Leitor questiona


O leitor Alcides Ariza reclama (seção de cartas) que o ''primeiro emprego está chegando tarde demais'', numa referência ao futuro dos jovens, ao desemprego e à violência. De fato, o acesso ao mercado de trabalho não é fácil. A economia não gera empregos. As empresas não têm estímulo para investir, o que fazem é para pagar uma fortuna de impostos que sustenta a máquina pública.


Governo suga tudo


Bem, já que o governo inibe o crescimento das empresas porque cobra impostos elevados, além de encargos trabalhistas deveria, então, ele próprio investir. Mas os investimentos dos governos são concentradores de riqueza, direcionados para poucos segmentos. Exemplo: as obras de rodovias são feitas sempre pelas mesmas empresas.


Mensalão e desemprego


Em 2006, ano político, o governo federal vai abrir os cofres. Vêm aí obras eleitoreiras. Mas o dinheiro, como sempre, fica em Brasília e em algumas capitais. Poderia ser obra eleitoreira, porém de efeito extensivo. Não é o que ocorre. Sem falar em desvios como o mensalão. Se o dinheiro do mensalão fosse destinado à construção de escolas, não haveria engenheiro, nem pedreiro ou carpinteiro desempregados.


Espelho, espelho meu


Além da imagem abalada pelo escândalo de pagamento do mensalão, a Câmara Federal amarga outra situação espinhosa de justificar ao eleitor. Segundo matéria do jornal ''Folha de S. Paulo'', a Câmara teve em 2005 a pior produtividade em dez anos. Foram menos projetos de lei, emendas e medidas provisórias votadas. A queda na aprovação de matérias foi de 44%, conforme o jornal. Que os parlamentares passam a se ocupar das CPIs em detrimento do trabalho no plenário não é novidade para ninguém. CPI é palco garantido.


Contagem regressiva


Mas do trabalho do Legislativo depende o andamento do País. E a queda na produtividade é mais uma vidraça para a eleição de outubro próximo, somada às denúncias de mensalão e aos pagamentos pelas sessões extras.


Ilha das Cobras


O governador Roberto Requião (PMDB) deve passar a virada do ano na Ilha das Cobras, no Litoral, uma das residências oficiais do governo do Estado. Por enquanto, a semana tem sido tranquila. Na agenda de hoje está previsto um jantar com presidentes de associações de bairros de Curitiba e região metropolitana.


Cambé


O vice-prefeito de Cambé, Carlos Abudi, o 'Berro' (PV), assumiu a prefeitura pela primeira vez, na semana passada. Apesar de estar como prefeito por causa da licença do titular, Adelino Margonar (PMDB), o fato de Abudi ter assumido o cargo foi comemorado pelo PV. Ele é o primeiro prefeito do partido no Estado.


Na telinha 1


Os 54 deputados estaduais do Paraná estão se preparando para a estréia da TV Assembléia, no ano que vem. Uns cogitam até mudar o visual, quem sabe pintar o cabelo, usar lentes ao invés de óculos, enfim, garantir a melhor imagem possível aos olhos do eleitor, que escolherá os novos donos das cadeiras na Assembléia Legislativa. Tudo indica que a briga por espaço na tribuna e no plenário vai ser feroz. Discursos inflamados, propostas ousadas, ternos alinhados, vale tudo para chamar a atenção do eleitor de maneira positiva.


Na telinha 2


O frisson que a TV Assembléia vai gerar já é mais do que esperado. O primeiro secretário da Casa e veterano na tribuna, Nereu Moura (PMDB), lembra que existem deputados que não cultivam o hábito de fazer pronunciamentos. ''Isso deve mudar com a implantação desta mídia'', avisa.


Em busca de idéias


O PPS paranaense marcou para o dia 7 de janeiro, no Litoral do Estado, a abertura do ''Fala Paraná'', como o partido batizou o processo de coleta de propostas para seu plano de governo. A intenção é ouvir as reclamações e vontades da população para costurar as propostas que vão aos palanques no ano que vem. O Fala Paraná começou nas eleições de 2002 para o governo do Estado. Depois do Litoral, o ''Fala Paraná'' consultará outras regiões do Estado. Também a partir do dia 7, um site especial estará aberto a sugestões.


Royalties


No próximo ano, a usina de Itaipu pagará cerca de US$ 168 milhões em royalties. Este ano foram repassados US$ 183 milhões a municípios, estados e órgãos federais, com base na geração de energia. A previsão é feita a partir de cálculos que levam em consideração o mínimo contratual (energia previamente disponibilizada à Eletrobrás e à paraguaia ANDE). Os pagamentos são feitos desde 1985, quando a hidrelétrica entrou em operação comercial. No total, foram pagos US$ 2,773 bilhões.


Beneficiados


A partir de 1991, com a regulamentação da Lei dos Royalties, os municípios e os governos estaduais passaram a ter direito ao benefício. Já receberam US$ 2,159 bilhões. Do valor pago, a maior parte foi repassada ao Paraná. Este ano o Estado recebeu US$ 69,5 milhões. Para os 15 municípios paranaenses diretamente atingidos pela construção da usina foram destinados US$ 69 milhões. Para 2006, a previsão é de que o Estado receba US$ 63 milhões e os municípios US$ 63,4 milhões.


Perguntinha


Se a eleição não estivesse próxima, tanto deputado abriria mão do dinheiro extra?

Maria Duarte e equipe
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