Espelho, espelho meu...


Políticos do Paraná estão fazendo, forçosamente, um trabalho de reflexão para as eleições do próximo ano. É uma espécie de crise existencial, detonada pelas denúncias de corrupção no governo federal, que expuseram os meandros de Brasília e o coração do poder. Os parlamentares têm medo que o eleitor julgue todo mundo com base nos denunciados de envolvimento com o mensalão, derrubando votos indiscriminadamente, de Norte a Sul e de Leste a Oeste. De forma geral, a convicção dos parlamentares é que, se as CPIs em andamento não apresentarem um desfecho sério e satisfatório aos olhos do eleitor, todo mundo vai pagar o pato, independente de ser culpado ou não.


Politizados


Outra percepção dividida pelos parlamentares nativos é que o eleitor está mais consciente, e portanto mais exigente. Parece que está esticando a memória curta e acompanhando com mais interesse o que acontece no Executivo e no Legislativo. Isso, claro, prejudica os maus políticos, que vêem reduzidas suas chances de permanecer no poder.


Divã e calculadora


Além das tradicionais contas de quantos votos são necessários para se eleger, considerando o número de vagas, de eleitores, o dinheiro para a campanha, os concorrentes, a legenda e até as simpatias, os políticos estão recorrendo também à análise da psicologia do eleitor, abalado pelo 'mar de lama' do governo petista que inundou Brasília nos últimos meses. A grosso modo, são necessários 180 mil votos para eleger um deputado federal (são trinta vagas para o Paraná) e cerca de 100 mil para conquistar uma das 54 cadeiras da Assembléia Legislativa.


Tá difícil


O deputado federal César Silvestri (PPS-PR) que está no seu primeiro mandato em Brasília , compartilha a opinião de que sem uma apuração rigorosa por parte das CPIs, as eleições do ano que vem serão extremamente difíceis para as bancadas atuais. ''Tenho sentido nas ruas, nos restaurantes, as pessoas estão participando como nunca da vida pública. A população está mais atenta e mostrando indignação'', observou. A queda de popularidade de Lula, emendou Silvestri, é reflexo da indignação dos eleitores.


Devagar com o andor


O PFL de Curitiba não anda nada feliz com a aproximação do PFL estadual para o lado do senador Osmar Dias (PDT), suposto candidato ao governo em 2006. Amanhã, a partir das 10 horas, os pefelistas da Capital se reúnem para discutir o assunto. O diretório municipal da sigla avalia que, se não cair a verticalização, dificilmente o PDT coligará com o PFL no plano nacional, e com isso os planos paroquiais vão por água abaixo.


Trilha solitária


Para alguns membros do diretório municipal qualquer aproximação com Osmar Dias, por enquanto, é prematura.


Cassa ou não cassa?


Depois de uma semana turbulenta para o Supremo Tribunal Federal (STF) e para a Câmara dos Deputados, por conta da luta épica de José Dirceu (PT-SP) para não ser cassado, os próximos dias não dão sinais de melhora. Até a votação do Orçamento ficou a perigo enquanto a votação da cassação não for definida. É o País refém dos humores de seus congressistas.


Contagem regressiva 1


Na próxima quinta-feira, dia 1º, entram em vigor as novas tarifas do pedágio no Estado, em média 8% mais caras. Se não houver uma liminar barrando a alta nos preços, as seis concessionárias aplicarão o reajuste.


Contagem regressiva 2


Apesar da briga do governo Roberto Requião (PMDB) acontecer todo final de ano com as concessionárias, este ano é mais marcante. É o último dezembro antes das eleições de outubro do ano que vem. E o governador elegeu-se após uma cruzada contra o pedágio no Paraná, problema que prometeu resolver.


Queda livre


A renda do trabalhador permaneceu estagnada no segundo ano do governo Lula (PT), apesar da maior oferta de emprego, revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta foi a primeira vez em sete anos que a renda não caiu de um ano para o outro. Pelo menos foi esse o destaque dado à pesquisa a estagnação e não o fato de a renda cair ao longo de anos e anos.


Perguntinha


É o espetáculo da estagnação e não do crescimento?

Maria Duarte e equipe
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