INFORME FOLHA
O abuso do pedágio
A propósito das declarações do presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto (ontem, neste jornal), cabe, no mínimo, um questionamento com relação a preço. Exemplo: o pedágio cobrado em Ibiporã é de R$ 8,60 equivalente a quase 4 dólares. Nos Estados Unidos cobra-se em média 40 centavos de dólar (R$ 1,00). Isto para não comparar a qualidade das rodovias. O que Chiminazzo tem a dizer para explicar tamanha diferença? Talvez não deva dizer nada: os dados já são suficientes para mostrar o absurdo que é o pedágio no Brasil. Veja editorial.
Para inglês ver
Em tempos negros de escândalos milionários no Congresso, o site da Controladoria Geral da União (CGU) órgão do governo federal que ganhou status de ministério disponibiliza, sem maior alarde, um vídeo institucional relacionando o que o governo federal tem feito para combater a corrupção. O vídeo fala do governo atual e não de Lula (PT) abertamente, mas mostra imagens da Polícia Federal em plena ação, manchetes de jornais denunciando prisões, enfim, faz um apanhado geral sobre as ações contra a corrupção. O vídeo visa também o público estrangeiro e traz legendas em inglês fato que levou opocisionistas a não perderem a chance de alfinetar. ''Esse vídeo é para inglês ver'', provocam.
Engraçadinho
O presidente Lula disse esta semana que os adversários devem respeitar a democracia, que prevê alternância de poder. ''De vez em quando, aparece um engraçadinho querendo interromper o processo, dizendo que democracia não tem de ser respeitada'', reclamou o presidente. Lula já foi ''engraçadinho''. No governo Fernando Henrique, foi um dos que comandaram a campanha ''Fora FHC''. Será que ele não se lembra?
Ataques...
O ex-deputado Acir Mezzadri, aliado do governador Roberto Requião (PMDB) e mentor da frente antipedágio, está na mira da oposição da Assembléia Legislativa. Mezzadri também é conselheiro da Companhia Paranaense de Energia (Copel). A oposição quer saber exatamente o que Mezzadri faz e se funcionários comissionados estão envolvidos no planejamento da invasão a praças de pedágio.
...e atacados
A atual oposição, capitaneada pelos deputados Valdir Rossoni (PSDB) e Durval Amaral (PFL), atuava como ponta-de-lança na defesa do governo Jaime Lerner (PSB), que implantou o pedágio nas estradas do Paraná. E naquele tempo apanhava diuturnamente dos requianistas (então oposição e hoje situação) por causa da instalação das praças. Agora, a oposição está na função de pedra e não de vidraça e pode sentir o gostinho da vingança.
Contas de Nedson
As contas de 2002 da Prefeitura de Londrina, que em setembro receberam parecer do Tribunal de Contas (TC) do Estado pela desaprovação, podem ser votadas somente no ano que vem. Há três meses, o plenário do TC recomendou a desaprovação das contas de 2002 de Nedson Micheleti (PT), com base no parecer prévio elaborado pelo auditor Jaime Lechinski.
Problemas
O parecer do auditor listou várias irregularidades, entre elas a abertura de créditos acima da autorização do orçamento, inconsistência no saldo das contas patrimoniais e a remuneração do vice-prefeito (na época Luiz Carlos Bracarense, do PPS), que teria extrapolado o permitido. A Prefeitura defendeu a legalidade das contas e encaminhou defesa, que está sendo analisada na Diretoria de Contas Municipais (DCM).
Trâmite
Como não há prazo definido para que a DCM avalie o recurso de Nedson e o recesso no TC começa dia 22 de dezembro, as contas do prefeito devem ficar mesmo para o primeiro semestre de 2006. Depois de analisadas pela DCM, as contas vão para a procuradoria e auditoria, e só então voltarão ao plenário do tribunal. Mas a decisão final sobre a aprovação ou não das contas caberá à Câmara de Vereadores de Londrina.
Abacaxi
''Faça o que tem que fazer, mas reze para perder, porque se ganhar vai ficar com um abacaxi.'' Foi o comentário de um político para Ricardo Gomyde, da chapa que perdeu por um voto a eleição para a presidência do Coritiba. Giovani Gionédis, ex-secretário da Fazenda na gestão Lerner, foi reeleito para o comando do Coxa, que caiu para a segunda divisão.
Saúde pública
Mais um foco de tensão entre o promotor de Justiça Fuad Faraj, de Ponta Grossa, e a Secretaria Estadual da Saúde. As promotorias de Justiça de Defesa da Saúde Pública e da Infância e da Juventude de Ponta Grossa ajuizaram ontem uma ação civil pública para que o Estado garanta atendimento especializado a uma criança de sete anos que sofre de paralisia cerebral. O menino precisa de remédios de uso contínuo, fisioterapia, hidroterapia e suporte de médicos especialistas, como otorrinolaringologista e ortopedista.
Carência
A ação, assinada pelos promotores Fuad Faraj e Carlos Alberto Baptista. O Ministério Público argumenta que a família da criança não tem condições financeiras para arcar com os custos do tratamento médico e fisioterápico. Os promotores alegam que a mãe do menino não tem conseguido as sessões de fisioterapia e de hidroterapia através do SUS e o Estado teria se negado a oferecer o medicamento e os tratamentos solicitados.
Aftosa
Mais um capítulo na novela da aftosa, que já dura um mês e meio. Ontem, em Cascavel, na Expovel, o governador Roberto Requião disse que o Paraná está pagando ''por erro e irresponsabilidade'' do Ministério da Agricultura. ''Nós estamos conversando com o governo federal e vamos até as últimas consequências porque este assunto não é brincadeira'', disse.
Perguntinha
Os políticos falam como se não tivessem memória porque confiam na falta de memória do eleitor?
Maria Duarte e equipe
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