com turbinas à base de gás natural. Será apenas coincidência com a usina do Paraná? Será que lá eles pagaram pelo combustível que não usaram, como o governo do Paraná?
Aval da assembléia
E por falar na UEG Araucária, o presidente do PSDB no Paraná, deputado Valdir Rossoni, está ansioso pela chegada do projeto de lei do governador Roberto Requião (PMDB) que pede autorização para a compra da parte da empresa norte-americana El Paso na usina terméletrica. ''Será uma boa oportunidade para a gente conhecer a verdade sobre a usina'', afirmou o deputado. De acordo com Rossoni, até agora Requião comentava apenas sobre os prejuízos aos cofres da Copel, devido às falhas técnicas na concepção da usina, inaugurada pelo governo anterior, em setembro de 2002.
Mais ações
O projeto de lei, no entanto, comprova um interesse um pouco maior pela usina: a estatal paranaense, detentora de apenas 20% das ações da usina, quer mais 60% das ações, atualmente pertencentes à El Paso. De acordo com a Agência Estadual de Notícias, a construção da usina onerou a Copel em mais de US$ 43 milhões por erros de projeto, já que as turbinas instaladas não conseguiriam operar com o gás natural boliviano, que teria de ser depurado numa estação de tratamento. Paga pela Copel, a estação mais tarde foi atestada como desnecessária por técnicos da própria fabricante das turbinas.
Rivais ou aliados?
''Eu não sabia que o Nereu (Moura) tinha se filiado ao PSDB'', brincou ontem o presidente do PSDB no Paraná, deputado estadual Valdir Rossoni, se referindo às últimas declarações do deputado do PMDB quanto às suas relações de amizade com os rivais tucanos. Anteontem, Rossoni foi enfático ao dizer que, por enquanto, não é de interesse de seu partido formar alianças com a legenda governista. Apesar disso, Moura insiste em afirmar que a maioria dos deputados do PSDB estão mesmo é com o governo. ''Mas eu vou continuar levantando a bandeira oposicionista com bravura'', disse Rossoni.
Audiência do vizinho
Já que não pôde apresentar em Curitiba sua posição sobre a implantação do pedágio nas rodovias federais, representantes do Sindicato das Empresas de Transportes no Estado do Paraná (Setcepar) arrumaram um jeito de serem ouvidos. Eles seguem hoje para Florianópolis (SC), onde acontece uma audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A entidade vai defender que a privatização das rodovias federais é irregular, argumentando que o dinheiro arrecadado por meio da Contribuição da Intervenção Econômica (Cide), é suficiente para a construção e conservação das estradas brasileiras. Segundo o sindicato, no Cide, a ''contribuição'' é de R$ 0,28 por litro de gasolina e aproximadamente R$ 0,07 por litro de óleo diesel.
Perguntinha
O abate dos bois em Maringá vai convencer o mercado?





