De quatro

O ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura, aparece de quatro na capa do jornal. Foi a forma que encontrou para o plantio de uma árvore em São Tomé. Plantios de árvores são sempre um gesto meritório. Mas quem é do campo acha que o ministro não leva jeito. Não é de quatro que se planta (ou colhe) alguma coisa. Podia ser agachado, dizem uns; ou de joelhos, sugerem outros. Falta intimidade até nas atitudes mais simples, como o plantio de uma muda. Rodrigues passou muito tempo dando palestras sobre o mundo encantado do agribusiness sem pôr o pé no chão.

Ironia

''A razão do atraso é a demora''. Foi a frase do ministro para definir a novela dos focos de aftosa no Paraná. A repórter da Folha e os leitores mereciam um tratamento mais profissional do ministro. A resposta - não pela redundância da colocação mas pela falta de consistência - sugere que o ministro não está suficientemente informado. Alegou desconhecer o pedido de necropsia em parte do rebanho a ser sacrificado. Mas a informação foi confirmada por fontes do próprio Mapa.

Mistério na aftosa

De repente proibiram fotos até das valas onde serão jogados bois, matrizes e bezerros, alvos do abate ''sanitário''. Dificultaram tudo até agora. Após tantas trapalhadas o Ministério da Agricultura (Mapa) e a Secretaria, pareciam impedir as imagens. Até agora só a imprensa oficial teve acesso. Há quem diga que funcionários e técnicos do Mapa são arrogantes. Mas ontem veio uma notícia boa da Seab: a imprensa será avisada e terá acesso aos atos de secrifício do gado.

Obedientes

Mas até agora a falta de informação deixa o quadro obscuro. E os fazendeiros obedecem, mesmo sabendo que a proibição não é democrática. E que a divulgação até lhes beneficiaria já que - dizem - estão sendo injustiçados. Mas parecem concordar com a falta de transparência. E, então, fica a pergunta: por que a classe produtora tem que vergar-se diante de um serviço público que não cumpriu seu papel?

Sintomático

É intrigante a postura dos representantes da pecuária. O que há nos bastidores desses focos que apareceram por decreto? Certa ou errada, a ''profilaxia'' deveria ter sido feita há muito tempo, uns seis meses atrás. Será que a novela da aftosa resiste a uma investigação do Ministério Público?

Impostos, impostos

Não bastasse o peso de mastodonte dos impostos que o brasileiro paga direta ou indiretamente, entre taxas, contribuições e afins, o governo federal adere à proposta de taxação dos bilhetes aéreos internacionais para a compra de remédios para a Aids e outras doenças. A ''provisória'' CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras), que seria revertida a área da saúde, está sendo paga há anos. E a saúde pública continua na UTI.

Bom senso

Ao invés de buscar sempre a saída mais simples de aumentar a arrecadação, não seria mais coerente administrar melhor o dinheiro público?

Rigotto

O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, cotado para disputar a presidência pelo PMDB, deve visitar o Paraná possivelmente na semana que vem. A princípio, Rigotto deve visitar Curitiba e Londrina, além de outros grandes centros. O governador gaúcho tem a simpatia de boa parte dos peemedebistas do Paraná, que vêem semelhanças na situação do Rio Grande do Sul e do Paraná.

Garotinho

Por isso, essa ala do partido prefere o gaúcho ao ex-governador do Rio de Janeiro Antohony Garotinho, que já veio ao Paraná e anda bombardeando a militância com um marketing agressivo. Receber cartinhas e telefonemas virou rotina para os peemedebistas das araucárias. E o ex-governador pretende voltar ao Paraná, a partir do dia 13. Deve visitar Londrina, Maringá, Pato Branco, e Guarapuava.

Espeto

Ontem, os peemedebistas do Paraná se reuniram na churrascaria Devon's, no Centro Cívico, para discutir o nome de Rogotto à presidência. Como o governador Roberto Requião (PMDB) tem preferido a corrida pela reeleição, os paranaenses estão dispostos a reforçar a candidatura do gaúcho.

Adiada

A assinatura do termo de compromisso entre o governo do Estado e as montadoras de veículos Audi/Volksvagen, Renault e Volvo, que aconteceria ontem, deve acontecer dentro de uma ou duas semanas. O termo de compromisso estipula os prazos para as empresas implantarem as modificações sugeridas pela força-tarefa do setor automotivo, designada pelo Conselho de Política Automotiva, que avaliou as condições do trabalhador nas montadoras de automóveis da Região Metropolitana de Curitiba.

Acidentes de trabalho

Segundo Mário Lobo, o assessor especial do governador e responsável pelo conselho, a assinatura foi adiada a pedido das montadoras, intermediado pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). O Conselho de Política Automotiva foi instalado no ano passado pelo governador para apurar denúncias de crescimento no número de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais nas montadoras. As denúncias chegaram à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e ao Ministério Público do Trabalho.

No tribunal

O deputado estadual José Domingos Scarpellini (PSB), ardoroso integrante das fileiras oposicionistas e integrante da Comissão Especial que acompanha o processo de licitação para a privatização das BRs 116 e 101, decidiu levar aos tribunais da Justiça Federal uma ação popular para anular a audiência e, por tabela, o Edital de Leilão de Privatização que vai conceder autorização para pedagiar as estradas nos trechos São Paulo-Curitiba e Curitiba-Florianópolis.

Perguntinha

Com os preços do pedágio e dos combustíveis, alguém tem vontade de tirar o carro da garagem?

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