INFORME FOLHA
Sem pressa
Na sexta visita em menos de 50 dias a Londrina, ontem à tarde, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, passou por pelo menos duas saias-justas durante o atendimento à imprensa, na sede da Funtel. De um lado, tentava argumentar que o ínfimo crescimento do PIB nacional em 2005, de 2,3%, não refletia a distribuição do crescimento em outros setores da economia em índices que ele deve saber até de trás para frente, tamanha a repetição dos números. De outro, alguém o questionava sobre a entrevista do presidente Lula ao The Economist, na qual o petista disse que o Brasil não tem pressa em crescer. ''É, eu li num jornal, mas nem tudo que sai no jornal é verdade. Então, não sei se ele falou.''
Sinceridade
Em dias em que o preço do álcool anda nas alturas, o assunto também foi tema pertinente da sexta visita de Bernardo. E também de mais uma situação embaraçosa, ao ser perguntado se as altas constantes não afetariam a reeleição de Lula. ''Isso não, elas podem prejudicar é o bolso do cidadão. Mas estamos tomando as medidas necessárias, e, se for necessário, vamos agir de forma dura, drástica'', disse o ministro, que não quis antecipar o que pode vir pela frente, caso os valores permaneçam os atuais depois de maio.
Até o Sebrae 1
Os escândalos no governo federal afetaram a imagem de instituições tradicionais como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Correios e outros. Foi o furacão do mensalão do PT e base aliada do governo. Porém, ninguém esperava que tantas denúncias fossem contaminar até o Sebrae Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. No comando do Sebrae está um amigo do presidente Lula, Paulo Okamotto.
Até o Sebrae 2
Ainda esta semana continuaram surgindo fatos que deixam Okamotto em situação complicada. Técnicos que trabalham na CPI dos Correios levantaram comprovantes de 161 telefonemas entre Okamotto e acusados do ''mensalão''. Impedidos pelo STF de ter acesso ao sigilo fiscal bancário e telefônico de Okamotto, os técnicos das duas CPIs dos Bingos e Correios , se esforçaram e descobriram as ligações entre Okamotto e os investigados do Mensalão.
Até o Sebrae 3
Amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e arrecadador de recursos para o PT, o presidente do Sebrae controla um orçamento de R$ 900 milhões no órgão, um dos cargos mais cobiçados na administração federal. No meio empresarial, é tido como mais discreto que Delúbio e, principalmente, como homem de estrita confiança de Lula, conforme Diego Escosteguy, da Agência Estado.
Lenha na fogueira
O procurador da República Elton Venturi redigia na tarde de ontem o requerimento para que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realize nova audiência pública em Curitiba para discutir a instalação de novas praças de pedágio nas BRs 116 e 376, que cortam o Paraná. Mas depois da confusão armada na última reunião, no final do mês passado, a ANTT não quer fazer outra audiência. Se a ANTT não ceder, o procurador pretende entrar na Justiça para garantir nova rodada do debate.
A confusão
No último dia 23, a audiência acabou em empurrões. Integrantes do Fórum Popular Contra o Pedágio protestaram contra a falta de divlgação da audiência e o descontentamento evoluiu para a agressão. O coordenador do fórum, Acyr Mezzadri, empurrou o presidente regional da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) no Paraná, João Chiminazzo. A audiência acabou cancelada e os editais e os contratos com as concessinárias não foram discutidos.
Trechos
Três praças de pedágio estão previstas para o Paraná no lote de três mil quilômetros que serão entregues à iniciativa privada pelo governo federal, mas a audiência pública só aconteceu no Paraná depois que o Ministério Público (MP) federal cobrou.
Rumo ao Senado
O PT continua neste final com os encontros para tratar da vaga ao Senado do partido. Disputam a indicação a diretora financeira da usina de Itaipu, Gleisi Hoffmann, e a deputada federal, Doutora Clair. Hoje os petistas se reúnem na sede da AABB de Jacarezinho, a partir das 14 horas. Amanhã o encontro será em Curitiba, na APP-Sindicato, às 9 horas.
Chapa
As duas participam de um debate como pré-candidatas. Uma delas vai compor a chapa que tem o senador Flávio Arns como candidato à sucessão de Roberto Requião (PMDB).
Tucanos
Ficou para terça-feira, dia 7, a reunião que os parlamentares do PSDB que integram a CPMI dos Correios terão com o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), para definir os passos na fase final dos trabalhos da comissão. Segundo o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), sub-relator de movimentações financeiras, a intenção é garantir que não haverá acordo de compensação em torno do relatório da CPMI. A reunião seria na segunda-feira, dia 6, mas problemas de agendas dos tucanos empurraram o encontro para a terça.
Pizza não pode
Para Fruet, os piores cenários que poderiam ocorrer ao final da CPMI seriam um relatório fruto de acordo ou a votação de um ''documento pífio'', que, mesmo aprovado, acabaria desmoralizado. Portanto, considerando a pressão da opinião pública, a saída é aprovar um relatório consistente.
Perguntinha
O relatório final da CPMI dos Correios sai ácido ou pífio?
Maria Duarte e equipe
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